

It Girl 5 - Garota de Sorte

Cecily Von Ziegesar




Tive sorte um dia. Terei sorte novamente.


- Bette Davis




1


UMA WAVERLY OWL NUNCA D
OUVIDOS S FOFOCAS.

O cheiro fresco de outono na Waverly Academy foi substitudo pelo inegvel aroma de fumaa - e no do tipo agradvel, de folhas queimando. Era um cheiro forte de 
feno tostado que pinicava as narinas e lembrava Jenny Humphrey de que algum tinha incendiado o celeiro da fazendo dos Miller na festa do Cinephiles na noite anterior. 
Talvez tenha sido acidental. Talvez no.
Jenny abriu a pesada porta de madeira do salo de jantar e andou pelo ambiente cavernoso at a fila da comida. Era uma longa caminhada  plena vista de cada mesa 
abarrotada e Jenny tentou se concentrar no sol da manh que entrava pelas janelas de vitral e no nos cochichos que reverberavam pelo teto da catedral. As Waverly 
Owls notoriamente eram fofoqueiras, mas hoje havia ainda mais sobre o que falar do que o normal.
Ela encheu a bandeja com as panquecas de ma e canela especiais de sbado e foi para as longas mesas de carvalho no canto, onde viu os cabelos escuros e brilhantes 
de Alison Quentin. Uma loura baixinha estava enfiada entre Alison e Sage Francis. Jenny olhou para saber se a colega de quarto, Callie, e seu ex, Easy, no estavam 
sentados ali tambm. Depois de flagrar Callie e Easy juntos no celeiro na noite anterior, ela no queria ver nenhum dos dois de novo. Se logo depois no tivesse 
trocado aquele beijo inesperado e incrivelmente doce com Jullian McCafferty, ela podia ter desistido inteiramente do caf da manh/ da Waverly/ da vida. Seu estomago 
doa s de pensar nisso.
- Carne fresca - disse uma voz atrs de Jenny. Ela se virou e viu Celine Colista, a cocapit morena do time de hquei, gesticulando para a lourinha sentada entre 
Alison e Sage. Ela diluiu um pouco o suco de laranja recm-preparado e colocou na bandeja. - Ficaro por aqui a semana toda.
- Carne fresca?
- Alunos em potencial - explicou Celine impacientemente enquanto elas se aproximavam da mesa juntas. - A gente no pode dizer que so pr-calouros porque, sabe como 
, a gente no sabe quem vai entrar. - Jenny e Celine baixaram as bandejas ao lado de Alison.
Jenny se inclinou para frente e sorriu para a loura aluna em potencial. A menina era ainda mais baixa de perto.
- Oi. Eu sou a Jenny.
- Eu sou a Chloe. - A menina levantou os culos pretos de aro retangular Ralph Lauren e assentiu para Jenny.
- Ela segue Alison pra todo lado- anunciou Benny Cunningham em voz alta, apoiando os cotovelos na mesa de madeira escura. Tirou o cabelo castanho, comprido e de 
fio reta da cara de cavalo, porm bonita. - De onde voc  mesmo, carne fresca?
- Putney - respondeu Chloe timidamente. Ela pegou um fio de linha invisvel no suter J.Crew de tric azul-claro. - Fica em Vermont.
Com a pele clara e os olhos azuis grandes e inocentes, Chloe parecia Dakota Fanning. Era difcil para Jenny pensar em ser m com Dakota Fanning.
- Vermont  lindo - disse ela, na esperana de deixar a menina mais  vontade. Jenny sabia como era ser a garota nova desajeitada na Waverly. Ela se encolheu, lembrando-se 
de como a Velha Jenny era sem noo quando chegou vrias semanas atrs. Mas a Nova Jenny se sentava  mesa mais descolada do salo de jantar, ia a festas doidas 
em celeiros incendiados e beijava lindos meninos sob a luz da lua. Engole essa, Velha Jenny.
De repente um grito ecoou no teto alto e inclinado do salo e Jenny se virou, vendo Heath Ferro parado junto a uma mesa prxima, os braos no alto, triunfante. A 
luz do sol brilhava em seu cabelo louro habilidosamente despenteado e farelos de biscoito se derramavam da boca. Ele evidentemente acabara de concluir o desafio 
da bolacha, uma proeza que muitos tentavam no salo de jantar Waverly: engolir seis bolachas supersecas em menos de um minuto sem beber gua nenhuma.
Heath foi cumprimentado por um grupo de caras que se reunia em volta dele, alguns eram bem mais novos. Jenny percebeu que havia pelo menos uma dezena de candidatos 
a alunos em vrias mesas, todos perto de suas Waverly Owls designadas, como turistas com medo demais para se afastar mais do que alguns passos de seus guias.
- E ai, soube da ltima? - Sage inclinou-se para a frente em sua cadeira, os olhos azul-claros brilhando. Puxou para cima as mangas do suter azul-marinho Elie Tahari, 
como se espalhar fofocas pudesse sujar suas mos.
- Qual? - perguntou Jenny ao meter o garfo num pedao de panqueca e pass-lo numa poa de melado New England. Ela estava com os jeans Earl preferidos e um suter 
de gola rul preto da Gap que tinha desde o sexto ano. Estava pouco produzida, se comparada com Sage e Benny, mas era s porque as meninas da Waverly usavam praticamente 
qualquer atividade como desculpa para uma exibio de moda.
- Encontraram um isqueiro no celeiro. - Benny sorria com malicia. Seus dentes brancos combinavam com a camiseta branca Vince de double-gauze, deixando-a parecida 
com uma propaganda de Colgate. Mas a julgar por seu fundo se investimento multimilionrio, eram provavelmente um caso de clareamento profissional. - Tinha as inicias 
de um aluno. Julian McCafferty.
Jenny baixou no prato o garfo com a panqueca. Julian?
- Ouvi dizer que foram uns caras da St. Luciu - disse Celine num meio sussurro, inclinando-se para a frente e pondo a mecha de cabelo preto atrs da orelha. - Mas 
tambm ouvi dizer que foi aquele galinha do Dan, a conexo do Heath na loja de bebidas, sabe? - Ela passou a lngua pelos dentes da frente, por fim desalojando o 
espinafre da omelete que fiou preso ali por toda a refeio. - Ah, e Simone disse que foi um caipira piromanaco que no conseguiu estudar na Waverly.
- Interessantssimo- intrometeu-se Alison. Ela tomou um gole do suco de laranja, aparentemente sem se deixar abalar pela idia de que podia haver um morador invejoso 
de Rhinecliff atacando os alunos da Waverly.
- Eu soube que umas pessoas fumaram no celeiro - disse Chloe, toda prestativa. Ela meteu a faca numa fatia da torrada francesa.
- Mas onde foi que ouviu isso? - Jenny conseguiu dizer. Na noite passada, ela confrontou Callie sobre ela e Easy estarem fumando no celeiro pouco antes do incndio, 
mas no tinha certeza de que mais algum sabia. Callie respondeu que Jenny deve ter ateado fogo no celeiro por cime. Ela sabia que Callie estava na defensiva e 
sendo melodramtica,mas ainda assim sentia raiva. Se o resto da Waverly descobrisse que Callie e Easy estiveram fumando no celeiro; bom, Jenny no ia impedir que 
esse boato se espalhasse. Ela sinceramente no lamentaria ao ver os dois indo embora. Seria bem feito para eles por serem... uns galinhas babacas.
- . E quem estava fumando? - quis saber Benny, pela primeira vez olhando para Chloe com interesse. - Voc s est aqui a uma hora. Como poderia saber?
- Eu s ouvi falar. - Chloe deu de ombros, aparentemente sem se abalar com o olhar agressivo da menina mais velha. - No lembro onde. - Ela olhou o salo de jantar 
e acrescentou: - Tem acar em algum lugar por aqui?
Jenny no sabia por que tinha se preocupado com Chloe. Ela ia se dar bem.
- Ouvi dizer que foram Easy e Callie - props Sage em voz baixa, empurrando para o meio da mesa a bandeja de comida semi devorada. Ela prendeu o cabelo louro-escuro 
num rabo de cavalo frouxo. - Todo mundo viu os dois saindo do celeiro... E vocs sabem que eles fumam. - Ela deu de ombros, deixando que as outras juntassem as peas.
- Quem fuma? - perguntou Ryan Reynolds enquanto batia a bandeja pesada na mesa, espirrando o copo de Coca cheio no prato de comida. Jenny se encolheu. Refrigerante 
no caf da manh? Mas que tosco. Ele puxou a cadeira para mais perto da Sage e empoleirou a cabea em sua mo, esperando que ela continuasse.
- , eu. - O rosto plido de Sage ficou cor-de-rosa. - E, tipo assim, metade do campus.
- Me diz alguma coisa que eu no sei. - Ryan tentou pegar uma mecha de cabelo comprido e louro-manteiga de Sage, mas ela gritou e se retorceu para se afastar dele. 
- Algum viu a Callie hoje? - perguntou ele. Jenny olhou para Ryan com curiosidade, tentando entender o que havia de diferente nele essa manh. De algum modo ele 
parecia... mais responsvel, uma palavra que seria a ltima a vir  mente para descrever Ryan Reynolds. Ela rapidamente percebeu que era porque nunca o havia visto 
de culos. Como o pai de Ryan inventou as lentes descartveis, ele provavelmente nunca ficava sem um suprimento delas. - Preciso copiar o dever de latim dela.
- No estbulo - respondeu Benny de imediato, comendo um bocado de bacon. - Com Easssssssyyyy.
- O que eles iriam fazer num estbulo? - perguntou Chloe, toda inocente.
Benny e Celine riram com malicia.
- Rolar e pular no feno! - Celine bufou alegremente. Abriu o zper do moletom de hquei da Waverly, revelando uma camiseta preta e apertada por baixo, e Ryan espiou 
os seus peitos imediatamente.
- Vamos esperar que eles no toquem fogo naquilo l tambm - Sage riu.
Chloe olhou perplexa, mas no disse nada, baixando a cabea para o misto-quente.
Jenny se levantou da mesa e murmurou alguma coisa sobre uma dor de estomago, deixou as panquecas gordas praticamente intocadas. Pegou o celular e foi para a porta.

Cinco minutos depois, estava na escada de pedra cinza do salo de jantar, esperando por Julian. Assim que se levantou da mesa mandou uma mensagem para ele pedindo 
que encontrasse com ela. Se ele estava encrencado, ela precisava alert-lo o mais rpido possvel. E  claro que ela no se incomodava por ter uma desculpa para 
v-lo de novo.
Os boatos sobre o incndio giravam em sua cabea. Ser que Dan, o Homem da Birita, realmente tinha alguma coisa a ver com aquela noite, alm de fornecer um monte 
de bebida para pirralhos mimados? Seria possvel que um caipira doido odiasse os alunos da Waverly a ponto de tentar colocar fogo neles? E o que o isqueiro de Julian 
estava fazendo no celeiro? Ele o perdeu, no foi isso? Ela pensou ter se lembrado de Julian dizendo alguma coisa dobre perder o isqueiro... e Ele no podia realmente 
ter comeado o incndio, por que estava com ela, beijando-a to docemente perto do celeiro e fazendo-a se esquecer de Easy e Callie e do que acabara de ver. Outro 
pensamento ocorreu a Jenny: ser que Easy e Callie comearam o fogo? Ela os imaginou deitados juntos no feno, rindo, fumando, sendo descuidados, como sempre. Eles 
podem ter sido descuidados com os sentimentos dela, mas certamente no eram incendirios. S mentirosos. Ela sacudiu a cabea, os cachos morenos balanando como 
vinhas grossas. Por mais que tentassem se livrar desses pensamentos, Jenny continuava chegando  mesma concluso: ela s foi um pontinho no radar de Easy, uma distrao 
entre o trmino e a volta com Callie.
- Oi.
Jenny girou e viu a cara sorridente de Julian. Ele puxou para cima o zper do casaco de capuz Everlast cinza.
- Oi - respondeu Jenny, uma onda de prazer tomando-a ao ver o calouro alto de cabelos desgrenhados. Ela se aproximou dele um passo e esticou o pescoo para olhar 
em seus olhos castanhos e calorosos. Xingou-se por estar usando os Keds azuis borboletinhas. Se no futuro ia passar mais tempo com Julian, precisava usar os sapatos 
Michael Kors de salto.
- J comeu? - Ele pulou o ltimo degrau e caiu com um baque na frente de Jenny. Seu cabelo castanho-alourado flutuava pelo rosto. Ele parecia um Golden Retriever 
que tinha encontrado a bola de tnis. Mas de um jeito bem gato.
- J - mentiu Jenny. Depois de ouvir todos os boatos, comer estava fora de cogitao. Mesmo agora, seu estomago ainda revirava; mas de outro jeito.
- Quer ir para a Hopkins Hill? - perguntou Julian, assentindo para os penhascos atrs dela. Jenny se perguntou se ele tambm estava pensando no beijo da noite passada. 
Ele tinha de estar pensando no beijo, n?
- Vamos - respondeu ela, animada.
Eles partiram para os penhascos pelo caminho entre as rvores. O barulho dos pratos na cozinha do salo de jantar foram aos poucos substitudos pelo piar de passarinhos 
e os sons suaves do vento na floresta aos quais Jenny ainda no se acostumara, depois de passar a vida toda em Nova York. As solas dos tnis batiam nas folhas secas 
da trilha.
Chegaram a uma pequena clareira e Julian parou. Os olhos castanhos e suaves caram nos lbios de Jenny, e ela corou. Ser que ele ia beij-la de novo?, imaginou 
Jenny.
- Voc e Callie conversaram?
Jenny sentiu a cara esquentar com a lembrana da discusso com Callie na noite anterior. Ela ficou furiosa- no por Callie e Easy estarem juntos de novo, mas por 
Callie ter mentido sobre isso e fingido que eles eram s amiguinhos. Na verdade, ela e Easy deviam estar rindo dela enquanto agarravam nus no celeiro e fumavam cigarros 
e incendiavam o lugar todo.
- , mais ou menos. Quer dizer, no sei ao certo.
- Tudo bem. - Julian se agachou, pegou uma folha de carvalho vermelho vivo na trilha e a estendeu para Jenny como se fosse uma flor. Ela riu e pegou a folha, deixando 
que a mo roasse na dele. - No precisa falar sobre isso. Eu estava s me perguntando se vocs se entenderam. - Ele sacudiu gentilmente os ombros arriados e Jenny 
percebeu que ele estava usando a roupa que ela j vira: Tretorns pretos, jeans True Religion escuros com buracos imensos nos joelhos e uma camiseta preta por baixo 
do casaco.
- Ficou acordado a noite toda? - perguntou ela.
Ele passou a mo na nuca, chutando a trilha de terra com a ponta dos sapatos.
- Estou fedendo? - Julian baixou a voz um pouco, como se mais algum pudesse ouvir.
- No. - Ela riu. Na realidade o cheiro dele era bom, tipo pinheiro. Ou talvez fosse s porque eles estavam no bosque. - Mas est com as mesmas roupas de ontem  
noite.
-  que eu fui a p para casa. - Julian puxou para cima o cs arriado do jeans. A cueca samba-cano era verde-clara com ovelhinhas brancas, Jenny corou ao v-la. 
- Tem um atalho pelo barranco, por trs da fazenda dos Miller - explicou ele.
- Ah - disse Jenny simplesmente, como se isso explicasse tudo. Andar a noite sozinho? Os meninos eram to esquisitos. Quando ela estava com Easy, ele pintava em 
seu lugar especial no meio do bosque. E em Nova York, sempre que andava pelo Sheep Meadow, reparava nos muitos meninos fumando baseados e comungando com a coisa 
mais prxima da natureza que Nova York podia dar. Ou talvez eles s quisessem ficar chapados. Jenny se encostou num tronco musgoso, tentando parecer despreocupada 
sob o olhar fixo de Julian. Ela no se importava de sujar um pouco a roupa. Julian valia a pena.
Os olhos dele acompanharam o desenho dos lbios de Jenny.
- Todo o cu estava vermelho, branco e azul das luzes dos carros da policia e dos bombeiros - acrescentou ele. - Pra falar a verdade, foi meio legal. - Jenny sorriu 
com o entusiasmo tpico de menino. Ela adorava a idia de Julian indo a p por capricho, caminhando pelo bosque na calda da noite, repassado o beijo que eles deram 
enquanto andava.
- Julian - comeou ela -, voc viu seu isqueiro recentemente? 
Uma expresso estranha tomou o rosto de Julian. Ela sabia que ele j ouvira falar que fora encontrado.
- Pode dizer ao reitor Marymount que voc o perdeu - continuou ela. Quando ela o viu pela primeira vez no Dumbarton, escondido no armrio de vassouras, ele procurava 
por seu Zippo. Pelo menos, foi o que ele disse. - Se contar a verdade a eles, no tem como ser expulso.
Julian limitou-se a dar de ombros e olhar alguma coisa por cima da cabea de Jenny. Ela esperava que no houvesse uma tarntula se esgueirando pela rvore, prestes 
a fazer um ninho em seus cachos.
- No estou muito preocupado - respondeu por fim. Ele se aproximou um passo de Jenny, plantando as mos no troco dos dois lados de seu corpo para que ela ficasse 
presa. At parece que ela se importava. - Tenho o libi mais lindo do campus. - Um sorriso entortou as laterais de sua boca.
Jenny de pronto perdeu o fio de raciocnio, distrada de novo pelas lembranas dos lbios dos dois unidos, sozinhos no escuro. E um instante depois era mais do que 
apenas uma lembrana.


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De: ReitorMarymount@waverly.edu
Para: Waverly Academy
Data: Sbado, 12 de outubro, 10:15
Assunto: Alunos em potencial

Caros alunos, funcionrios e professores;

Como devem estar cientes, temos vrios alunos em potencial visitando nosso campus neste fim de semana. Essas visitas so uma oportunidade importante de os candidatos 
a alunos experienciarem a Waverly Academy e confio que todos esto cuidando para que os candidatos se sintam bem-vindos. Agradeo a todos os alunos que gentilmente 
assumiram o papel de anfitries. Os candidatos ficaro no campus at quarta-feira, a fim de ter dois dias inteiros de aulas e, assim, peo que mantenham sua hostilidade 
pelo tempo de sua estada.
Haver um jantar formal especial na segunda-feira, no salo de jantar, em homenagem aos alunos em potencial. Trajes segundo o cdigo de vestimenta.
Confio tambm que o comportamento dos alunos nos prximos dias ser mais comedido que nas ltimas semanas.

Atenciosamente,

Reitor Marymount.
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RyanReynolds: Vc e Kara,hein?  por isso que a gente nunca ficou!
BrettMesserschimidt: No. Isso  pq eu te odeio. =]
RyanReynolds: Ah.
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De: JeremiahMortimer@stlucius.edu
Para: BrettMesserschmidt@waverly.edu
Data: Sbado, 12 de outubro, 11:08
Assunto: Tudo bem?

E ai,

Sei que ainda no est falando comigo, mas soube do incndio na fazenda dos Miller e queria saber se vc est bem. Ouvi outras coisas tambm, mas no se preocupe, 
no acredito numa palavra- conheo voc. E sei que deve estar aborrecida de ver pessoas falando de voc e tudo mais. Se quiser conversar ou coisa assim, me procure.
Enfim, espero que esteja bem.

- J.
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AlisonQuentin: E ai, gato. Qual  a boa?
AlanStGirard: Acho que vou ficar na cama o dia todo  drama demais pra mim.
AlisonQuentin: Soube do Zippo do Julian? Ele no parece piromaniaco.
AlanStGirard: ,mas tambm soube que a Tinsley zanzava pelo celeiro.
AlisonQuentin: Pensei que vcs gostassem de garotas meio doidas.
AlanStGirard: Doidas sim, piromaniacas no.
AlisonQuentin: Nesse caso, me encontra no gazebo hoje  tarde. Vou te mostrar o que  doidera.
AlanStGirard: Por essa eu saio da cama, ou quem sabe no prefere se juntar a mim?
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2


UMA WAVERLY OWL JAMAIS QUESTIONA 
O RUMO QUE ESCOLHEU


Brett Messerschmidt encarava a capa do livro de latim, a velha msica de Flaming Lips "She Don't Use Jelly" berrando no iPod. As colunas dricas da capa a fitavam 
e ela queria poder fechar os olhos e se transportar ao passado. A Roma Antiga. A dcada de 1920. Woodstock. Pompia. Qualquer lugar, menos a Waverly Academy, hoje.
Se ao menos Heath fosse o nico responsvel por dar com a lngua nos dentes com todo mundo sobre ela e Kara, ela podia ficar chateada, mas no com raiva. Brett queria 
descontar em algum, qualquer um. Qualquer menos Kara, embora tecnicamente tudo fosse culpa dela, por contar para Callie que elas estavam ficando escondido. Ela 
brincou com a idia de ficar puta com Callie por seu uma fraca com tendncia a fofocas de bbado, mas isso tambm no a satisfazia muito. 
Ela se recostou na desconfortvel cadeira de madeira, comprimindo as vrtebras nas ripas. Gostava de verdade de Kara, mas ser que agora elas eram, tipo assim, namoradas? 
Isso faria delas o casal lsbico smbolo da Waverly? Ela imaginou um guia turstico da Waverly levando pelo campus um bando de candidatos a alunos e seus pais e 
apontando a janela de Brett, "Bem-vindos ao Dumbarton, lar orgulhoso das nicas lsbicas da Waverly!".
Ela deixou a testar pousar na superfcie fria da mesa, as mos agarradas s marias-chiquinhas ruivas e pequenas que tinha feito no cabelo aquela manh. Ela parecia 
Pippi Meialonga, s que Pippi provavelmente no beijava meninas. Pelo menos Tinsley tivera decncia de sumir. Brett arrastara o corpo exausto da cama e fora recebida 
por um quarto agradavelmente vazio, s um vestgio do Baby Doll Yves St. Lauren de Tinsley no ar.
- Oi? - O rosto de Kara Whalen espiou pela porta. Uns culos de gatinha com aro de tartaruga ampliavam seus olhos castanhos imensos enquanto eles percorriam nervosos 
o quarto. O cabelo castanho-claro roava os ombros. - A Tinsley t por ai?
- Ela saiu. - Brett se sentou ereta na cadeira e girou uma Maria-chiquinha no dedo.
Kara ficou aliviada.
- Pensei t-la ouvido no ptio. - Ela se sentou animada na cama de Brett, usando uma camiseta cinza e apertada da NYU que abraava suas curvas e jeans desbotados.
- Eu nunca te vi de culos. - Brett empurrou de lado o livro de latim e se virou para Kara. - Muito bibliotecria sexy. - Brett se sentiu corar. Ela disse mesmo 
sexy.
- Obrigada. - Kara sorriu e endireitou a fivela vermelha que mantinha uma mecha de cabelo sedoso longe da cara. Lembrou a Brett de quando ela era pequena e usava 
clips de papel para pender os cabelos da boneca. - Toda aquela fumaa deixou meus olhos irritados. No consegui colocar as lentes hoje de manh.
Brett assentiu. No queria mais pensar na noite anterior. Passou os dois primeiros anos da Waverly com medo de que todo mundo descobrisse que ela era filha de um 
cirurgio plstico e foi criada numa McManso brega em Jersey. Agora seu passado com estampa de oncinha e baixelas de ouro no parecia mais grande coisa. Ela alisou 
as rugas da blusa Theory branca. Houve um incndio. Brett tinha uma namorada. Seu passado era a menor de suas preocupaes. 
- No te vi no caf da manh. - Kara pegou na mesa de cabeceira de Brett um exemplar de Absynthe, a revista de arte da Waverly, e a folheou. Brett raramente lia 
a revista, mas era entregue em todas as caixas de correio dos alunos e ela meio que gostava de t-la por perto. Pensava que talvez isso a fizesse parecer ousada, 
no bom sentido. Mas dados os ltimos acontecimentos, ela provavelmente jamais precisaria convencer ningum de que ela era ousada. Kara olhou para Brett por sobre 
as lentes dos culos.
Brett se levantou e se espreguiou. Os dedos dos ps descalos afundaram no tapete de chenille verde-menta. Ela matou o caf da manh de propsito, na esperana 
de evitar todos os boatos que giravam pelo salo de jantar. Ficou meio surpresa por Kara ter entrado na toca do leo.
- Perdi alguma coisa?
- Panquecas de ma e canela. - Kara examinava a seo de arte, folheando o portflio de pinturas abstratas. Abriu um sorriso amarela para Brett.
- Descobriu mais alguma coisa sobre o incndio? - perguntou Brett. Ela ainda estava de p no meio do quarto e no sabia se devia se sentar na cama ao lado de Kara. 
Tria se sentado na cama de Tinsley, s que (a) Tinsley era uma piranha furiosa e (b) era desagradavelmente longe. Assim que foram designadas ao quarto 121 do Dumbarton, 
Tinsley e Brett colocaram as camas nas extremidades opostas do quarto. Ela chegou a pensar em pendurar no teto seus lenis azul-beb listrados Frette para dividir 
mais o espao.
- Todo mundo est falando disso. - Kara largou a revista na cama e cruzou as pernas delicadamente. - As pessoas no pararam de falar de Easy e Callie. Ah, encontraram 
um isqueiro nos escombros, com as iniciais daquele cara, Julian McCafferty. Mas algumas pessoas acham que foi Tinsley que comeou tudo. Ou o dono da loja de bebidas. 
No sei. Pode ter sido qualquer um.
Brett finalmente empurrou a revista de lado e se sentou no edredom fcsia e sedoso com estampa indiana. Um desenho de veleiro azul e branco pendia na parede acima 
delas. O av de Tinsley o mandara e Brett o resgatara do lixo.  claro que Tinsley nem se incomodou em abrir mais do que uma fresta do pacote antes de jogar fora.
Kara inclinou-se, aproximando-se um pouco, e Brett pde sentir seu hlito quente na pele.
- Ouvi algum dizer que viram uns meninos do St. Lucius perto do celeiro.
-  mesmo? - Um arrepio percorreu Brett ao ouvir St. Lucius e ela se sentou um pouco mais reta. Jeremiah lhe mandara um e-mail esta manh, dizendo ter sabido do 
incndio... E que ele soube de "outras coisas". O que ele diria se descobrisse que os boatos sobre ela e Kara eram verdadeiros? E o que ela poderia responder a ele? 
Brett olhou por sobre o ombro para o iBook aberto, como se ele pudesse ter uma resposta. Ela decidiu esperar para escrever at ter entendido exatamente o que estava 
acontecendo com Kara.
- Qual  o problema? - perguntou Kara. Ela olhava para Brett, e Brett desviou os olhos, concentrando-se nas pilhas de folhas amarelas e laranja no ptio. - Ei. - 
Kara colocou a mo no tornozelo de Brett. - Sou eu. Lembra?
Brett se sentiu mais tranqila com o contato de Kara. Inclinou a cabea para mais perto dela. Elas ficaram sentadas sem dizer nada por um tempo e Brett de novo se 
viu atrada para as folhas do lado de fora. Um Frisbee amarelo voou. Benny Cunningham correu pelo ptio atrs dele, rindo.
- Tenho uma ideia. - Os olhos castanhos de Kara olhavam atrs dos culos. - Esquece toda essa confuso do incndio. E se a gente colocar o pijama e ficar vendo filmes 
na sala de estar? Estou com vontade de ver alguma coisa totalmente melosa e ridcula... tipo Danando na TV.  to anos 1980, eu adoro. - Kara olhou para Brett com 
esperana.
Brett assentiu com indiferena, passando o dedo na estampa fcsia do edredom. Ver filmes melosos com Kara parecia a atividade perfeita. S que... Na sala de estar 
do Dumbarton? De pijama? Mas assim todo mundo no ia achar que elas, tipo assim, passaram a noite juntas? Ela encontrou um fio solto no tecido do edredom e puxou 
um pouco, vendo o tecido se enrugar em volta. Ser que Kara ficaria totalmente ofendida se ela sugerisse ficar num lugar mais privativo?
Antes que pudesse dizer alguma coisa, a porta se abriu, batendo na reproduo de Degas de bailarinas na parede que estava atrs. Tinsley irrompeu quarto adentro, 
parecendo inocente com uma blusa azul-beb e saia branca de ilhoses. Brett sabia que a colega de quarto tinha se vestido para causar um efeito calculado, porque 
se havia uma coisa que Tinsley Carmichael no era, era inocente.
- Espero no ter interrompido nada, amigas... Ou devo dizer mui amigas?  - Ela zombou com maldade. O rabo de cavalo escuro quicava enquanto ela abria e fechava a 
gaveta da escrivaninha, pegando rapidamente alguma coisa que Brett no conseguiu ver. Estava saindo novamente antes que Brett pudesse pensar em um revide desagradvel. 
A porta bateu com um som de tiro.
- Vamos. - Kara se levantou, aparentemente sem se deixar abalar pela piadinha maldosa de Tinsley. - Mui amiga - acrescentou ela com um sorriso sacana. Ela deve ter 
visto a expresso desanimada de Brett, porque seus olhos castanhos se encheram de preocupao. - Ah, sem essa, voc vai mesmo deixar que ela mexa com voc? - Kara 
frisou a palavra ela, como se Tinsley fosse uma espcie de peste horrvel que ainda no fora exterminada.
- No... - Brett sacudiu a cabea devagar, depois com mais deciso. Tinsley s estava sendo a cretina se sempre. Mas o problema era que no era s a Tinsley que 
mexia com ela. Eram os cochichos na festa ontem  noite, o e-mail de Jeremiah, o frio na barriga.
- Ela s est tentando te irritar. E no se preocupe - Kara se aproximou da porta e se virou para Brett. Enfiou as mos nos bolsos dos jeans. - No precisamos usar 
esse titulo, se no quiser.
- Ah - disse Brett automaticamente, antes que pudesse pensar em mais alguma coisa para falar. - Humm, tudo bem. 
Kara deu de ombros tranquilamente e Brett invejou sua compostura.
- As coisas no precisam ser to dramticas. Temos 17 anos... Nem sabemos o que estamos fazendo - disse ela. - De qualquer forma, agente devia ver se tem alguma 
coisa na TV antes de sair para pegar um filme, n? - Ela tombou a cabea na direo da sala de estar, a parte da conversa sobre o relacionamento agora aparentemente 
superada. Brett adorava a facilidade com que Kara passava de assuntou pesados a leves. Ela fazia tudo parecer to simples.
Brett se levantou e puxou o cs com cordo da cala J.Crew preta para baixo, porque tinha subido.
- De repente a gente pode ficar no seu quarto - sugeriu ela. - Podemos jogar Boogie. Eu sou fera em Boggie - acrescentou ela com um sorrisinho. Brett se sentia mil 
vezes mais relaxada com a ideia de ficarem sozinhas. Kara tinha um quarto de solteira no final do corredor, o que significava que elas podiam ficar em paz, sem colegas 
de quarto xeretando ou meninas fofoqueiras do Dumbarton por perto.
Kara deu de ombros.
- Claro - concordou ela, indo em frente.
Brett a seguiu, sorrindo. Era to fcil ficar com Kara. E elas tinham a sorte por Kara ter um quarto s dela. Morar num alojamento com trezentas meninas doidas por 
uma fofoca no dava muito espao para privacidade. Mas se elas conseguissem continuar discretas, esta podia acabar sendo a melhor relao que ela teve na vida.



3 


UMA WAVERLY OWL RESPEITA OS MAIS VELHOS 
ESPECIALMENTE QUANDO OS MANIPULA


Tinsley Carmichael estava de p na rea de espera da sala do reitor Marymount, olhando a mesa do Sr. Tomkins. Nunca a vira deserta antes. O assistente administrativo 
precocemente careca era como um co de guarda - sempre presente e extremamente, quase estupidamente, fiel. Tinsley abriu a primeira gaveta da mesa de carvalho escura, 
que estava vazia, a no ser por um pacote aberto de chiclete de hortel, um dlar de ouro Sacagawea e uma pulseira de prata Tiffany com um nico pingente, um minsculo 
bule de ch. Que esquisito. Tinsley abriu um chiclete e colocou na boca, perguntando-se se podia encontrar alguma coisa interessante na sala. O ambiente parecia 
ter sido decorado com partes da coleo Masterpiece Theatre, com seu revestimento de carvalho e estantes altas, cheias de livros verdes, vermelhos e pretos com lombadas 
em caracteres dourados. Ela s podia imaginar como outros alunos deviam ficar intimidados parados ali na entrada da sala de Marymount. Ela prpria ficou ali muitas 
vezes na vida. Mas hoje sua misso era mais grave do que nunca.
Depois de ver Jenny e Julian aos beijos na noite passada, ela tinha ficado furiosa demais para dormir. Passou a maior parte da noite acordada, olhando o rio Hudson 
pela janela, antes de mais nada sentindo-se idiota por se apaixonar por Julian.  medida que o cu comeava a clarear, ela fantasiou construir uma jangada de galhos 
e ramos ou o que fosse e flutuar rio abaixo at Manhattan, onde as pessoas ainda deviam estar acordadas e onde havia caras ainda mais gatos do que Julian, que afinal 
era s um calouro. Seria bom para todos se ela sumisse misteriosamente. O que eles fariam sem ela? 
Mas fantasiar sua partida era puro desespero de final de noite. Hoje era um novo dia. Ela pegou o telefone e apertou os botes com as unhas bem cuidadas e sem esmalte. 
- Al? - A voz de Callie parecia distante.
- Cad voc? A gente tinha marcado de se encontrar agora. - Tinsley mantinha a voz baixa para que o reitor Marymount no a ouvisse. O assistente dele podia estar 
curtindo o fim de semana, mas Marymount era viciado em trabalho, ento ela sabia que o encontraria em sua sala num sbado; ainda mais depois dos acontecimentos da 
noite anterior.
- Ah, . - A voz de Callie soava lenta e preguiosa, como se ela tivesse acabado de acordar de um cochilo. - Estou com Easy. Tudo bem se a gente fizer isso mais 
tarde? 
Ela ouviu Easy murmurar alguma coisa ao fundo, depois Callie riu.
Tinsley revirou seus olhos violetas.
- Mas eu estou aqui agora. Est prestando ateno? - Ela tentou esconder a impacincia. Do lado de fora da enorme janela de sacada passou uma nuvem pesada e cheia 
de chuva e algumas gotinhas bateram na vidraa. Ela esperava que Easy e Callie estivessem em espao aberto em algum lugar para que fossem obrigados a desgrudar um 
do outro.
- Sim, estou. - Sussurro, sussurro, farfalhar. Risos. - S no posso me encontrar com voc agora. Para com isso.
Tinsley olhou com impacincia o relgio Movado prata. 
- Parar o qu? 
- Eu estava falando com Easy - explicou Callie com outra risadinha idiota. - Eu disse para! - ela guinchou.
- Vai me ajudar ou no? - perguntou Tinsley com raiva, esquecendo-se de cochichar. Queria estar com o fone Bluetooth, mas no teve tempo para peg-lo no quarto, 
por que no queria demorar e ficar de papinho com Brett e a amante lsbica dela.
- Vou. Eu disse que vou, est bem? - rebateu Callie num sussurro apressado, como se no quisesse que Easy ouvisse. - S no posso ir neste exato momento. Pode ir 
sem mim. Voc deve se sair melhor sozinha mesmo.
- Tudo bem. - Tinsley desligou o telefone e o enfiou na bolsa Calypso de camura caramelo. Por mais irritante que fosse levar um bolo, Callie tinha razo; ela provavelmente 
ia se sair melhor sozinha. Tinsley respirou fundo antes de dar um passo para a porta de nogueira da sala do reitor.
- Entre! - berrou ele em resposta  batida hesitante de Tinsley. O reitor Marymount no olhou para Tinsley quando ela entrou. Seu cabelo cor de areia caia frouxo 
enquanto ele se curvava sobre a mesa, examinando o mao de papeis que tinha nas mos. Com um colete de l amarelo vivo, ele parecia o gmeo do mal do Mr. Rogers: 
completamente suburbano, mas um tanto ameaador.
- Reitor Marymount? - Tinsley fez sua melhor voz de menininha. Os cabelos escuros e lisos estavam num rabo de cavalo na altura da nuca e o rosto parecia sem maquiagem 
e inocente; ou pelo menos, era essa a idia.  claro que ela tinha jogado o isqueiro de Julian no cho perto do celeiro depois de v-lo com Jenny, o que deu inicio 
ao famoso incndio. E isso decididamente fazia com que ela no parecesse nada inocente. Se ela no convencesse o reitor Marymount do contrario, estava ferrada e 
levaria um p na bunda. Mesmo tendo a bunda mais perfeita da Waverly. - No tira um dia sequer de folga?
Marymount ajeitou o cabelo desgrenhado e suspirou de cansao.
- Administrar este corpo estudantil  um emprego em tempo integral, Srta. Carmichael. - Ele a olhou longamente e com censura. Sua mesa normalmente organizada estava 
numa baguna de pastas e papis. Atrs dele, as enormes janelas de sacada do segundo andar davam para uma vista do campus da Waverly. Ela cogitou brevemente se o 
reitor as tinha projetado desse jeito de propsito, para poder vigiar o dia todo os alunos como um falco. Tinsley o imaginou mergulhando em vo e pegando um aluno 
desavisado com garras furiosas, antes de perfurar seu corpo com o bico carnvoro.
- Conheci algumas alunas em potencial - mentiu Tinsley, tentando afugentar a imagem de ave de rapina do reitor. Alm disso, um papinho leve poderia ajudar a sua 
causa. Ela remexeu os ps, nervosa. - Parecem boas Waverly Owls.
- Um senso de oportunidade maravilhoso, no ? - queixou-se Marymount, atirando a caneta Cross no imenso calendrio de mesa emoldurado em couro e passando a mo 
no cabelo fino. - Como acha que  ter incendirios soltos por aqui?
Tinsley sabia que a pergunta era retrica, mas lhe deu a oportunidade que ela procurava.
- Por isso vim procur-lo, senhor. - Ela deu um passinho para frente no carpete felpudo, tentando apagar a lembrana de quando pisou neste exato ponto da ltima 
vez. H apenas alguns dias, ela pressionou o reitor h muito tempo casado a aprovar uma festa do Cinephiles fora do campus, o celeiro, usando o trunfo contra ele 
o caso que ele tinha com a supervisora de alojamento tambm muito casada. Anglica Pardee. Ele concordou com a festa, mas disse que Tinsley seria responsvel por 
qualquer coisa que acontecesse de errado. E as coisas sem duvida deram errado. No poderiam ter dado mais errado. Mas se Tinsley fizesse as coisas do seu jeito, 
endireitaria tudo. E ela sempre dava o seu jeito. 
Marymount afastou-se da mesa e entrelaou os dedos sobre a barriga. O relgio antigo, empoleirado em uma das estantes no canto, bateu de forma penetrante.
- No preciso lembr-la de nossa ltima reunio, Srta. Carmichael.
Tinsley sacudiu a cabea rapidamente. Sabia que ele no esperava uma resposta e ela no lhe daria o murmrio nervoso que ele procurava. Em vez disso, ela ficou os 
olhos no porta-retratos de prata em sua mesa. A foto da famlia agora estava voltada para fora, como se Marymount no suportasse ter a imagem da esposa olhando-o 
na cara o dia todo. Na verdade, a foto devia mostrar a famlia inteira, porque agora Tinsley via que umas dez pessoas estavam apertadas na moldura. Ela localizou 
o que deveria ser a sobrinha dele, uma vez que os filhos do reitor j estavam na faculdade. O cabelo da menina era dividido ao meio e ela usava macaco cor-de-rosa. 
Os culos pretos cercavam um par de olhos azuis pareciam assustados. A menina precisava seriamente de uma repaginada.
O reitor Marymount pegou a caneta e a estendeu, como se estivesse se preparando para assinar a carta de expulso de Tinsley a qualquer momento.
- E imaginou que voc tenha vindo porque sabe o que deu inicio ao incndio? 
Tinsley olhou as pontas dos sapatos Mary Janes da Miu Miu. Um erro, percebeu ela assim que o cometeu. Se voc olha para seus sapatos, as pessoas acham que est mentindo. 
A nica coisa pior que isso era coar o nariz; todo mundo sabe disso. O truque era olhar bem firme nos olhos, ou entre os olhos. Ela se concentrou nos pelos castanho-acizentados 
e salientes entre a sobrancelha de Marymount.
- No exatamente. Mas sei quem no foi.
Um sorrisinho se abriu nos lbios de Marymount, como se ele tivesse disposto a se permitir essa pequena diverso.
- E quem no foi?
- Bom, eu soube que o senhor encontrou o isqueiro de Julian McCaferty, mas tenho certeza de que ele deu o isqueiro a Jenny Humphrey - Tinsley pressionou, continuando 
a encarar os pelos das sobrancelhas dele para o caso de perder a coragem. Pareciam brotos cinza-amarelados abrindo caminho pela testa. Talvez dessem flores na primavera.
- Ainda no interroguei o Sr. McCafferty. - Marymount pegou um papel e o examinou, os olhos azuis penetrantes percorrendo as linhas impressas. Tinsley deu mais um 
passo para a mesa. Ele lambeu um dedo e passou no papel. - Esse  o relatrio policial do incndio. Diz aqui que o fogo sem duvida comeou por um dispositivo incendirio.
- Jenny estava no celeiro antes dele pegar fogo - insistiu Tinsley. Uma das rvores do lado de fora se balanou na brisa e por um momento ela foi ofuscada por um 
forte raio de sol. Ela se retraiu, na esperana de que o reitor no confundisse o movimento com um encolher. Tinsley sabia que um movimento errado podia significar 
a diferena entre a expulso de Jenny e a dela.
- Por que essa histria de culpar Jenny Humphrey? - Marymount pegou um peso de papis de bronze no formato de uma coruja e o virou na mo. Olhou por sobre os aros 
dourados dos culos com os olhos azuis penetrante. - Vocs brigaram?
Tinsley sentiu os ombros tensos. Se brigamos? No exatamente. Era mais uma guerra prolongada, que comeou quando Jenny apareceu com seus peitos gigantes e decidiu 
que podia se atirar para cima de qualquer garoto do campus, independente de quem estivesse com ele na poca.
- Se est preocupado que eu possa ter um motivo oculto, pergunte a Callie Vernon. Ela estava no celeiro. Ela tambm viu Jenny. - Tinsley cruzou os braos. Est na 
hora de Callie desgrudar de Easy e fazer a parte dela.
- O que a Srta. Vernon estava fazendo no celeiro? - O reitor se inclinou para a frente. Ela no percebera que sua explicao parecia suspeita. Droga. O alerta de 
e-mail de Marymount soou. Os olhos dele foram rapidamente ao monitor de tela plana, mas logo voltaram a se acomodar em Tinsley. 
- Ela estava com Easy Walsh... Humm. Conversando. Ele tambm viu Jenny - ela acrescentou rapidamente. Se no tivesse cuidado, ia contar que foi ela que comeou o 
incndio. Qual era o problema dela?
Marymount riu, bufando.
- Nossa lista de possveis suspeitos est crescendo exponencialmente a cada minuto - declarou ele, parecendo quase alegre.
Tinsley de repente percebeu que o chiclete de menta Trident em sua boca tinha perdido todo o sabor.
- Eles no tiveram nada a ver com o incndio - insistiu Tinsley. Ela colocou as mos com firmeza nos quadris finos, desesperada para no parecer desesperada. - Mas 
eles viram Jenny. Ela comeou. Tenho certeza absoluta de que foi ela. 
Marymount empurrou a cadeira para trs e se levantou, indicando que a sua reunio estava perto do fim.
- No se importa se eu no confiar em suas palavras, no ? - Mais uma pergunta retrica. Tinsley piscou os olhos violetas para ele. - Agradeo que tenha dedicado 
sua manh de sbado aqui. - Ele remexeu a papelada na mesa e colocou o relatrio da policia na gaveta de cima, fechando-a com um baque agourento e trancando-a, colocando 
a chave no bolso. - Por ora, vou fazer vista grosa para a sua negligencia na organizao desse evento desastroso. Mas sei que nos falaremos em breve.
Tinsley se virou e foi para a sala de espera vazia, fechando a porta do reitor Marymount. Ficou diante da mesa vazia do Sr. Tomkins. Curvou-se para a frente e pegou 
outro chiclete na primeira gaveta, grudando o velho debaixo da mesa. Infantil, sim, mas ela estava irritada e no estava a fim de se conter. No estava acostumada 
a no impor sua vontade. E fazia de tudo para que neste caso- o caso de Jenny Humphrey tomando um chute da Waverly em seu traseiro peitudo - ela conseguisse exatamente 
o que queria e merecia. Afinal, ela sempre teve sorte e este incidente o incndio no seria exceo. Ela e as amigas ficariam e Jenny Humphrey iria embora.



4


UMA WAVERLY OWL INTELIGENTE SABE QUE OS ESTBULOS 
SERVEM PARA FINS RECREATIVOS.


Callie Vernon afastou com relutncia o brao nu de Easy Walsh e se sentou, pegando o novo jeans Stella McCartney na pilha amarfanhada no cho do estbulo, onde todas 
as roupas tinham ido parar uma hora antes. Eles estavam na parte do estbulo da Waverly que no guardava mais cavalos, aonde ningum jamais ia.  claro que, embora 
os cavalos no estivessem mais ali, o cheiro deles continuava. Mas era melhor do que o cheiro opressivo de fumaa que pairava como um manto sobre o campus.
- No, ainda no... - Easy puxou as pernas do jeans para evitar que Callie o vestisse. Ela riu e danou para fora de seu alcance. A manta de lona marrom para cavalo 
em que eles estavam deitados (era limpa, Easy garantiu) arranhava os ps descalos de Callie, embora ela nem tivesse percebido isso quando o tecido tocou o resto 
de sua pele nua. Sua mente, ao que parecia, estava em outro lugar.
Ela fitou o peito despido de Easy, a marca de nascena abaixo da caixa torcica, o elstico da cueca samba-cano Calvin Klein cinza-carvo. Seu corpo sempre foi 
tonificado, apesar de ele nunca malhar, sempre teve msculos abdominais definidos de cavalgar a gua Credo. Easy era gratuitamente lindo. E mais uma vez era todo 
dela, cada pedacinho delicioso dele.
- A gente devia trazer uma manta mais legal pra c. - Ela passou os braos magros pelas alas finas da blusa rosa - clara Cosabella e tirou o cabelo louro-arruivado 
dos olhos com uma sacudida.
- Que foi, a lona dura no excita voc? - Easy arrastou o leve sotaque Kentucky. Com um sorriso sereno, ele pegou no cho o casaco peacoat creme Ralph Lauren dobrado 
de Callie, enfiando-o sob a cabea como um travesseiro. Ela se ajoelhou e tentou tir-lo de baixo da cabea de Easy. No se importava de ficar com um pouco de feno 
no cabelo, mas no ia aturar um completo abuso com seu guarda-roupa. J era uma concesso que ela no estivesse de saltos. Mas antes que pudesse tirar o casaco debaixo 
da cabea de Easy, ele passou a mo forte por sua cintura e a puxou para cima dele.
- Voc  um saco - disse ela afetuosamente. Ela encarou seus lindos olhos azul-escuros e tirou um pedao de feno de um dos cachos castanhos desgrenhados. Os lbios 
de Easy estavam vermelhos e rachados de tanto beijar. E os dela tambm, e a sensao era tima. - E no, no curto mantas de cavalo speras.
Ele colocou a mo na parte de baixo das costas de Callie, acima da marca de nascena em formato de morango. Pousou os dedos tranquilamente sob o cs dos jeans dela.
- Voc parece a princesa e a ervilha.
Ela no tinha certeza sobre a parte da ervilha, mas sem duvida se sentia uma princesa. Para Callie, o estbulo da Waverly era uma sute de luxo no Ritz-Carlton Atlanta, 
hotel preferido da me governadora. O estbulo era aconchegante e privativo- e era s disso que eles precisavam. Easy queria ir para os penhascos para que eles tivessem 
vista para o Hudson, mas desistiram da idia quando viram uma equipe de cross-country correndo naquela direo. Nada como uma equipe de nerds magrelos e corredores 
com cronmetros para estragar uma tarde romntica sem roupas.
- No que est pensando?- perguntou ele, levantando a cabea para mordiscar o lbulo da orelha esquerda de Callie. Sua voz era suave e doce. Tudo em Easy era familiar. 
s vezes ele at lembrava de coisas que no tinham a ver com ele, como o ch doce que ela adorava quando criana. No tinham isso no Nordeste e era uma das nicas 
coisas do Sul de que ela sentia falta.
Callie no pensava em nada alm dele, mas agora que ele levantou o assunto, sua mente foi inundada com as coisas que ela provavelmente devia estar pensando. Como 
o fato de que acabara de dar o cano em Tinsley e seu plano de conseguir a expulso de Jenny da Waverly. Ela foi sincera no que disse ao telefone - Tinsley provavelmente 
se sairia melhor sem ela. Aquela garota podia conseguir qualquer coisa e o tique nervoso de Callie s faria com que as duas parecessem suspeitas.
- Eu s estava pensando... na noite passada. - Eles perderam a virgindade juntos e foi tudo o que ela esperava que seria, com a pessoa com quem ela esperava ficar. 
Eles se lembrariam disso pelo resto da vida. Callie ainda tinha uma palha do celeiro e a guardava na primeira gaveta, para que sempre tivesse uma lembrana de sua 
noite juntos. Agora que o celeiro j era, tinha ficado feliz de t-la guardado e era um tanto agradvel a idia que tinha em seu poder a nica coisa que restara 
do lugar onde eles perderam a virgindade. Ela beijou Easy no rosto e ele abriu um sorriso meio torto, meio envergonhado. Meu Deus, ela sentia falta desse sorriso. 
E o cheiro dele, de caf e Marlboro, cavalos e sabonete Ivory, e cheiros de tinta que ela no conseguia identificar. E os dedos ossudos de Easy. Tinha tudo de volta. 
E era tudo dela.
- Olha s. - Easy estendeu a mo e gentilmente colocou uma mecha do cabelo de Callie atrs da orelha. Beijou uma das sardas em seu pescoo antes de se recostar e 
olhar em seus olhos. - Quando fui ao salo de jantar para pegar os bagels, ouvi as pessoas dizendo que ns podamos ser suspeitos. Tem gente que acha que comeamos 
o incndio. - A testa dele estava vincada de preocupao.
-  a Jenny. Ela est espalhando esse boato pra todo mundo. - A cara de Callie corou de raiva quando pensou em com Jenny tinha entrado em seu quarto na noite passada, 
acusando-a no s de ser uma amiga horrvel, mas de ser uma incendiaria irresponsvel.  claro que Jenny estava furiosa porque Easy a tinha abandonado e morria de 
vontade de arrumar um jeito de descontar em Callie. E no era s isso, Callie tinha certeza que a prpria Jenny tinha comeado o incndio, por raiva e cime. Ela 
merecia ser expulsa. E depois Callie ficaria com o quarto s para ela. Podia preparar uma escada de corda para Easy poder entrar toda noite.
- Ah, at parece. - Easy alisou uma mancha marrom (tinta? Alguma coisa nojenta de cavalo?) nos jeans. - Isso no parece... nada com a Jenny. - Sua voz era baixa 
e suave, como se tentasse enrolar ela.
Callie estreitou os olhos castanhos, fuzilando-o.  claro que ele era um especialista em Jenny. Ele ficou com ela por duas semanas e agora sabia tudo sobre a garota? 
Suas costas enrijeceram. No queria ter essa conversa agora. No queria passar nem um segundo que fosse pensando em Easy e Jenny. Em breve, Jenny estaria bem longe, 
se a reunio de Tinsley com o reitor sasse como planejada. Se no, haveria muito tempo para remediar a situao, depois ela nunca mais teria de pensar em Jenny.
- Parece que eu te devo uma explicao melhor para o que aconteceu com a Jenny. Ou uma desculpa melhor. Ou coisa assim... - Ele se interrompeu, esfregando as tmporas 
com os polegares calosos. - Quer dizer, aconteceram todas aquelas coisas e eu simplesmente no pude...
Callie plantou um beijo longo e delicado em seus lbios rachados, na esperana que isso o calasse.
Easy retribuiu o beijo, depois se afastou devagar. A pele branca e leitosa de Callie assumira um delicado tom de rosa e ele sabia que no importava o quanto ela 
tentasse bancar a fria, ela ainda estava chateada por causa de Jenny.  claro que esse era um assunto difcil para Callie- devia ter sido horrvel ver Easy com Jenny, 
era natural que ela ficasse com raiva. Mas ainda assim... Jenny no merecia ser culpada pela confuso que ele aprontou com Callie.
- No acha que a gente devia, er, conversar sobre isso?- Ele se sentou na manta e a puxou para ele, tirando o casaco branco de Callie de sob a cabea.
- Shhh. - Callie ps os dedos nos lbios de Easy, depois substituiu os dedos pela boca. O sol estava alto no cu e suas sombras compridas cobriam o cho do estbulo. 
- Agora estamos juntos e  s isso que importa.
Easy abriu a boca para falar, mas ela o silenciou com um beijo longo e lento. Callie tinha razo. Eles estavam juntos de novo e desta vez nada ia mudar o que ele 
sentia por ela.




5


UMA WAVERLY OWL NO SE APROVEITA 
DE CANDIDATOS A CORUJA


Brandon Buchanan estava deitado em sua colcha Ralph Lauren com as mos calosas de squash cruzadas embaixo da cabea. O Sr. Aberto est fechado. Ele ainda no acreditava 
que pela primeira vez na vida fora capaz de dizer uma coisa que realmente parecia sada de uma fala de cinema. Sempre lhe vinham boas respostas com atraso, mas finalmente 
tinha conseguido. Havia alguma coisa de transcendental no momento. Ele disse a Elizabeth Jacobs, a gata do St.Lucius que ele esperava que fosse sua namorada, que 
se ela insistisse em manter a relao deles "aberta" - que significava que ela ainda podia dar mole e ficar com quem quisesse, mesmo na frente de Brandon - alguns 
Homens de Qualidade no estariam mais disponveis para ela. Ela teria de se contentar com uma vida inteira de caras como Brian Atherton. Atherton. Aquele imbecil.
Uma batida suave interrompeu sua meditao eglatra. Talvez fosse Elizabeth. Para dizer o quanto lamentava. Que se ele no a aceitasse de volta, ela ia entrar para 
um convento e desistir de todos os Athertons do mundo e dele, para sempre, ou algo igualmente romntico e cinematogrfico.
- Entre.
Mas em vez da cabea loura de Elizabeth, o rosto barbado de Pierre Hausler, o supervisor canadense do alojamento apareceu na porta. House, como todos o chamavam, 
era um daqueles ex-alunos da Waverly que chegaram quando adolescentes e nunca mais foram embora- ou, se foi, s por tempo suficiente para tirar um diploma universitrio. 
Ele supervisionava o alojamento, era assistente tcnico do time de softball feminino e ensinava geocincias e flauta doce aos calouros. Ele tambm tinha o habito 
de dizer"hein?"
- Hora ruim, hein? - perguntou House, parando na porta. Apesar do apelido, ele era um cara magro e parecia um pouco com Jonny Knoxville com pelos faciais. Por acaso 
tambm era muito legal, no os incomodava demais com o horrio de recolher. "Hora ruim, hein?" era seu cumprimento tpico.
- No. - Brandon se sentou, passando a mo no cabelo dourado escuro curto e ondulado.
House empurrou mais a porta, revelando um garoto magrelo que Brandon nunca vira na vida. Tinha cabelo castanho-claro espigado que parecia jamais ter visto um pente 
e segurava um saco de dormir L.L. Bean verde-militar com as iniciais SRT bordadas no alto em laranja. No era muito mais alto do que os meios-irmos de Brandon, 
Zach e Luke, que tinham 11 anos e ainda achavam que as pistolas d'gua Super Soaker eram as coisas mais bacanas do mundo. Gostavam especialmente de torturar a labrador 
de Brandon - que, alis, tambm se chamava Elizabeth. Brandon se perguntou rapidamente se a partir de agora, toda vez que chamasse a sua cadela, ele se lembraria 
de sua experincia com mulheres de mente aberta.
House apontou o polegar para o garoto.
- Este  Sam Tri... Trigonis. - House era notoriamente pssimo com nomes, o que podia ser problemtico para um supervisor de alojamentos e em geral ele se referia 
aos alunos pelos nmeros dos quartos. - Ele  um dos candidatos em visita este fim de semana.
Candidatos a alunos. Com tudo o que aconteceu na semana passada- sua relao curta e complicada com Elizabeth e o incndio maluco no celeiro na noite anterior - 
Brandon tinha se esquecido de que nos prximos dias haveria um bando de alunos de oitava srie na cola das pessoas pelo campus.
- Ele devia ficar com Brian Atherton, mas houve digamos um incidente na quadra de squash esta manh - continuou House. Brandon percebeu uma mancha escura sob o olho 
do garoto, estendendo-se at o meio do nariz. Parecia que ele levara uma bolada na cara, e com fora. House assentiu a cabea de cachos escuros para Brandon. - Sam, 
este  o Brandon Buchanan.
-  um prazer. - Sam entrou no quarto que Brandon dividia com Heath Ferro, a mo estendida como de um poltico. Vestia uma camiseta do Harry Potter, um cinza que 
um dia foi preto, e calas caqui com um vinco bem-feito na frente. Se no parecesse to certinho, podia ser descolado. Mas no era.
- Er, o prazer  meu. - Brandon girou os ps com meias Perry Ellis para o piso de madeira e se inclinou para apertar a mo do garoto.
House deu um sorriso esperanoso para Brandon.
- Ento, importa-se de mostrar o lugar um pouco a ele... Talvez levando-o a outro lugar, e no s quadras de squash? - Ele plantou as mos grandes nos ombros magros 
de Sam. - Fico te devendo essa.
Brandon suspirou pesado e House desapareceu pelo corredor, deixando o garoto tragicamente nerd no meio do quarto de Brandon. Um par de mocassins de couro marrom 
espiavam por baixo das calas cqui meio pequenas demais.
- Quarto legal - arriscou-se Sam timidamente. Ele se virou num circulo, os olhos se iluminando ao verem o PSP de Heath na cama imunda. Voltou a olhar para Brandon 
com expectativa, como Elizabeth ( a cadela- isso podia ficar confuso, percebeu Brandon) fazia quando queria que ele atirasse uma vareta. Brandon se perguntou se 
podia dar ordens ao garoto "Senta!" ou "Fica!", mas s babacas como Ferro tratavam as pessoas assim.
- E ai, er, por que voc quer vir para a Waverly? - perguntou ele, alisando a colcha Ralph Lauren estampada de xadrez azul. Parecia que era a coisa a dizer no manual 
da Waverly.
- As garotas - respondeu Sam simplesmente.
Brandon riu, surpreso.
- No tem meninas na sua escola?
- Implicantes. - Sam baixou o saco de dormir no cho e se sentou na cama desfeita de Heath. Pegou o PSP, virando-o nas mos e examinando. - Todas elas. - Ele passou 
o polegar com amor no boto de Power.
- Temos umas assim na Waverly tambm. - Brandon assentiu srio. - Pode jogar, se quiser - acrescentou ele. Sam o abriu ansioso e a msica familiar de Spider-Man 
3 encheu o quarto. - Heath no vai ligar. - R. Se Heath soubesse que Brandon tinha deixado um amador desajeitado tocar sua posse mais amada, escreveria baixarias 
na parede de Brandon com seu creme Molton Brown preferido. Ele j fez isso uma vez, no primeiro ano.
- Elas esto em toda parte - concordou Sam, os polegares j habilidosamente manipulando o console minsculo. - Mas eu soube que pelo menos elas so mais gatas aqui. 
- Ele tirou os olhos da tela e fitou Brandon. - Tem algum outro jogo alm de Spider-Man 3? J detonei esse.
Brandon passou a mo no cabelo, piscando os olhos castanho-dourados. Que diabos ele ia fazer com esse nerd o fim de semana todo? Torcer enquanto ele jogava videogames? 
Comparar os mritos das meninas do ensino mdio com as equivalentes do oitavo ano? Naquele momento, a porta se abriu com um baque. Heath estava parado na soleira, 
uma mancha de suor gigantesca crescendo de um jeito nojento na frente da camiseta cinza Ridgefield Preo.
- Mas que...
- Este  Sam, nosso aluno em potencial. - Brandon franziu o nariz. Heath fedia a algo entre aspargo podre e queijo gorgonzola. Ser que nunca usava desodorante? 
Brandon uma vez deixou um Speed Stick novo em folha na mesa da cabeceira de Heath, com um bilhete que dizia, "Experimente este". No dia seguinte, o desodorante tinha 
desaparecido e havia um fraco de depilador Nair na cama de Brandon com um bilhete, "Experimente este nas suas partes intimas". Desde ento, Brandon desistira da 
higiene de Heath.
- Sai da minha cama - Heath ofegou. Tirou a camiseta e a jogou no cho.
Sam se levantou rapidamente, passando para o lado de Brandon do quarto.
-  demais pedir para voc tomar um banho antes de vir para c? - Brandon grunhiu enquanto se levantava e abria a janela. - E leve a merda da sua roupa para lavar... 
Est criando mofo. - Em geral ele no era to agressivo com Heath, mas Sam dava uma boa platia.
- Talvez voc possa levar quando entregar seus vestidos aos zeladores. - Os olhos verdes de Heath faiscaram maliciosamente e ele flexionou os bceps diante do espelho 
do armrio, parecendo apreciar o que via. - Calminha com o rigor. - Ele finalmente olhou para Sam, que ficava tocando o nariz inchado. - O que aconteceu com a sua 
fua?
- Machuquei num cinto de castidade - respondeu Sam em tom de desafio.
Brandon riu. Esse garoto tinha coragem.
- Na verdade, ele ps a cara na frente da raquete de Atherton.
- Que chato. Mas gosto do seu jeito de pensar. - Heath ps o brao em volta de Sam e o apertou em seu peito nu e suado. Embora fossem meados de outubro, Heath ainda 
tinha um bronzeado que parecia caribenho. Apesar de todas as sacanagens com o amor de Brandon por cosmticos, Brandon tinha a sensao de que o prprio Heath adorava 
um frasco de loo bronzeadora. Dava trabalho manter um brilho daqueles. - As meninas da Waverly adoram candidatos a alunos. Eu tive a melhor experincia do mundo 
quando fiz a primeira visita - continuou Heath, por fim soltando Sam.
Brandon gemeu e se atirou no edredom xadrez. Puxou com cuidado os mocassins John Varvatos para baixo da cama para que Heath ou o candidato no pisasse neles.
- Meu Deus, no aquela histria da Juliet van Pelt de novo - ele gemeu.
- No seja to azedo... Pode acontecer com qualquer um. Qualquer um que se esforce bastante e realmente d tudo de si. - Uma expresso saudosa e familiar j dominava 
Heath enquanto ele se sentava em sua cama, pronto para se lanar na histria srdida e famosa.
- Era um dos outonos mais quentes aqui em Rhinecliff - comeou ele, deitando-se de costas e colocando as mos por trs da cabea. Ele cheirou o sovaco, como que 
para se lembrar de sua masculinidade, e continuou. - Eu era novo, no muito mais velho do que voc. Ainda pagava a universitrios em estacionamentos da 7-Eleven 
para comprar a Penthouse e a Playboy para mim.
Brandon revirou os olhos, mas Heath no percebeu. Olhava com nostalgia para a sanca onde o teto branco se encontrava com a parede bege.
- Ela foi a primeira garota em que pus os olhos. E depois disso, no consegui olhar para mais nada. Ela jogava Frisbee com as amigas com aquele biquni amarelo mnimo, 
saltando no ar como uma gazela sensual, com as tetas mais lindas que vi na vida. Era como as garotas de meus sonhos de revista, s que real. Juliet van Pelt. - Heath 
sacudiu a cabea loura, como se apenas o som do nome descrevesse a experincia.
Sam se sentou no cho, recostando-se na cama de Brandon e olhando Heath com pasmo. Brandon se levantou e foi ao armrio pegar a raquete Dunlop de squash. Podia precisar 
bater em Heath se as coisas sassem do controle.
- Eu sabia exatamente o que tinha de fazer. O tempo parou enquanto o Frisbee voava no ar. Eu o interceptei e andei direto at ela. No demonstrei medo. Expliquei 
que se ela quisesse o Frisbee de volta, teria que me dar alguma coisa em troca. - Heath se sentou na cama com a expresso grave. Olhou fixamente para Sam. - E ela 
deu. Ela me fez homem naquela noite. Nunca vou me esquecer dela.
- Est falando srio? - A cara de nerd de Sam se iluminou de admirao. Ele parecia um rfo que descobriu que afinal de contas tinha pai.
- Estou. - Heath esfregou o queixo com a barba por fazer e assentiu seriamente, como se fosse um monge budista e Sam tivesse caminhado meio mundo para se consultar 
com ele. - Voc vai aprender neste fim de semana. Vou mudar a sua vida. - Seus olhos assumiram o jeito fantasioso de novo. - Sou o homem que sou hoje graas aquela 
noite maravilhosa. 
Era quase como um filme B para adolescentes. Se ao menos fosse verdade. Brandon no acreditava nem por meio segundo que o Heath de 13 anos tivesse conseguido chegar 
em uma veterana gata e convenc-la a dormir com ele minutos depois de chegar  Waverly.
- T dentro? - perguntou Heath, chutando um dos tnis Adidas lamacentos para que casse bem no colo de Sam. Ele no pareceu se importar.
- T dentro - respondeu Sam to animado que parecia que podia mijar nas calas.
Um riso de menina surgiu na calada abaixo e Heath pulou e enfiou a cabea pela janela.
- Love for sale - cantou ele a plenos pulmes. - Dirty, nasty Love for sale! - O calouro deu um grito de prazer e correu at l. Brandon se recostou no travesseiro 
Tempur-Pedic e tentou ignorar o desastre iminente que se desenrolava diante de seus olhos. Heath? Treinando um aluno em potencial? Em alguma coisa? 
Heath colocou Sam de p com um puxo e o levou  janela. 
- O que quer que faa, no banque o calouro. Elas no sabem de nada - aconselhou ele a seu protegido. -  assim que se faz. - Ele apontou para algum embaixo, mas 
Brandon no podia ver. - Ei, senhoras - chamou Heath.
- Elas esto mostrando o dedo pra voc - cochichou Heath. - No  comigo, senhoras - gritou ele s pobres meninas. - O Sam aqui est procurando por amor e ele veio 
ao master.
- Quer dizer masturbador - gritou uma voz feminina, alto o bastante para que todos ouvissem. Brandon no pde deixar de rir. Colocou a raquete de squash na cara, 
s gargalhadas.
- Ei, isso  sexo com algum que eu amo - gritou Sam. Ele se virou para Heath. - Isso  do Annie Hall.  o filme preferido do meu pai. Eu vi umas nove vezes.
- No, no, no, no. - Heath pegou Sam pela camiseta de Harry Potter e o afastou da janela. - No pode dizer falas de filme s garotas- alertou Heath. - Elas nunca 
entendem, ento  perda de tempo. - Ele foi at o armrio e olhou por sobre o ombro de Sam, que parecia querer ter um caderno para anotar tudo. - Voc tem muito 
que aprender e eu no tenho muito tempo.
Ele pegou uma camiseta limpa e levou Sam pelo corredor, atirando-se num sermo sobre como era importante ser engraado e articulado, mas no articulado demais, da 
a genialidade da piadinha rpida.
Brandon se recostou na cama com um suspiro, feliz por ter o quarto para ele de novo. Estava cansado do fedorento e ruidoso de Heath Ferro, suas historias exageradas 
de conquistas sexuais e sua tutela romntica. Mas tambm no tinha obtido muito sucesso sozinho. Talvez pudesse tomar algumas aulas, de uma menina que soubesse um 
pouco mais sobre sexo do que ele. O campus estava cheio delas. Ele s precisava encontrar a garota certa.


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AlisonQuentin: So 11 da noite de sbado- sabe onde esto suas crianas?
AlanStGirard: As coisas andam muito quietas no campus, n?
AlisonQuentin: Acha que todo mundo est pegando leve por causa de ontem  noite?
AlanStGirard: Eu no me importaria de pegar leve no seu travesseiro...
AlisonQuentin: Vc  mau.
AlanStGirard: Isto  um sim?
AlisonQuentin: Claro.
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6


UMA WAVERLY OWL SABE QUE DE VEZ EM QUANDO AMIZADE 
SIGNIFICA TER DE PEDIR DESCULPAS


No domingo  tarde, Callie andava animadamente pelo gramado recm-aparado, desejando fugir da candidata a aluna irritante que grudara nela desde o brunch. As botas 
Lanvin afundavam na grama, mas pegar o caminho de cascalho s prolongaria a caminhada at o Dumbarton e ela queria se livrar de Chloe o mais rpido possvel. Ela 
viu outra menina que parecia novata lendo um livro embaixo de uma rvore e pensar em atirar Chloe para l e dizer a ela para fazer uma amiga.
- E ai - Chloe arfou, claramente lutando para acompanhar o ritmo de Callie. O campus coberto de hera estava em plena florao de outono, as trepadeiras normalmente 
verdes que escalam os elegantes prdios de tijolos aparentes agora tingidas de vermelho. As pernas das meninas chutavam folhas cadas em quanto elas andavam. - O 
que vai acontecer com quem eles pegarem?
Callie pegou um leno de papel no casaco Helmut Lang cinza e fingiu assoar o nariz. Foi Alison quem se apresentou para mostrar a Waverly a essa garota, mas de repente 
ela se levantou no meio do brunch, disse a todos que ia "estudar" com Alan e jogou a candidata para Benny e Sage. Quando elas anunciaram que iam fazer umas fotos 
em seu quarto, Chloe perguntou timidamente onde devia ir. Num instante de fraqueza, Callie se ofereceu para mostrar o campus por algum tempo.
Mas isso no queria dizer que teria de ficar com ela para sempre, n?
- No sei. - Callie enfiou o leno de volta no bolso. A minissaia Elie Tahari branca de Callie subia um pouco nas coxas enquanto andava e ela queria trocar de roupa, 
mas no queria levar Chloe a seu quarto, a no ser que fosse absolutamente necessrio. Ela no estava muito bem-vestida para o clima de meados de outubro, mas era 
a sua primeira apario no salo de jantar desde o incndio (e a sada seminua de Easy e dela do celeiro) e Callie queria que a vissem com as melhores roupas. -Eles 
devem ser expulsos, ou presos... ou as duas coisas.
Callie estava cansada. Ela e Easy tinham passado o dia todo e a noite anterior em vrios locais de namoro da Waverly. Para evitar falar de Jenny ou do incndio, 
Callie adotou a poltica de s sexo e nada de papo com Easy, pelo menos por ora. No que isso fosse trabalho demais. Mas o fato de que eles no podiam ficar juntos 
em seus quartos de alojamento deixava a histria bem exaustiva. Ela queria um namorado, e no uma aventura na selva.
- Ser que vo mandar eles pra priso? - perguntou Chloe, quase correndo para acompanhar o passo de Callie entre os dois segundanistas que jogavam bola. Ela vestia 
um suter verde de gola rul e Callie teve de reprimir o impulso de pegar o tecido a mais no pescoo e puxar sobre a cabea da garota para ela calar a boca imediatamente.
- No sei. - Ela abriu um sorriso rpido para o mais bonitinho dos meninos enquanto eles seguravam obedientemente sua bola Nerf at que ela e Chloe tivessem passado, 
e Callie sentiu os olhares a observando andar. Nada como um lindo namorado para fazer maravilhas pela confiana de uma garota.
- Ou quem sabe s servio comunitrio?
Essa garota no cala a boca nunca?
- No sei. - Mas no seria a pior coisa do mundo ver Jenny trancada na priso com um daqueles macaces laranja berrantes que ficam horrorosos com a cor da pele dela. 
Tinsley tinha contado a Callie que sua reunio com o reitor foi um fracasso, mas que isso no ia det-la. Nesse meio tempo, elas deviam pensar num plano B. Distrada 
por Easy, Callie no andava exatamente concentrada em sua misso. Ela sabia que Tinsley ficaria decepcionada com sua total falta de malicia.
- Ai, CV! - Callie se virou e viu Tinsley parada atrs dela. E por falar no diabo... Ela parecia animada com um vestido curto da Nike de tnis, o tecido incrivelmente 
branco envolvendo o corpo com seu bronzeado perfeito. O cabelo preto de comercial de Pantene Pro-V preso num rabo de cavalo no alto da cabea. - Quem  essa? - Tinsley 
apontou a raquete de tnis Wilson de um jeito acusativo para Chloe, que se encolheu como se lhe apontassem uma faca. Mas Callie no pde deixar de perceber que Chloe 
olhava com admirao para Tinsley. Callie revirou os olhos. Ser que existia algum, homem ou mulher, que no venerasse Tinsley, mesmo que sentisse medo dela?
- Candidata - respondeu Callie simplesmente. - Chloe, est  a Tinsley.
Tinsley semicerrou os olhos violetas, avaliando a menina.
- Voc me parece bem familiar- disse ela. - J veio  Waverly antes?
Chloe sacudiu a cabea loura clara em silencio, aparentemente chocada pela grande Tinsley Carmichael estar realmente falando com ela. Ou sei l o qu.
- Tins, a gente se v depois - disse Callie, ansiosa para chegar ao Dumbarton e empurrar Chloe para a primeira pessoa que visse.
- Tchau. - Tinsley cumprimentou as meninas com a raquete de tnis e foi para as quadras. Callie subiu a escada da frente do Dumbarton e abriu a porta, olhando em 
volta  procura da vitima azarada. 
S que... O saguo estava misteriosamente vazio, mesmo para um domingo. Com os sofs de couro escorregadio e as janelas que iam do cho ao teto, a sala de estar 
geralmente ficava cheia de meninas comendo pipoca queimada e vendo filmes, ou fingindo formar grupos de estudo enquanto fofocavam por cima dos livros abertos. Nunca 
ficava to silencioso. Era como aquelas cenas sinistras de filmes de terror em que todo mundo j est morto e o assassino s est esperando a hora certa para atacar 
pela ltima vez.
Mas ento Callie viu um par de meias cor-de-rosa cheias de joaninhas pendendo na lateral do sof de couro macio. Brett ouvia seu iPod, o nariz pontudo enfiado no 
exemplar surrado de O apanhador no campo de centeio. Brett s vezes pegava o livro e comeava a ler pelo meio, ou pelo fim. Brett costumava chamar Callie de "Stradlater", 
o colega de quarto enjoado de Holden Caulfield. Ou, pelo menos, chamava. Ultimamente elas mal se falavam.
Callie estava prestes a puxar o p com meia de Brett, mas seu crebro foi tomado pela lembrana de si mesma de porre, dando com a lngua nos dentes sobre Brett e 
Kara a todo o campus da Waverly. Olhando para Brett com suas meias bobas, lendo seu livro preferido, ela se sentiu pssima. Ser que Brett sabia que era culpa de 
Callie? 
Brett virou a pgina e deu um salto ao ver Callie. Ela puxou um lbulo de orelha e Callie pde ouvir Nine Inch Nails saindo dos fones.
- Oi - disse Brett, os olhos verdes faiscando. Ela cruzou os braos. - Veio contar mais de meus segredos mais profundos e sombrios a toda a escola? 
Bom, a estava a resposta.
- Oi. - Callie no sabia o que dizer.
Os lbios de Brett eram de um vermelho vivo, deixando sua pele de alabastro ainda mais branca. Este ano estava mesmo uma merda para Brett, pensou Callie, entre o 
desastre do Sr. Dalton, Jeremiah dormindo com outra e depois toda a histria de todo-mundo-falar-de-ela-ser-lsbica.
Callie tentou se desculpar com os olhos.
- Eu... estava... me perguntando se voc se importa de ficar com Chloe. - Calie esperava que isso sasse como um pedido, e no como uma exigncia.
- Que Chloe? - perguntou Brett, confusa. Ela se sentou ereta no sof, puxando a bainha do suter C&C pudo com gola em V.
Callie girou o corpo. Chloe tinha sumido.
- Ela estava bem aqui...
- Colega de quarto nova? - Brett arqueou as sobrancelhas.
Callie riu. Depois do desastre de Jenny, elas no precisavam de mais nenhuma colega de quarto.
- No, ela  aluna em potencial. Sage e Benny me passaram a garota. Talvez tenha ido at o banheiro - acrescentou ela dando de ombros. Brett mexeu no iPod enquanto 
Callie assomava sobre o sof. Por fim, ela arriou na espreguiadeira estofada de frente para Brett. Brincou com o zper do casaco, puxando-o para cima e para baixo, 
e respirou fundo. - Olha, eu queria me desculpar por sexta  noite. Eu estava de porre e sei que isso no  desculpa, mas voc sabe que eu normalmente, nunca, tipo 
assim, contaria um segredo desses.
A expresso de Brett era ptrea e Callie preparou-se para uma resposta furiosa.
- Acho que eu, assim, sei l - continuou ela apressadamente. Ela ps as mos nos bolsos e de imediato as tirou, lembrando-se do leno sujo. - Sei que no devia ter 
falado nada. Foi uma coisa horrorosa e eu lamento muito. Se eu pudesse voltar atrs, voltaria. - No era a declarao mais eloquente do mundo, mas assim que disse 
isso, Callie sentiu um peso deixar o corpo. Sabia que nunca poderia dizer nada que desfizesse o dano causado por deixar escapar o segredo de Brett, mas havia uma 
pequena salvao num pedido de desculpas. E ela falava a srio. Ela era pssima para se desculpar, mas agora, s o que realmente queria era que as coisas com Brett 
ficassem melhores.
- Est tudo bem. - Brett deu de ombros, brincando com uma mecha do cabelo vermelho Crayola. - Para falar a verdade, eu j nem ligo mais para o que as pessoas pensam. 
- Ela avaliou Callie como quem determina o nvel de sinceridade da amiga. - Mas eu te perdo.
Callie sentiu lgrimas encherem os olhos e quis saltar e abraar Brett, mas ouviu os tnis New Balance de Chloe pisando no cho de madeira.
Callie virou a cabea de repente para a pr-caloura que se aproximava.
- Esta  Chloe. - Ela encontrou os afiados olhos verdes de gata de Brett e lhe lanou um olhar de "desculpe".
Brett baixou o livrinho branco o colo e acenou as unhas douradas para Chloe.
- Eu adoro esse livro - declarou Chloe timidamente olhando para os ps com tnis.
- Eu tambm - concordou Brett, sorrindo.
Excelente. As duas j tinham alguma coisa em comum. Callie se levantou para sair, puxando a minissaia para baixo e esperando que no tivesse exibido a calcinha estilo 
Britney Spears para a candidata.
- Voc se importa?
Brett revirou os olhos para Callie, mas ela sabia que Brett no se importava.
Est tudo bem. Ela pode ficar comigo.
- Obrigada. - Callie se virou e disparou pelo corredor, os saltos batendo, impelidos pelo perdo de Brett.
Ela estava de novo com Easy, e ela e Brett voltaram a ser amigas. As coisas estavam voltando ao normal. Quase. Agora, se ela e Tinsley conseguissem que Jenny Humphrey 
sumisse, tudo voltaria a ficar bem no mundo.



7


UMA WAVERLY OWL ASSUME A RESPONSABILIDADE DE ENTRETER 
E INSTRUIR AS POTENCIAIS CORUJAS.


Brett andava de meias pelos corredores de piso encerrado do Dumbarton, com Chloe a reboque. A candidata falava sem parar sobre Holden mentir para os pais e zanzar 
por Nova York depois de ser expulso do colgio interno. 
- Algum da Waverly j fez alguma coisa dessas? - perguntou ela.
- Er, acho que no. - Brett olhou por sobre o ombro para a pr-caloura mignon, que a lembrava um pouco de Reese Witherspoon em Eleio, um dos seus filmes preferidos. 
Reese interpretava uma menina ambiciosa e aparentemente certinha que se candidatava a representante de turma e faz todo o tipo de sujeira para conseguir o que quer. 
Mas Chloe parecia meio doce e inocente demais para fazer qualquer coisa assim, em especial dada a incredulidade em seus grandes olhos azuis s de falar em zanzar 
por Nova York sem acompanhante. 
Era uma coisa com que Brett fantasiava - ser expulsa da Waverly e, em vez de ir para a casa gigantesca dos pais em Nova Jersey, viver foragida em Manhattan, ficando 
em hotis sozinha e bebendo em espeluncas com escritores e artistas bomios. Havia algo totalmente glamoroso nisso.
S que no seria assim. Seus pais provavelmente a localizariam, a matariam e a vestiriam de estampa de zebra em seu prprio funeral. No, obrigada.
Ao virar o corredor, Brett percebeu que a porta de Kara estava entreaberta o suficiente para permitir que o cheiro de vela de morango e os acordes fracos de uma 
msica do Shins escapassem para fora. Brett sorriu. Ela e Kara passaram o dia todo na vspera fazendo nada no quarto de Kara, lendo gibis e vendo DVDs em seu laptop, 
de vez em quando parando para se beijar. Depois de 24 horas de discrio, longe dos cochichos das colegas, ela estava se sentindo muito melhor com tudo. Com Chloe 
nos calcanhares, elas no teriam exatamente um tempo a ss, mas ficar com Kara era melhor do que lidar com a menina sozinha.
Brett no parou para bater e passou pela soleira da porta. O quarto estava arrumado e um tanto rido, o que era caracterstico. Ela no fazia idia de como Kara 
mantinha a mesa to limpa- s o que havia ali era um laptop fechado e algumas canetas. Kara estava enroscada de lado no edredom de Batgirl, a cabea encostada no 
brao nu, as pginas de cores vivas do gibi aberto diante dela. A msica Shins terminara e uma msica do Decemerists, cujo nome Brett nunca se lembrava, se infiltrava 
pelos alto-falantes do sistema de som do iPod.
- Oi. - Kara sorriu ao ver Brett, erguendo devagar a cabea. Ela se sentou e puxou a camiseta cinza-carvo. A palavra BROOKLYN estava impressa em silk numa letra 
cursiva irregular e Brett se lembrou de que Kara prometera lev-la a Dumbo para visitar o loft da me, a promissora estilista de moda. Ela se perguntou brevemente 
como Kara a apresentaria se elas fossem. Oi, me, essa  minha namorada?
- Senti o cheiro de vela a um quilometro daqui... Voc sabe que Pardee adoraria te pegar por isso. - Brett gesticulou para a vela na mesa de cabeceira. As velas 
eram proibidas nos quartos do alojamento e Angelica Pardee, a supervisora que morava no alojamento Dumbarton, era famosa por aparecer inesperadamente nas portas 
das meninas para distribuir advertncias. Brett desconfiava de que Angelica Pardee tinha um armrio inteiro cheio de velas meio queimadas que ela alegremente acendia 
enquanto tomava banhos de espuma e bebia Merlot barato.
- A vela era mais forte do que anunciaram - explicou Kara, atirando as pernas para fora da cama e inclinando-se sobre a mesa da cabeceira. Ela colocou a mo em conchas 
atrs da chama e a apagou, a minscula fumaa subindo ao teto. - Devia ser "levemente aromatizada".
- Tem cheiro de Pop-Tarts - intrometeu-se Chloe, pisando no tapete bege no meio do quarto.
Kara apoiou-se nos cotovelos e abriu o meio-sorriso que Brett adorava. Fazia com que ela parecesse que sabia de algo que voc no fazia idia. Ela enfiou as mos 
nos bolsos do jeans Diesel preto desbotado.
- E quem  essa?
- Essa  a Chloe, uma das candidatas a aluna.
-  um prazer, Chloe. - Kara dobrou as pernas por baixo do corpo e gesticulou para cama. Chloe no precisava ser convidada duas vezes e de imediato se sentou no 
colcho, os ps pendurados na beira. Brett se jogou no pufe do canto.
- E o que est achando da Waverly? - Kara pegou a fivela vermelha de plstico na gaveta da mesa de cabeceira e prendeu uma mecha do cabelo castanho-claro, tirando-o 
do rosto. Brett sempre achou impressionante as meninas que podiam arrumar o cabelo sem olhar no espelho.
-  muito legal. - Chloe pegou o gibi dos X-men e o folheou. Ontem Kara insistira que Magneto era mais bonito que Wolverine. Brett sorriu, lembrando-se de como Kara 
foi inflexvel. - Todo mundo aqui parece muito... legal.
- Ento voc certamente no conheceu todo mundo - respondeu Kara obliquamente, e Brett riu.
- Mas parece que conheci - disse Chloe, meio triste. Ela baixou o gibi e empurrou os culos aro triangular no nariz.
- Como assim? - perguntou Brett. Ela olhava a foto em preto e branco num porta-retratos de um Bob Dylan novo e cabeludo segurando uma placa que dizia LOOK OUT.
- Quer dizer, eu andei pelo campus, sendo passada de uma pessoa para outra... - Chloe cruzou os braos. - Ningum me quer por perto.
- Deve ser difcil - disse Kara, pulando uma msica do Iron & Wine no iPod que fazia Brett pensar em Jeremiah e na noite em que eles quase dormiram juntos. Agora 
toda sua vida seria assim, evitando algumas msicas que a lembravam de seus erros? Billie Holiday a fazia pensar em Eric Dalton; Iron & Wine em Jeremiah; e se as 
coisas no dessem certo com Kara, ela nunca mais poderia ouvir Bob Dylan. Quando chegasse aos 20 anos, seria uma massa imensa e pesada de bagagem musical.
- Acho que perdi a tima festa na noite de sexta, hein? - soltou Chloe.
- Onde vocs estavam quando o celeiro pegou fogo?
-Estvamos todos l. Kara pegou o gibi e folheou as pginas com indiferena, como se incndios acontecessem na Waverly o tempo todo.
- Vocs estavam l dentro? Tiveram que correr para se salvar? - Os olhos de Chloe se arregalaram de empolgao e ela quicou um pouco na cama.
Brett riu e se recostou no pufe. Ela se sentia mais relaxada a cada minuto. Tinha exagerado no sbado e estava feliz por no ter verbalizado suas preocupaes a 
Kara. Com todo mundo obcecado com o incndio, quem ia ligar para uma coisinha como duas meninas se beijando?
- Se estivssemos l dentro, estaramos mortas.
- Soube que algumas pessoas estavam l - disse Chloe categoricamente, encostando-se na parede atrs da cama de Kara.
- Tipo quem? - Brett se remexeu de novo no pufe. Ela nunca percebeu como ele era desconfortvel. Era como se sentar num saco de ervilhas congeladas.
A candidata abriu um sorriso de Mona Lisa.
- Sabe quem. Um monte de gente: Easy, Callie, Jenny e aquele Heath, e tambm um cara chamado Julie ou coisa assim.
Kara riu e atirou a cabea no travesseiro.
- Que foi? - Chloe pareceu magoada.
- Julian - Kara a corigiu. - O nome dele  Julian.
A cara de Chloe ficou vermelha.
- Bom, foi isso que eu ouvi. Acho que no ouvi direito. - Duvido que toda essa gente tivesse dentro do celeiro - observou Brett despreocupadamente. Jenny? Ela nem 
vira Jenny neste fim de semana, embora Brett tenha ficado sozinha. Ou melhor, ficou sozinha com Kara. - Fizemos uma exibio de filme no gramado em volta do celeiro. 
O incndio foi s um acidente.
- Encontraram um isqueiro que pertence a um dos alunos. - Chloe sacudiu a cabea vigorosamente, o cabelo louro e cheio flutuando nos ombros. - Incndio criminoso 
- acrescentou ela num cochicho.
Brett olhou para Kara, que murmurou a palavra uau. Evidentemente, Chloe tinha conhecido quase todo mundo no campus e ouvira muita coisa.
- Podia ter algumas pessoas no celeiro - disse Kara, batendo as unhas na guarda de madeira da cama. - Provavelmente havia gente dentro e fora de l a noite toda. 
Sabe como , namorando e essas coisas. - Ela ergueu as sobrancelhas sugestivamente para Brett, que corou.
Por sorte, Chloe no pareceu perceber. Ela se colocou de p num salto e comeou a olhar a estante branca Ikea de Kara. Todos os quartos de alojamento tinham a moblia 
padro: uma cama, uma cmoda, uma mesa, uma estante e uma cadeira de madeira com o braso da Waverly - mas Kara d algum modo parecia ter a prpria moblia.
- Voc tem um monte de livros. - Chloe passou a mo pela longa fila de ttulos em ordem alfabtica. - Esse aqui  sobre o qu? - perguntou ela,puxando um exemplar 
de Mrs. Dalloway de Virginia Woolf.
Kara abriu um sorriso torto e olhou para Brett.
- Bom,  sobre duas mulheres que se amam, mas no podem ficar juntas por causa da sociedade em que vivem. - Kara pegou o ChapStick que sempre guardava na primeira 
gaveta da mesa de cabeceira e passou um pouco nos lbios rosados. Eles ficaram totalmente beijveis. - Elas so foradas a um casamento sem amor. - Elas so foradas 
a um casamento sem amor.
- Ah - disse Chloe, meio sobressaltada. Ela segurou o livro longe do corpo, como se a pudesse queimar.
- Pode pegar emprestado, se quiser - props Kara, um brilho nos olhos castanho-esverdeados. Brett teve de reprimir o riso. Chloe era um doce e tudo isso, mas Kara 
teve a idia certa. Se a deixassem bem pouco  vontade, talvez ela fosse embora e elas pudessem ficar sozinhas.
Chloe corou e devolveu o livro a estante.
- No precisa.
- Talvez esteja na hora de encontrar Alison - disse Brett incisivamente, olhando para Chloe.
- Para onde ela foi? - perguntou Kara. Brett murmurou o nome Alan. - Ah,sim. - Kara assentiu. - Ela foi estudar.
Chloe ficou meio desanimada.
- T,tudo bem - concordou ela, afastando-se da estante. Ela parecia um filhotinho de cachorro que foi enxotado para dentro enquanto os irmos brincavam no jardim.
Brett acompanhou Chloe at a porta, praticamente empurrando-a para fora.
- Pode achar o caminho para o quarto de Alison, n? - Ela no esperou pela resposta da menina e fechou a porta, virando-se para sorrir para Kara. Estava feliz por 
elas no viverem na poca de Virginia Woolf.



8


UMA WAVERLY OWL SABE QUE OS ALUNOS EM POTENCIAL 
TM SUAS UTILIDADES.


Brandon tirou a camisa de squash suada da Nike e a atirou no cesto Pottery Barn branco. A pilha de roupa suja aumentava a cada dia. Ele normalmente usava o servio 
Fluff'n da Waverly, mas com toda a loucura recente no conseguia largar uma pilha de roupa h um tempo. Pelo menos o quarto estava silencioso, agora que Heath levava 
Sam por todo o campus, fazendo-o  sua imagem. Como se j no bastasse um Heath Ferro. Logo seriam dois. Brandon visualizou como seria aliment-los depois da meia-noite 
para ter mil Ferros desprezveis se espalhando pela Scola feito Gremlins.
Ele pegou o desodorante Acqua di Gio e passou um poo em cada axila. No conseguia parar de ficar obcecado com Elizabeth desde o dia anterior- ele comeava a duvidar 
de que tomara a deciso certa ao dar o fora nela - e tinha ido s quadras de squash esta tarde para tentar queimar parte de sua energia nervosa. Sabia que assim 
que conhecesse algum novo, Elizabeth seria uma coisa do passado. Mas dada a seca de meninas decentes da Waverly, ele podia estar sujeito a um destino de pensar 
demais e jogar squash furiosamente, pelo menos no futuro prximo.
Houve uma tmida batida na porta e Brandon foi at a cmoda de madeira. Esperava pegar uma camiseta limpa antes que Sam irrompesse pela porta e comeasse a implicar 
com ele, no estilo Ferro, por ele depilar o peito.
- Entre - disse ele e, antes que pudesse escolher uma camisa, a porta se abriu.
- Voc  colega de quarto de Alan?- uma loura baixinha de olhos azuis grandes estava parada na porta de Brandon, olhando em volta. Quando os olhos dele se detiveram 
no peito nu e suado de Brandon, se arregalaram um pouco.
Brandon automaticamente segurou a camiseta na frente do corpo. No era exatamente recatado- tinha comeado a levantar peso regularmente, numa tentativa de ter mais 
msculos do que Julian McCafferty, o mais novo membro do time de squash e a primeira ameaa ao reinado de Brandon em trs anos. Ultimamente ele andava muito musculoso, 
modstia  parte, e at Elizabeth percebeu. Mas essa menina no podia ter mais de 13 anos e parecia meio errado ficar seminu na frente dela.
- Quer dizer Alan St.Girard? Ele mora com Easy Walsh, no final do corredor. Por que voc... - Mas antes que Brandon pudesse terminar a frase, um uivo alto veio de 
trs da menina.
- Brandon, meu chapa, vai pegar carne fresca! - Heath irrompeu quarto adentro com Sam nos calcanhares e colocou a mo no ar para Brandon bater. Brandon manteve as 
mos na camiseta e Heath ento cumprimentou Sam.
- Ela est procurando pelo Alan - grunhiu Brandon. - Meu Deus, ela nem deve ter 13 anos ainda- acrescentou ele em voz baixa. - Por que est procurando o Alan, afinal? 
- Ele se virou para a menina, que remexia na bainha do suter verde de gola rul e parecia ter os olhos fixos em Sam. No que Sam percebesse. O candidato tinha se 
jogado na cama bagunada de Heath e j estava ligado no PSP.
- Eu estou com Alison Quentin, mas fui at o quarto dela e ela no estava l, e a colega dele me disse para tentar o alojamento dos meninos. Ela est estudando com 
Alan.
- Estudando, hein?- Heath riu, subindo a gola da camisa Polo, divertindo-se. Sam usava uma idntica, embora parecessem trs tamanhos a mais. - J estudei muito nos 
meus tempos. - Ele estendeu a mo para cumprimentar Sam outra vez, mas o menino estava envolvido demais no jogo para perceber.
- Meu nome  Chloe, alis... - piou a menina, entrando um passo no quarto. Ela lanou um olhar para Sam de novo, mas ele ainda no parecia ter notado a presena 
dela. Provavelmente por causa das recomendaes de Heath, pensou Brandon, ele disse ao menino para no perder tempo com calouras e sem dvida ele classificava os 
alunos em potencial unilateralmente.
- Escute, Chloe. - Brandon se sentia meio mal pela menina. Ela devia estar totalmente perdida no campus e no precisava que Ferro a sacaneasse. Ele ficaria admirado 
se qualquer das candidatas a aluna decidisse vir para a Waverly depois de conhecer seu colega de quarto custico. - Talvez seja melhor se voc...
- Tirasse a blusa? - gritou Heath. - Brandon lhe falou da regra de nudez? Ou ele s est tentando lhe ensinar pelo exemplo? - Heath tirou rapidamente a camisa Polo 
pela cabea, expondo o peito musculoso.
Brandon tinha certeza de que Chloe ia ofegar e do o fora dali, mas ela ficou plantada na soleira da porta, sem se deixar perturbar pela repentina seminudez de Heath.
- Est vendo, minha cara - continuou Heath, pegando a camisa de Sam e tentando tir-la - temos uma poltica que no permite camisas neste quarto e, se no obedecer, 
vamos diabolicamente tir-la - ele continuava a puxar a camisa de Sam enquanto Sam murmurava "Para com isso" sem desviar e olhar o jogo. 
Chloe estreitou os olhos para Heath.
- Acho que isso no est no manual da Waverly - disse ela num tom de desafio. Ela ps as mos nos quadris, e Brandon se lembrou de Callie por um momento, quando 
ela ficava irritada e no queria aceitar explicao alguma. Quem teria imaginado que essa menina tinha a mesma ousadia?
- No est. - Heath deu de ombros de um jeito no-se-pode-lutar-contra-o-poder. - Mas o Brandon aqui  muito sensvel com isso. No ,Brandon? - Com uma inspirao 
sbita, Heath enfiou a cabea pela janela aberta e gritou a plenos pulmes, - Festinha em roupa no quarto de Heath e Brandon!
Chloe sacudiu a cabea.
- Vocs so to imaturos. Nem acredito que aquelas meninas to bonitas ficam a fim de vocs.
Heath se virou, interessando-se subitamente por Chloe.
- Que meninas? Que meninas, que meninas, que meninas? - Ele saltou pelo quarto e se prostou aos ps de Chloe, puxando a bainha do suter. - Tem que me contar!
A candidata revirou os olhos e afugentou as mos de Heath.
- Bom, eu meio que ouvi Sage Francis dizendo que achava o Brandon uma gracinha. - Mas meu Deus, vou ter que dizer a ela para no de dar ao trabalho! - E com essa, 
deu meia-volta e partiu. Enquanto Chloe pisava duro pelo corredor, Brandon pensou t-la ouvido murmurar, "E eu que pensava que os meninos do oitavo ano eram ruins!" 
Coitada. Ela ainda no sabia em que quarto Alan morava, e quem sabia o que esperava por ela atrs de qualquer uma das portas em um alojamento cheio de adolescentes?
Brandon vestiu a camiseta limpa. Sage Francis? Ela era uma gata, embora ele nunca tenha pensado nela dessa maneira.
Heath rolava no cho feito um cachorro, rindo, e Sam, agora sem camisa, ainda estava envolvido em seu jogo do Spider Man. Talvez ele devesse tentar conversar com 
Sage, pensou Brandon. Tinha de ser melhor do que ficar por ali.


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De: ReitorMarymount@waverly.edu

Para: BrandonBuchanan@waverly.edu
TinsleyCarmichael@waverly.edu
BennyCunningham@waverly.edu
SageFrancis@waverly.edu
JennyHumphrey@waverly.edu
JulianMcCafferty@waverly.edu
BrettMesserschmidt@waverly.edu
AlisonQuentin@waverly.edu
CallieVernon@waverly.edu
EasyWalsh@waverly.edu
KaraWhalen@wavely.edu

Data: Segunda-feira, 14 de outubro, 8:46 

Assunto: Reunio disciplinar

Caros alunos, 

Se esto recebendo este e-mail, significa que foram colocados numa curta lista de suspeitos responsveis pelo negligente e perigoso incndio no celeiro sexta-feira 
 noite. Seu comparecimento  obrigatrio  reunio em minha sala no Stansfield Hall, quarta-feira s 8 horas da manh.

Sem excees.

Reitor Marymount
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SageFrancis: A merda bateu no ventilador!
BennyCunningham: Desde quando somos suspeitas como Easy e Callie? Ou Tinsley? E Julian? Acooooooordaaa, isqueiro?
SageFrancis: Tanto faz. Mal posso esperar para ficar presa no Comit Disciplinar com Brandon...
BennyCunningham: Ah,. E mais 11 suspeitos. Trs romantic.
SageFrancis: Se formos para a priso, podemos ter visitas conjugais!
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KaraWhalen: Aimeudeus, como fomos parar nessa Lista?
BrettMessesrchimidt: Sei l. Culpadas por associao?
KaraWhalen: Desde quando a Waverly virou um regime totalitrio? E nossa representante jnior pode ser suspeita?
BrettMesserschimidt: Sei l, mas vou descobrir.
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9


UMA WAVERLY OWL MOSTRA ELEGANCIA 
QUANDO SOB ATAQUE


Jenny andava pela cafeteria no interior do Maxwell Hall na manh de segunda-feira, concentrada no mocha capuccino que quase derramava nas mos. Ela se afastou do 
balco e passos os olhos pela rea apinhada em busca de uma mesa vazia. A entrada principal do Maxwell parecia a de um castelo, com arcos romanescos entalhados em 
suas altas paredes de pedra. Jenny adorava se sentar nos nichos escuros no mezanino, onde se podia ler em silncio um livro ou ver todo mundo que entrava e saia 
da cafeteria. Mas enquanto procurava um lugar, ela teve a distinta impresso de que todo mundo a encarava. Ela piscou com fora, perguntando-se se estava ficando 
paranica. A meia-cala de tric J.Crew cinza e grossa e saia marrom de veludo eram totalmente adequadas para a segunda de manh. E ela acabara de acordar, ento 
no havia nada em seus dentes. Ela suspirou. Em um ms que estava na Waverly, as pessoas descobriram alguma nova razo para encar-la quase todo dia. Por ser nova 
e sem noo, por ter peitos grandes, por estupidamente ficar com Heath Ferro, por ser flagrada com Easy na cama (inocentemente), por ser largada por Easy (totalmente 
inocentemente) e agora... Pelo qu?
Ela viu Sage e Benny em uma mesa redonda encostada na parede, perto de uma das grandes lareiras. Jenny andou para l, mas elas estavam to envolvidas na conversa 
que no pareceram dar por sua presena.
- Para o que der e vier? - perguntou Sage, a mo agarrando a manga do casaco de capuz Le Tigre listrado de azul-marinho de Benny.
- Para o que der e vier. - Benny sacudiu o pulso de Sage. - No fique me agarrando.
- Para o que der e vier o qu? - perguntou Jenny enquanto puxava uma poltrona acolchoada para a mesa, com o cuidado de no derramar o caf.
Sabe e Benny ficaram paralisadas.
- O que t acontecendo? - Jenny baixou a caneca gigante na mesa, que estava tomada de guardanapos e um campo de pacotes azuis-claros de adoante.
- O e-mail - cochichou Sage dramaticamente. Com um vestido trespassado Ella Moss e culos de sol gigantescos Bottega Veneta empoleirados na cabea, ela parecia uma 
estrela teen escondendo-se dos paparazzi. Ela olhou por sobre o ombro em uma tentativa de parecer desinteressada, mas a vida parecia se desenrolar na cafeteria como 
sempre.
- Que e-mail? - Jenny tomou um gole do mocha, confusa.ser que perdeu outro e-mail um tanto pornogrfico de Heath? Seu corao afundou um pouco. No que ela quisesse 
algum e-mail pornogrfico de Heath, mas no queria ser a nica a no ser includa.
- Seu nome estava nele. - Os olhos com delineador berinjela de Benny se estreitaram para Jenny, como se ela tentasse peg-la numa mentira.
- No vi meus e-mails esta manh. - Jenny deu de ombros, olhando o relgio de pulso de plstico vermelho que comprou em Chinatown. Os nmeros eram em chins. Qual 
era o problema de todo mundo esta manh? - O que foi, alguma piada?
- No era piada - respondeu Sage, colocando uma mecha do cabelo louro-claro na boca e parecendo querer mastig-lo. - Algum ser expulso. Pode ser qualquer uma de 
ns.
- Pera -- Jenny se concentrou no que Sage e Benny tentavam dizer a ela. - Comece pelo inicio. - Benny falou do contedo do e-mail de Matymount, parecendo conhec-lo 
de cor, enquanto Sage conferia a lista de suspeitos. Jenny ps a mo na barriga quando Sage apontou para ela e disse, "E voc tambm".
- Provavelmente porque eles encontraram o isqueiro de Julian - observou Benny, enfiando o caderno moleskine com capa vinho na bolsa Fendi. - E todo mundo sabe sobre 
voc e Julian.
Jenny baixou a caneca na mesa. Eles sabiam? Isso era novidade para Jenny,embora ela no soubesse por que devia se surpreender, mesmo que mal houvesse alguma coisa 
para se saber. Por enquanto.
Benny continuou, batendo as unhas rodas no tampo de carvalho.
- O que significa que Marymount provavelmente tambm sabe. Ento deve ser por isso que voc est na lista.
Jenny assentiu, encarando a copa das rvores coloridas pelas enormes vidraas, perguntando-se se todos os outros internatos tinham tanto drama, ou se era simplesmente 
sua sorte. Ou melhor, falta de sorte.
- Marymount nos pegou por causa das velas - explicou Sage, espanando pontos invisveis de adoante da manga bufante da roupa.
Benny assentiu.
- Temos uma pilha de violaes. E da? Eu senti o cheiro de algum acendendo uma vela de morango ontem. Fedeu o alojamento todo. Ultimamente, todo mundo tem velas, 
menos a gente. - Ela recostou na poltrona imensa e sacudiu a cabea para a injustia.
Jenny bebeu seu mochaccino, na esperana de que a atitude blas de Sage e Benny a contagiasse. Ela no tinha certeza de que isto tivesse alguma coisa a ver com Julian. 
Na sexta  noite, quando confrontou Callie sobre ela ficar escondida com Easy, Callie rebateu que Jenny devia ter comeado o incndio. Afinal, Jenny tinha mais motivos 
do que qualquer um, pelo menos segundo a lgica distorcida de Callie. Mas, mesmo que Callie chegasse ao ponto de procurar o reitor com essa teoria, ele jamais acreditaria 
nela. N?
Ela de repente se lembrou de como a Srta. Rosovsky, sua professora de histria americana na Constance Billard, mostrou-lhes as imprecises histricas no filme JFK, 
mas observou que mesmo assim a maioria das pessoas prefere acreditar em teorias da conspirao. As pessoas preferiam explicaes intrincadas e picantes  lgica 
mais simples. Jenny tinha a sensao de que o reitor Marymount era uma dessas pessoas que acreditam em conspiraes. Ele no queria a verdade- que o incndio provavelmente 
foi um acidente. Ele queria algum com um motivo. Ele preferia acreditar que a inocente Jenny Humphrey, que adorava o colgio interno, tinha ateado fogo no celeiro 
porque era uma garota desprezada.
- Aonde voc vai? - chamou Benny, mas Jenny j estava saindo pela porta da cafeteria, os tnis tamanho infantil Van vermelhos e destrudos pisavam firmes no piso 
de mrmore Maxwell Hall.


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JennyHumphrey: Ei...Recibi o e-mail do reitor M. No  uma loucura?
JulianMcCafferty: Total. Voc  bonita demais para ser suspeita.
JennyHumphrey: Estou vermelha. Pelo menos estamos nisso juntos.
JulianMcCafferty: O esprito  esse.
JennyHumphrey: E ai,o que t rolando?
JulianMcCafferty: Na verdade, eu estava pensando em vc...
JennyHumphrey: Coisas boas, espero.
JulianMcCafferty: Nada disso. Ruins... Coisas muito ruins.
JennyHumphrey: No   toa que a gente est encrencado. =)
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De: HeathFerro@waverly.edu

Para: Lista de descolados de Heath

Data: Segunda-feira, 14 de outubro, 14:32

Assunto: ltima chance para SS

Adeus Brandon, Tinsley, Benny, Sage, Jenny, Julian, Brett, Alison, Callie, Easy, Kara- vamos sentir falta de vocs! ( Bom, vamos sentir falta de mim tambm.)

S para o caso de um de ns/alguns de ns/todos ns SS (isto , os Suspeitos de Sempre) ganharem uma passagem s de ida da Waverly; na quarta-feira de manh, pensei 
que devamos fazer uma festa de despedida adequada na tera  noite na Cratera. Quem sabe, pode ser a nossa ltima chance de um mau comportamento aqui na velha Waverly!

Os que esto na lista de favoritos do reitor M - tratem de pegar as camisetas fresquinhas dos SS na entrada da festa.

Alis, plebe - vocs so, como sempre, bem-vindos  festa, para ajudar a dar uma despedida afetuosa aos SS, mas se toparem com um dos SS, tm que fazer exatamente 
o que a pessoa disser, j que esta pode ser sua ltima noite de liberdade.

No mexam com os SS!

Paz

Heath
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HeathFerro: Vai a festa dos SS?
TinsleyCarmichael: J estou l. Mas prometo que no vou embora no dia seguinte.
HeathFerro: Mas isso  que  esprito de luta.
TinsleyCarmichael: Humm, est me escrevendo...para que mesmo?
HeathFerro: Sei que voc gosta dos seus garotinhos mais novos... at que ponto?
TinsleyCarmichael: Olha aqui, Heath. Sabe essas mensagens irritantes? Estou comeando a torcer para que VOC no volte.
HeathFerro: Ai!
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10


UMA WAVERLY OWL NO CONSPIRA 
CONTRA AS COMPANHEIRAS


Callie estava recurvada sobre a caneca lascada e amarela de cappucino, os cotovelos se projetando para a mesa da cabine do canto da Waverly Inn no centro de Rhinecliff. 
Parecia fazer um milho de anos desde que ela, Tinsley e Brett se reuniram nesta mesa para tomar amaretto e champanhe, numa tentativa de ajud-la a afogar qualquer 
lembrana de Easy. O Waverly Inn parecia o local perfeito para um filme, com o balco de madeira escura do bar, barman irritadio e o estilo antigo e absurdamente 
correto da Nova Inglaterra. Hoje, na luz do final de manh, o bar do hotel mais parecia uma lanchonete numa velha cidade natal. Os nicos clientes eram idosos e 
todos pareciam ter visto dias melhores. A mesa estava pegajosa e precisava de uma boa esfregada e as lascas nas canecas de caf eram visveis  luz do dia.
Ir  aula esta manh estava fora de cogitao. Na sexta-feira, o Sr. Gaston prometera a eles uma "surpresa" para segunda, que Callie tinha certeza de que significa 
um teste e no um vale-presente de 500 dlares da Barneys. De jeito nenhum ela poderia identificar vocabulrio de latim depois do e-mail do reitor Marymount. Quando 
viu a mensagem em sua caixa de entrada, to em seguida da ltima que ele tinha mandado, ela teve esperanas de que o reitor tivesse descoberto a culpada - isto , 
Jenny Humphrey -, expulsado a garota e encerrado o caso. Ela j planejava mentalmente ocupar o lado de Jenny do quarto. Mas quando descobriu que ela era uma suspeita 
do incndio, suas fantasias de transferir todos os seus sapatos para o armrio de Jenny foram substitudas por pesadelos de morar em casa e ser obrigada a ir  escola 
publica em Atlanta com um bando de caipiras bobalhes.
- Obrigada por vir me encontrar. Voc sabe que a Coffe Roasters e o Maxwell so pblicos demais. - Tinsley tomou um gole de cappucino. O cabelo preto e espesso estava 
num coque frouxo, preso por um par de varetas laqueadas turquesa, e ela vestia uma minissaia de marinheiro Wayne azul-marinho que a envolvia em todos os lugares 
certos. Em qualquer outra, a roupa teria parecido uma fantasia de Halloween meio piranhuda, mas Tinsley ficou linda, como sempre.
O incrvel era como ultimamente Callie se sentia pouco ameaada por sua melhor amiga de aparncia perfeita. Apesar da espinha que ameaava aparecer acima do olho 
esquerdo e aquilo que ela certamente ganhara no fim de semana, bebendo cerveja e comendo tudo que Easy lhe oferecia, ela se sentia mais segura e confiante do que 
nunca. Ela e Easy estavam apaixonados de novo, ainda mais do que antes, e eles realmente transaram. Era inacreditvel. Ela se sentia to... adulta. Engula essa, 
Carmichael.
- Talvez eu deva usar meu vestido trespassado Ella Moss... Sabe aquele que sempre parece que vai abrir? Deu certo com Dalton. - Tinsley se recostou na cabine e sorriu 
ternamente para o antigo teto de estanho. - Na verdade, funciona com todo mundo. Ainda nem acredito que Marymount no acreditou em mim.
Callie bebeu o cappucino lentamente.
- Mas ento. - Tinsley se inclinou. - No estou preocupada demais com isso. - Ela agitou a mo como se enxotasse uma mosca irritante. O anel Anaconda de prata cintilou 
na luz da manh. - No seremos ns que vamos para casa, isso eu posso lhe garantir.
A ideia de voltar a morar em seu quarto em casa, em Atlanta, na enorme manso de pedra da governadora na Paces Ferry Road, com seu tapete rosa-claro e cama de dossel 
sinistra, deu arrepios em Callie. Tambm lhe deu arrepios pensar em tomar o caf toda manh com a me e seus penteados exagerados.
- Como pode ter certeza? - perguntou Callie com preocupao. Ela colocou as palmas das mos nas laterais da caneca, desfrutando do calor que passava para sua pele. 
- Marymount deve ter alguma coisa sobre todos ns, se est nos chamando de suspeitos.
- Pode ser um blefe - sugeriu Tinsley com confiana, ajeitando uma mecha de cabelo atrs da orelha esquerda. - J vi isso umas mil vezes.
Callie tentou no revirar os olhos castanhos. S porque o passaporte de Tinsley tinha carimbo de cada pas do mundo, ela agia como se fosse muito mais experiente 
e sbia do que qualquer pessoa. Ela tinha a sensao de que era por isso que Tinsley no a pressionava para ter detalhes do que estava acontecendo com Easy - ela 
na verdade no queria saber. Recentemente, em um jogo de Eu Nunca, veio  tona que Tinsley era virgem e Callie tinha certeza que ela no suportava a ideia de que 
Callie fizera uma coisa que ela no fez.
- Ah ? Tipo onde?
Tinsley semicerrou os olhos violeta para a amiga, os lbios se retorcendo para o desafio de Callie.
- Nos filmes.
Callie riu, lambeu o indicador e o enfiou nos grnulos de acar que ela derramara nos pires.
Tinsley a olhava.
- Isso  nojento. - Ela retirou as varetas do cabelo escuro e o sacudiu para que ele casse em ondas sobre os ombros. Levantou a sobrancelha esquerda perfeitamente 
modelada, esperando que Callie parasse.
- Mas isso no  um filme. - Callie sentiu um gemido comeando a se esgueiras para sua voz. Se Tinsley fosse expulsa da escola, o que ia acontecer? Nada. Ela ia 
para a porra da frica do Sul com o pai e faria um documentrio premiado e conheceria Georgey Clooney e Brad Pitt e todos os outros VIPs de Cannes e Sundace. Ah, 
espera um minutinho. Ela j tinha feito isso. S a Tinsley conseguia ser expulsa da Waverly por tomar ecstasy e voltar como se nada tivesse acontecido. - Voc sabe 
que a minha me vai me sentenciar  morte se eu for expulsa, n? - Ela nem tinha certeza se o estado da Georgia tinha pena de morte, mas mesmo que no tivesse, a 
me sancionaria essa lei.
Tinsley olhou a foto do centro de Rhinecliff na dcada de 1920 por sobre o ombro de Callie- parecia to excitante como  hoje.
- Se fosse um filme, quem faria seu papel?
- Grace Kelly - respondeu Callie de imediato, erguendo a cabea no que ela provavelmente pensava em ser uma pose de princesa de Mnaco. Ela endireitou a gola de 
sua blusa de seda Jolie e olhou pela janela, apreciando o cu azul-claro. Seu olhar parecia distante. - O caso  que a lista parece muito aleatria. Por que algum 
como Brandon Buchanan est nela e no um maconheiro como o Alan St.Girard?
Tinsley engoliu o cappucino que esfriava. Ela sabia por que Callie estava na lista, e Easy - porque ela mesma disse ao reitor, sem querer, que eles estavam no celeiro. 
Mas ela no ia contar isso para Callie. Ela tambm sabia por que Jenny e Julian estavam na lista. E  claro que sabia por que ela estava na lista. Ainda estava puta 
consigo mesma por avacalhar sua reunio com o reitor.
- Eu queria ter ido com voc  sala do reitor Marymount - Callie suspirou, como se lesse a mente de Tinsley. Ela torceu nervosamente uma das mechas louro-avermelhadas 
com o mesmo dedo que enfiou no acar. Provavelmente estava grudando gros de acar no cabelo. Talvez Easy gostasse disso.
- Eu tambm queria que voc tivesse ido. - Tinsley semicerrou os olhos. Esperava ter atingido o grau certo de punio no tom de voz. Bem feito para Callie, por ter 
dado bolo. A cena desastrosa na sala do reitor passou por sua mente. Talvez, se ela no tivesse to centrada na sobrancelha grossa de Marymount, ou na imagem bizarra 
que tinha dele como um falco devorando os alunos, ou em sua triste foto de famlia...
- Ai, meu Deus. - Ela se sentou reta na banqueta. Callie olhou para ela confusa e Tinsley sorriu, sentindo-se positivamente animada. -J sei!
-- E ai, Chloe. -- Tinsley mexeu o Milk-shake de chocolate com um canudo. - Est curtindo a Waverly?
Uma bandeja de copos se espatifou no cho e todo mundo na Nocture, o restaurante 24 horas recm-inaugurado na ponta da rua principal de Rhinecliff, virou-se para 
olhar. Todos menos Tinsley, cujos olhos estavam fixos na jovem candidata a aluna como se a menina tivesse a chave de sua salvao. Tinsley escolheu um bom lugar 
para uma ao secreta, pensou Callie. O Nocturne era to novo qe ainda no estava na mira dos funcionrios da Waverly, e Callie tinha certeza de que o restaurante 
retro anos 1950 ficaria cheio esta noite, com as Waverly Owls comendo queijo grelhado e fritas depois do toque de recolher. Callie ficou olhando a garonete de cara 
vermelha varrer os cacos de vidro que brilhavam como diamantes no piso preto e branco quadriculado do restaurante. 
- Estou... - respondeu Chloe, insegura. Ela provavelmente ainda estava meio chocada que Tinsley Carmichael a tivesse convidado para almoar fora do campus. Tinsley 
a seduzira para c com a desculpa de "conhec-la melhor", mas como sempre acontece com Tinsley, havia um motivo oculto. Ela deduzira de onde reconhecera Chloe: da 
foto de famlia do reitor Marymount. A enjoadinha era sobrinha dele e, como a mente cheia de armaes de Tinsley entendeu rapidamente, ela fornecia informaes a 
ele. Mas provavelmente, a lista do reitor de "suspeitos" no passava de todas as pessoas que foram grosseiras com Chloe no fim de semana. No que elas fossem as 
pessoas mais inocentes do mundo nem nada disso, mas ainda assim... Isso no quer dizer que fossem incendirias.
- O que precisa ter em mente  que voc est conhecendo o colgio em uma poca singular - observou Tinsley enquanto metia o garfo numa folha de sua salada ceasar. 
- Todos estamos muito estressados por causa do incndio. - Tinsley baixou o garfo, como se o estresse tivesse estragado seu apetite, e recostou-se nas almofadas 
de vinil vermelho da cabine. Sua sobrancelha impecvel estava vincada de preocupao.
Callie deu uma grande dentada no hambrguer, sem ter certeza se devia continuar seria enquanto via o teatro de Tinsley. Desde que ela e Easy voltaram, ela andava 
faminta- talvez fosse por causa de todas as calorias que eles estavam queimando.
Chloe pegou seu sanduche de atum e Tater Tots.
-  totalmente insano - concordou ela. -Mas vai acabar logo, n? - Ela olhou com um ar inquisitivo para as duas meninas mais velhas. Callie semicerrou os olhos para 
a candidata, perguntando-se o quanto de sua aparncia inocente era atuao. Com o cabelo louro-claro na altura do ombro e a pele branca, e usando um suter de tric 
amarelo-claro, ela parece uma batata frita gigante e meio crua.
- Espero que sim - piou Callie, baixando o sanduche. Pegou um guardanapo no suporte cromado e limpou a boca. Reprimiu o impulso de pedir um babador a garonete 
- a ltima coisa que queria fazer era sujar sua camisa Jolie lavanda de gola alta. - Se pegarem a pessoa certa. Mas, pelo que posso dizer, eles no vo pegar.
-  mesmo? - perguntou Chloe, olhando para Callie. Ela enrolou as mangas do suter. - Por que diz isso?
Tinsley tirou a colher prateada e comprida do copo alto de misk-shake espumso, lambeu e apontou-a entre os olhos de Chloe.
- Porque a verdadeira culpada tem cara de inocente, como voc - respondeu ela simplesmente. Tinsley baixou a colher na mesa revestida de frmica. - Na verdade, pode 
ser que a tenha conhecido. O nome dela  Jenny Humphrey.
Callie passou os olhos pelo restaurante, na esperana de que ningum da Waverly tivesse ouvido. Ou ningum queria se arriscar a almoar fora do campus, ou o Nocturne 
era mais novo do que ela percebera, porque ela no reconheceu rosto algum. Alm disso, a jukbox tocava sem parar uma seleo de msicas melosas dos anos 1950 - "My 
Boyfriend's Back" berrava agora pelos alto-falantes -; ento ela duvidada de que algum na cabine ao lado pudesse ouvi-las.
Os olhos azul-beb de Chloe se arregalaram.
- Jenny? Eu a conheci. Ela est com o Julian, n? Ele  to fofo.
Tinsley se encolheu. J era ruim o suficiente Heath saber sobre ela e Julian e ficar mandando mensagens para ela. Agora teria de ouvir essa pirralha falar do calouro 
gato e sua namorada peituda. Se ela ouvisse os nomes Jenny e Julian em uma mesma frase de novo, ia atirar milk-shake pelo salo. E se ela os visse juntos de novo, 
podia colocar fogo em outra coisa - desta vez intencionalmente. A reunio de quarta-feira, e a expulso de Jenny Humphrey da Waverly, estava demorando demais para 
chegar. 
- Ela realmente comeou o incndio? - continuou Chloe, a voz aguda parecendo quase um gemido.
- . - Callie assentiu com segurana, virando-se para a menina mais nova. - Eu a vi segurando um isqueiro perto do celeiro. Ma no pude contar isso  diretoria, 
porque eu vou parecer suspeita, j que estava l. D para imaginar como  terrvel saber a verdade e no poder contar? - Ela suspirou teatralmente e afundou no vinil 
vermelho do banco. 
Chloe dava a impresso de que um Tater Tot tinha se alojado em seu esfago.
- Mas - gaguejou ela- ela pode ser perigosa! - Por trs dos culos, seus olhos azuis pareciam verdadeiramente assustados.
- Voc tem toda a razo. - Tinsley inclinou-se para a frente como quem conspira, empurrando a salada de lado. Ento cravou os olhos violetas no de Chloe. - E  por 
isso que temos que ficar atentas, e vigi-la de verdade hoje e amanh. Com a lista de suspeitos solta, ela deve estar se sentindo acuada, e quem sabe o que pode 
fazer? - Tinsley se recostou na cabine de novo, ajeitou o rabo de cavalo preto e elegante e o vestido de marinheira. - Ento, talvez a gente deva fazer um pacto 
de ficarmos todas de olho na Jenny, n? E se virmos alguma coisa suspeita, vamos contar uma  outra.
Chloe baixou o sanduche de atum, toda animada.
- Querem a minha ajuda?
- Mas  claro. - Tinsley assentiu com nimo. Baixou a voz a um sussurro, como se estivesse confiando a Chloe um segredo da CIA. - Precisamos de sua ajuda.
Chloe limpou a mo num guardanapo. Tirou os culos e seus olhos, que pareciam ainda maiores sem eles, dispararam entra Callie e Tinsley.
- Tudo bem - disse ela devagar. - Mas se eu ajudar e, huumm, ficar de olho na Jenny, o que ganho com isso?
- Bom - disse Tinsley com doura, um brilho conhecido nos olhos -, digamos que quando voc comear na Waverly no outono que vem, ter duas das veteranas mais populares 
como melhores amigas. - A jokebox mudou para "Don't Be Cruel" de Elvis e Tinsley abriu seu sorriso Carmichael patenteado, aquele que parecia dizer, Tenho todas as 
cartas, mas ficarei honrada em deixar voc jogar.
Chloe endireitou o corpo na cabine, como se estivesse ciente da nova responsabilidade que recaia em seus ombros.
- Isso parece legal. - Ela assentiu, recolocando os culos e empurrando-os pela ponte do nariz. - Eu sempre quis ser popular.
Callie sacudiu a cabea e tomou um gole da Coca Diet.  claro que queria- quem no quer? Callie aprendera rapidamente na Waverly a jamais subestimar o poder das 
ambies de uma garota - de qualquer garota.


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BennyCinningham: E ai, vai  Cratera amanh?
LonBaruzza: Pra me despedir de voc? No perderia isso por nada.
BennyCunningham: Que bom. Aposto que vai ser divertido mandar em vc.
LonBaruzza: Ah, vamos ver.
BennyCunningham: Vc  bom de massagem?
LonBaruzza: Incomparvel.
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BrandonBuchanan: O que sabe sobre a Sage Francis?
RyanReynolds: Pq pergunta?
BrandonBuchanan: S responda.
RyanReynolds: Bom, ela est solteira... e  GOSTOSA.
BrandonBuchanan: Valeu, era o que eu precisava saber.
RyanReynolds: O problema  que ela  doidinha por meu corpo. Ento nem chegue perto.
BrandonBuchanan: Reynolds, ningum  doido por nada seu. Trate de se controlar. Pq ningum mais vai.
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HeathFerro: tem um vestidinho pequeno?
KaraWhalen: Como ?
HeathFerro: Ah, por favor. Ajude uma Mulher da Waverly necessitada. No estou pedindo as calcinhas emprestadas. Mas agora que pensei nisso...
KaraWhalen: Voc  louco. Pode vir.
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11


UMA WAVERLY OWL RESPONSVEL SABE MUITO BEM QUE NO DEVE IMPORTUNAR O SECRETRIO DO REITOR.


O queixo de Brett caiu quando viu o domo careca da cabea do Sr. Tomkins recurvado diante do monitor de tela plana, bloqueando seu caminho  sala de Marymount. Ela 
decidiu vir na hora do almoo, quando o Sr. Tomkins geralmente est no salo abastecendo-se de beterraba, aspargo e peito de frango no buf de saladas. Ela apostava 
que o xixi dele fedia a gato morto.
Brett viu que acontecia alguma coisa que o Sr. Tomkins desviou os olhos da mesa e a fitou, baixando o sanduche de atum no po de centeio. Ele endireitou a gravata 
preta com lanternas de Halloween. No era meio cedo para o Halloween? Ela estremeceu ao pensar nele com a mesma fantasia de Cavaleiro Sem Cabea do ano passado, 
um capuz de couro estranho que parecia ter vindo de um sex shop. Era verdadeiramente apavorante, em especial quando ela procurava no pensar no que ele fazia com 
a fantasia no resto do ano na privacidade do seu lar. A lenda do Cavaleiro Sem Cabea assumira todo um novo significado pornogrfico.
- Eles est? - perguntou Brett, tombando a cabea de lado para que o cabelo vermelho-bombeiro parecesse uma cortina no ombro. Com o macaco de l xadrez James Perse 
vermelho e preto por cima de uma blusa hippie branca que ela pegou emprestada com Kara na semana anterior, Brett esperava parecer adequadamente inocente.
O Sr. Tomkins assentiu devagar, limpando os lbios com um guardanapo amarrotado.
- Est. - Ele evidentemente desistira de fingir que tinha algum fio de cabelo e raspou o que restava. Brett se aproximou da porta de Marymount e o Sr. Tomkins se 
retraiu. Todo o corpo dele ficou tenso, como se ele tivesse prestes a disparar da cadeira e se atirar na frente da porta, se necessrio. - Mas no pode ser perturbado.
Perturbado? Desde quando uma visita da representante do primeiro ano era uma perturbao? E desde quando o Sr.Tomkins, que adorava Brett, ficava to cheio de segredos?
- E por que no? - perguntou ela, de imediato ciente do fato de que ela devia estar bajulando Tomkins em vez de contest-lo. Mas era uma emergncia e Brett tambm 
estava irritada e meio assustada por ser apontada como suspeito para perder tempo paquerando o Sr.Tomkins. Ela sempre desconfiou de que ele assumia ares de efeminado 
para que as meninas ficassem menos constrangidas em se curvar ou ajeitar os sutis na frente dele. Pervertido.
- Ele est ocupado preparando o discurso para o jantar de boas-vindas aos alunos em potencial desta noite - informou-lhe o Sr.Tomkins. Ela percebeu uma manchinha 
de mostarda em sua gravata e sabia que ele ficaria mortificado quando a encontrasse. - Ele deixou instrues estritas para no ser perturbado.
- Mas  uma emergncia. - Brett sentiu seu gemido de 10 anos de idade se esgueirar para a voz e engoliu em seco. No ia implorar ao Sr.Tomkins. J era humilhao 
suficiente ter seu nome associado com o incndio; por que diabos ela estava na lista, alis? - Eu sou a representante do primeiro ano- acrescentou Brett desesperada, 
sabendo que estava dando nos nervos do Sr.Tomkins. Ela se perguntou se devia elogi-lo por raspar a cabea e fica bem assim. - Estou aqui para tratar de assuntos 
da escola. 
O Sr.Tomkins a encarou, recostou-se na cadeira de carvalho antiga.
- Que assunto  esse? 
- Sabe como . - Brett sentiu que procurava pelas palavras. De nada valeram dois anos da turma de debates, preparando-se para confrontos. Ela colocou as palmas das 
mos na superfcie nua da mesa de carvalho polida do Sr.Tomkins e sorriu suplicante para ele. - Eu s preciso falar com ele por um minuto. No pode me deixar entrar 
s um minutinho? Pode cronometrar.
O Sr.Tomkins sorriu, divertindo-se, e sacudiu a cabea num no. Brett ouviu um farfalhar atrs da porta do reitor e esperou com expectativa que ela se abrisse, mas 
o farfalhar sumiu e a sala voltou a ficar em silncio.
- Ele simplesmente no pode ser perturbado - repetiu o Sr Tomkins, olhando de lado para a tela de computador, com uma das mos postada no mouse. Trabalhinho mole, 
pensou Brett com amargura. Comer sanduches de atum na sua mesa e navegar na Internet procurando pornografia de Cavaleiro Sem Cabea o dia todo, enxotando alunos 
aqui e ali. - Quisera eu poder ajud-la.
- Eu sou a representante... - Brett se preparou para uma segunda rodada dessa abordagem.
- Sim, estou ciente disso - interrompeu o Sr.Tomkins. Desta vez ele no desviou os olhos da tela e Brett teve a sensao de que ele estava completamente absorto 
num jogo de pacincia.
-  ... e tenho o direito de saber por que sou suspeita. - Brett corou, meio preocupada por estar afundando em seu prprio egosmo, em especial depois de ter fingido 
representar todo o corpo estudantil. Mas no havia mais ningum na sala e, se o reitor a ouvisse, bom, talvez ento a deixasse entrar.
- Eu lamento. - O Sr.Tomkins parecia no lamentar nada. - No posso divulgar essa informao. - Ele tinha um sorriso presunoso de sei-uma-coisa-que-voc-no-sabe 
e Brett no queria lhe dar a satisfao de implorar que "divulgasse" essa "informao". Ela estava prestes a se virar e ir embora quando o Sr.Tomkins a surpreendeu 
baixando a voz a um sussurro. - Mas imagino que alguns alunos esto na lista porque no foram l muito discretos ultimamente.
Por meio segundo, ela pensou que ele falava de Heath. Ou Tinsley. Ou at Jenny, que parecia ser assunto de mil conversas, junto com Easy e Callie.
Mas enquanto olhava para as sobrancelhas incisivamente erguidas do Sr.Tomkins, Brett percebeu que ele se referia a ela. Seu estmago afundou at o p com os Campers 
vermelhos de camura. "Deve estar brincando comigo" Brett queria gritar na cara de Tomkins, que fingia no perceber seu olhar de pavor. Estou na lista porque no 
me tranco no meu quarto e estudo o tempo todo? Estou na lista porque meus colegas andam fofocando sobre mim? Estou na lista porque beijei outra garota? Como isso 
era possvel? Horrorizada, com os joelhos tremendo, Bret saiu ao tropeos da sala, sem sequer se incomodar em se despedir.
No corredor, ela desabou no banco de madeira dura, onde incontveis delinqentes foram obrigados foram obrigados a esperar enquanto Marymount arbitrariamente decidia 
seu destino. Ela imaginou o reitor Marymount, o Sr.Tomkins e um bando de outros professores fofoqueiros, animados e reunidos em volta do anurio da Waverly, apontando 
e gritando quando encontravam algum que parecia culpado. Ela podia ver seus rostos quando eles chegaram  foto dela. O Sr.Tomkins estaria com sua gravata de lanterna 
Halloween.
"Humm,sim." O reitor Marymount ajeitaria o cabelo cor de areia. "Lsbica aprendiz de piromaniaca. Mesmo que seja representante do primeiro ano,  melhor coloc-la 
na lista." Depois ele assentiria sensatamente antes de escrever o nome dela, em tinta permanente, com a palavra culpada sublinhada ao lado.


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KaraWhalen: Quer ir ao jantar doa alunos em potencial mais tarde?
BrettMesserschmidt: Pensei em s pedir comida...
KaraWhalen: Como assim?
BrettMesserschmidt: , estou meio com vontade de ficar na minha.
KaraWhalen: Ei, no tem por que se preocupar. Estamos na lista do reitor, mas no fizemos nada de errado, n?
BrettMesserschmidt: Depende de quem ouvir essa pergunta.
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12


UMA WAVERLY OWL NUNCA PERDE 
UMA PARTIDA 


Tinsley andou pelo caminho de cascalho para o Dumbarton, o tnis branco de couro Prince amortecendo cada passo. O treino de hoje tinha sido mais divertido do que 
o costume. A Srta. Nemerov, a treinadora russa ultrassarada e um tanto masculinizada, deu descaradamente um tratamento especial a Tinsley por causa da lista de suspeitos 
do reitor- ela ficou apavorada com a idia de que sua estrela pudesse ser expulsa e at chamou Tinsley para uma conversa, se oferecendo para falar com o reitor Marymount. 
Tinsley rejeitou educadamente. Estava se saindo muito bem sozinha, muito obrigada. Com a ajuda de Chloe, o reitor j estaria convencido de que Jenny era a culpada 
na reunio de quarta-feira. Para Tinsley, parecia que ela manipulava marionetes, segurando todas as cordinhas de uma vez.
No gramado, um bando de meninas do primeiro ano de tops se esparramavam em um manto marrom imenso da Waverly, os braos esqulidos banhando-se nos ltimos raios 
de sol de vero antes que ele casse completamente. Todas se viraram, quase imperceptivelmente, dos livros que fingiam estudar para olhar Tinsley, e ela teve que 
reprimir um sorriso. Ela cortou o ar com a raquete enquanto andava, imaginando a cabea de Jenny no cepo. S percebeu a figura alta e desengonada se aproximando 
dela quando esbarrou nele.
- Tinsley - anunciou Julian de repente, e ela quase deu um pulo.
- Julian - respondeu Tinsley num automtico, incapaz de pensar em outra coisa para dizer. Diante da figura adorvel e magra e de seus olhos castanhos de cachorrinho, 
ela ficou estranhamente nervosa. O estmago revirou quando Tinsley se lembrou de seus encontros sensuais por todo o campus; no banheiro do Dumbarton, na sala de 
cinema do poro do Hopkins Hall. Ela o transformou num caso ultraconfidencial s porque teve medo de que o mundo descobrisse que ela gostava de um calouro. Mas, 
na verdade, agora que pensava no assunto, teria sido assim to ruim? Ela provavelmente teria comeado uma tendncia,  La Demi Moore.
- Olha, eu, hum desculpe por no termos conversado direito nesse fim de semana. - Julian arrastou a ponta do p no caminho de cascalho. Levantou a cabea novamente, 
o cabelo castanho alourado e desgrenhado caindo desordenado na testa. Estava com uma camisa xadrez amarela e Tinsley se perguntou o que tinha por baixo. - Tudo ficou 
meio doido. Mas eu queria conversar com voc sobre umas coisas.
Tinsley endireitou o corpo, sentindo que tinha acabado de tomar um tabefe na cara. Ela se xingou pelo momento de fraqueza. Por que deixava que esse calouro a afetasse 
tanto?
- Umas coisas? - perguntou ela com a voz glida, semicerrando os olhos violeta. - E quando diz "as coisas ficaram meio doidas", quer dizer que voc ficou ocupado 
demais com sua namorada nova?
- Do que est falando? - Julian pareceu genuinamente confuso. Passou a mo pelo cabelo despenteado, provavelmente se perguntando como Tinsley sabia sobre Jenny. 
Ser que ele realmente pensava que podia escapulir com aquela piranhazinha de peites sem que ela descobrisse?
- No banque o idiota comigo. Eu vi voc com aquela an. - Ela pousou a raquete de tnis de titnio no cho e se apoiou nela, sentindo que tinha acabado de fazer 
um match point.
Julian ergueu as sobrancelhas. Ela no sabia se ele estava surpreso ou com raiva. Talvez as duas coisas.
- Quando?
Tinsley paralisou, percebendo o erro que cometera. Se dissesse a ele que os vira perto do celeiro, praticamente estaria admitindo a culpa pelo incndio. Ela olhou 
rapidamente para a esquerda. As meninas tomando sol ainda estavam envolvidas em seus livros, embora ela desconfiasse de que aprumavam os ouvidos para escutar cada 
palavra da conversa.
- No importa quando - sibilou Tinsley. - Mas vou facilitar as coisas pro seu lado. Da prxima vez em que eu vir voc e a sua namoradinha, pode ser o ltimo segundo 
de vocs juntos.  - Ela disse as ltimas palavras lentamente e com cuidado. No queria ter de se repetir.
A cara de Julian ficou meio rosada.
- Est me ameaando? - A voz de Julian oscilou e ele perdeu a atitude tranquila de sempre, parecendo ao mesmo tempo chocado e meio assustado. E era assim mesmo que 
Tinsley queria que seus adversrios se sentissem.
- No seja bobo - ela riu, atirando o cabelo preto e sedoso para trs. - Acho que ns dois sabemos quem estou ameaando.
Ela deu meia-volta e partiu, balanando delicadamente a raquete. Game, set, match. Mas o perdedor aqui no era Julian. Era algum muito, mas muito mais baixo.
Para o jantar especial daquela noite, em homenagem aos alunos em potencial, o salo de jantar em um lugar-comum que servia comida, parecia ter sido transformado 
em um restaurante cinco estrelas. O sol poente cintilava pelos vitrais, lanando borrifos de cor pelas toalhas de linho branco. Embora estivesse irritada com a presena 
de todos aqueles candidatos nerds - bom, todos,menos uma- Tinsley ficou impressionada que Marymount fora capaz de tanta ostentao por eles. Ela parou na porta para 
admirar as mudanas e deixar que todos vissem que ela estava calam e imperturbvel como sempre, apesar do e-mail ameaador de Marymount.
Sumiram o balco de pizza e os porta-cereais - at as mquinas de refrigerante foram empurradas pra trs e viradas para a parede, substitudas por um leque deslumbrante 
de garons com camisas brancas bem-passadas, calas pretas e luvas brancas. Tinsley quase esbarrou em um que levava uma bandeja de canaps. Bandejas de hors d'oeuvre? 
Ao que parecia, quando se tratava de garantir o futuro financeiro da Waverly, o reitor estava mais do que disposto a abrir um pouco a carteira. Algum chegou ao 
ponto de se dar ao trabalho de desenhar uma placa que dizia TERMINANTEMENTE PROIBIDO O USO DE CELULAR, exibida em destaque na entrada.
Ela era uma das ltimas a chegar, mas preferia assim. Sentia os olhos de todos enquanto andava pelo salo de jantar com seu vestido baby-doll Chanel vintage preto 
e meia-cala preta, caminhando de um jeito que fazia seu vestido meio amorfo ganhar vida e incitar em todos a especulao do que estaria por baixo dele.
Uma das mesas compridas perto da gigantesca lareira de pedra- em que uma pilha de lenha tinha sido acendida para a ocasio, observou Tinsley, com ironia- era tomada 
por Sage,Benny e companhia.
- Bonito vestido, T - disse Benny num sussurro enquanto Tinsley passava.
- Obrigada - respondeu Tinsley num tom normal, o que a fez perceber o silncio do salo cavernoso. Cabeas se espremiam em cada mesa e cochichos enchiam o ar, como 
se todos tivessem medo de indicar a prpria culpa ao falar em voz alta. Do outro lado da mesa os olhos de Callie encontraram os de Tinsley. Ela tombou a cabea louro-arruivada 
para Easy, que praticamente estava sentado no colo dela. Arrumem um motel, Tinsley riu consigo mesma. Callie a cumprimentou com um erguer da sobrancelha loura, dando 
um tapinha no lugar ao lado com a mo adornada com uma pulseira de prolas Swarovski.
Tinsley se espremeu por outras corujas at a ponta da mesa de Callie, onde Heath tentava convencer uma das garonetes a baixar a bandeja de hors d'oeuvre diretamente 
diante dele. Os cochichos explodiram na esteira de Tinsley e ela sorriu consigo mesma. No se importava de ser apontada como a suspeita do incndio na fazenda dos 
Miller- qualquer um que tivesse lido Agatha Christie sabia que o culpado era sempre a pessoa que todos menos esperavam. Algum, por exemplo, baixinho como Jenny 
Humphrey. Ningum imaginaria aquele corpinho delicado de metro e meio tacando fogo em um celeiro, mas quando ela finalmente fosse expulsa por fazer isso, todos se 
perguntariam por que no tinham percebido antes.
- Bela entrada - sibilou Callie  meia-voz. - O discurso de Marymount deve comear em uns dois minutos.
Tinsley deslizou para a desconfortvel cadeira de carvalho que Callie reservara para ela.
- Bom, at parece que ele ia comear sem mim - sussurrou ela com um sorriso malicioso.
Brandon Buchanan tentava passar disfaradamente um bilhete rabiscado num guardanapo para algum do outro lado da mesa. Por reflexo, Tinsley o interceptou e o manteve 
na mo. Brandon, com uma camisa Armani bem-passada e gravata, sorriu duro para ela, desafiando-a a abrir. Ela desamassou o guardanapo. Ser que foi ela?, dizia a 
letra surpreendentemente inclinada de Brandon. Tinsley mostrou a lngua para Brandon - estaria falando dela? Ela sem dvida no se importaria muito se esse sabe-tudo 
fosse expulso - e amassou o guardanapo. Todos na mesa tinham montinhos de guardanapos espalhados em volta e Tinsley se perguntou quantos outros continham bilhetes 
sobre ela.
- Vamos ver. - Heath assentiu um cumprimento formal enquanto uma das garonetes, uma loura bonitinha do segundo ano, estacionava uma bandeja inteira de cogumelos 
recheados diante dele.
Tinsley o encarou. No tinha percebido o candidato sentado do lado de Heath. O cabelo louro-claro estava com gel, exatamente como o de Heath- as laterais puxadas 
para trs, o alto arrepiado artisticamente e parecendo congelado - e Tinsley teve de olhar duas vezes, perguntando-se se Heath teria um irmo mais novo. Enquanto 
o menino estendia a mo para pegar um cogumelo recheado, ela percebeu que ele at meio que se mexia como Heath. Assustador. Ele jogou o cogumelo na boca, sem se 
dar ao trabalho de enrolar a manga apertada da camiseta azul-beb. Parecia ter sado da seo Junior Miss da Bloomingdale's.
- Gostei da camisa - observou Tinsley, esquecendo-se de cochichar. Toda a mesa se virou, alarmada, como se estivessem se escondendo de um inimigo e ela entregasse 
sua posio. 
- ,  legal - disse o candidato, imitando o balanar de cabea de Heath ao falar.
- Esse  o meu garoto, Sam - cochichou Heath, erguendo o punho em sinal de triunfo. Sam de imediato imitou o gesto e todos na mesa riram baixinho.
- Eu no sabia que voc era pai, Ferro. - Alan St.Girard se inclinou para a frente, pegando uns cogumelos de Heath. Ele tinha feito a barba para a ocasio, revelando 
a pele de beb no rosto rosado. Tinsley olhou em volta para ver onde estava a namorada dele e localizou a cabea preta e cintilante de Alison Quentin em uma mesa 
redonda no canto da sala, onde tambm estava sentada Jenny e, observou Tinsley com satisfao, Chloe. Tomando um gole de gua, ela varreu a sala com os olhos, enxergando 
finalmente a bonita e conhecida cabea de Julian em uma mesa de jogadores de squash num canto, o mais longe possvel da mesa de Jenny. Ela tomou outro gole de gua, 
fingindo que era champanhe, e se parabenizou por um trabalho bem feito.
- Ele  meu protegido - Heath se gabou, dando um tapinha no ombro de Sam.- Vai carregar o legado de Ferro depois que eu for embora.
- O que pode acontecer em breve, n? - Tinsley sorriu, recostando-se na cadeira e cruzando os braos, o que sabia que chamava ateno para se peito perfeito.
- Veremos - disse Heath, olhando em volta.
Um murmrio de espalhou pelo salo quando o reitor Marymount subiu ao pdio, decorado com o braso da Waverly, diante do salo de jantar. Ele avaliou a multido 
e disse alguma coisa que ningum conseguiu ouvir, abaixando-se no pdio para ligar o microfone. Todos se olharam, mas o salo continuou surpreendentemente silencioso. 
Marymount deu um tapinha no microfone com os dois dedos grossos e um trovo com esttica ecoou nos ouvidos de todos. Por fim, alguns risinhos se espalharam pela 
multido. Tinsley mantinha a expresso sria, sem nem desviar os olhos quando Marymount pareceu direcionar os dele diretamente nela.
-  um grande prazer receber nossos visitantes- comeou ele, a voz grave e sria, como se estivesse falando para a Suprema Corte e no a um grupo de adolescentes 
barulhentos. - A tradio  uma parte importante da reputao de excelncia da Waverly. Temos uma reputao no apenas na comunidade local, mas na sociedade.  uma 
combinao de honra e respeito, vias de mo dupla, cruzadas por uma ampla avenida chamada verdade.
Tinsley apertou os lbios e encarou Marymount, colocando a mo em concha sob o queixo no que ela esperava parecer um gesto de interesse. Ela olhou o ltimo cogumelo 
recheado no prato de Heath, o estmago soltando um grunhido mnimo. 
- O respeito pelos outros e por nossa comunidade  essencial para o que faz da Waverly uma instituio de honra. No se esqueam de que a Waverly no  apenas um 
lugar. Ela tem personalidade e fibra moral prprias, e cada pessoa que veste o blazer da Waverly e assume o honrado titulo de Waverly Owl faz parte do tecido de 
nossa comunidade. Se quisermos que a escola seja honrosa, devemos ser indivduos honrosos. Uma Owl , sobretudo, um cidado moral, de princpios, probo. Estas so 
as qualidades que todo aluno da Waverly deve incorporar, uma verdade que espero que os alunos em potencial... nossas futuras Waverly Owls... venham a intuir por 
este fim de semana enquanto vocs continuam a inspirar sua busca para se unir  comunidade da Waverly. - Marymount fez uma pausa teatral, prendendo a respirao 
e se certificando de que tinha a ateno de todos antes de pronunciar a fala seguinte. -  claro que  desnecessrio dizer que quem no incorpora as qualidades que 
nos so to caros na Waverly no pertence a este lugar e s pode se tornar uma mcula na reputao antiga e duramente conquistada da Waverly. Saibam que a Waverly 
no sofrer nenhum constrangimento sob minha superviso.  o que lhes garanto.
Marymount olhou o pdio, os olhos azuis e frios vasculhando a multido como um falco. Tinsley examinou os colegas em volta. Todos em sua volta evitavam os olhos 
do reitor e os dela, aparentemente com medo de sustentar o olhar de Marymount. A nica pessoa que no ligava para o recado agourento do reitor era Sam, que tinha 
acabado de descobrir que os botes da camisa eram de um rosa prola, e no brancos. Ele os olhava, desanimado. Tinsley se perguntou como ele podia no ter visto 
a gola de Peter Pan e os ombros pregueados.
Ela olhou mais uma vez para o lado de Jenny. Ela bebia cada palavra de Marymount, parecendo preocupada, os cachos curtos menos insolentes do que o de costume. Ao 
lado dela, Chloe virou-se e pegou o olhar de Tinsley. A candidata lhe deu uma piscadela demasiado bvia, parecendo se esforar muito para no acenar e gritar, " 
Eu sou amiga da Tinsley!" Ela podia no ser assim to sutil, mas seu valor era inestimvel.
Tinsley sorriu. O reitor Marymount no percebeu- pelo menos, ainda no - que a pessoa que ele descrevia com perfeio era, na realidade, a baixinha Jenny Humphrey. 
Como algum com um peito daquele tamanho podia ter moral?


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De: RufusHumphrey@poetsonline.com

Para: JenniferHumphrey@waverly.edu

Data: Segunda-feira, 14 de outubro, 22:27

Assunto: Miau!

Miau Miou (Querida Jenny),

Todo mundo aqui na West 99th Street com West End Avenue sente sua falta, especialmente eu, Marx, o Gato. O leite azedo no tem o mesmo gosto sem voc, e mal consigo 
ter energia para perseguir camundongos pela escada de incndio. Resolvi dormir na sua cama, mas a menina que agora dorme l, aquela que no tem cabelo nenhum - de 
que raa ela , Sphinx? - no parece feliz com a minha presena. Talvez por que ela s use preto, uma cor que mostra muito os pelos.
Minha querida Jenny, minha dona preferida, quando  que a verei de novo? Sua ausncia  to dura de engolir quanto uma bola de pelos grande.

Com amor, 

Marx, o Gato.

PS: Ligue para seu pai, por favor! Ele est solitrio sem voc. Ele no para de me escovar.
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A BIBLIOTECA DA WAVERLY  UM LUGAR PARA 
LEVAR OS ESTUDOS  SRIO


Na manh de tera-feira, Callie sentiu um cheiro de tinta a leo no ar ao virar uma curva no segundo andar da biblioteca, os saltos Costume National batendo no cho. 
Olhou o relgio Cartier de pulseira fina e mostrador de diamantes e sorriu consigo mesma. Bem na hora. Era sua primeira ida ao Staxxx, um espao superprivativo da 
biblioteca reservado queles que estudavam para os testes SAT e famoso por sua falta de superviso dos bibliotecrios que perambulavam por ali. Os livros nas estantes 
do canto eram em sua maioria enciclopdias antigas e livros de referncia obsoletos, dessa forma ningum entrava ali por acaso. Um aluno dedicado comeara uma biblioteca 
particular ma prateleira de baixo do Staxxx: exemplares surrados de O amante de Lady Chatterley, Lolita, a trilogia Sexus, Nexus e Plexus de Henry Miller. E  claro 
que havia a edio da Playboy com fotos de nus de Madonna presa com fita adesiva por baixo da prateleira mais distante, cortesia da turma de 1985 da Waverly.
Ela encontrou Easy sentado em uma das trs cabines de estudo, os assentos revestidos de l xadrez laranja que coava. A idia por trs das cabines era estimular 
o estudo em grupo, mas o que acontecia ali era principalmente trabalho Tet--tte.
- Oi. - Os olhos azuis-escuros de Easy se iluminaram quando a viram. Ele lanou de lado o exemplar de Trpico de Cncer. Com a camiseta preta de tric de malha e 
a Levi's destruda, os cachos escuros meio colados na testa, ele estava positivamente delicioso.
Callie largou no cho a bolsa de couro preta Pierre Hardly e de imediato se atirou na lateral da cabine onde Easy estava sentado, fazendo-lhe ccegas bruscamente.
- Ai! - O joelho de Easy bateu na beira da mesa. Ele sorriu devagar, com uma pequena crosta de pasta de dente branca presa no canto da boca. Callie lambeu o dedo 
e limpou a pasta. - Obrigado, me - disse ele com a voz arrastada e Callie lhe deu um soco de leve no ombro antes de afast-lo. Ela passou o dedo pela perna de Easy, 
adorando como seus joelhos eram quadrados e msculos por baixo do brim supermacio. Ela no conseguia se desviar de seus lindos olhos azuis. Lembravam a Callie o 
mar, mas no o mar turquesa e brilhante do Caribe, onde todo mundo adorava mergulhar de snorkel; o azul-escuro do meio do Atlntico, cujas profundezas no se podia 
sondar.
Easy inclinou-se para frente e a beijou na boca. Comeou doce e com ternura, depois lentamente, comeou a crescer, at que os dois tiveram de se afastar. Eles se 
olharam, sabendo exatamente o que o outro estava pensando.
- Quer que eu, er, coloque Lolita no carrinho ao lado da porta? - perguntou Easy em voz baixa, referindo-se ao cdigo tradicional indicando que o Staxxx estava ocupado. 
Seu sotaque do Kentucky ficava mais acentuado quando ele se excitava e agora Callie mal podia dizer que ele passara os ltimos dois anos e meio numa escola preparatria 
da Costa Leste. O dedo de Easy correu pela ponta dos jeans Habitual de Callie, rolando de leve suas costas. Callie sentiu o mesmo frio na barriga que sentia no elevador 
de alta velocidade que a levava ao escritrio do pai no alto do prdio do Bank of America no centro de Atlanta.
- E se formos flagrados? - perguntou ela, s um pouco preocupada. A biblioteca sempre ficava s moscas de manh e, alm disso, todo mundo estava ocupado demais se 
estressando com a investigao do celeiro para pensar em fazer uma festinha de estudos para o SAT. Ela tirou o cardig TSE berinjela, revelando por baixo uma minscula 
camiseta branca Anthropologie.
- E quem liga? - Easy deu de ombros. - Pode ser nossa ltima chance. A gente tem que aproveitar cada oportunidade. - Ele quis dizer isso como uma piada, mas Easy 
sentiu o estmago revirar assim que as palavras saram de seus lbios. Desde o e-mail do reitor, ele estava um trapo de nervoso e mal conseguia dormir uma noite 
inteira. J se metera em muitos problemas na Waverly e de certo modo sentia que o e-mail acusador fora dirigido a ele, e s a ele, embora tivesse ouvido falar que 
o isqueiro de Julian fora encontrado. No ficaria surpreso se dali uma semana ele fosse expulso da Waverly, deserdado pelo pai e mandado para um reformatrio. Ele 
no tinha medo por si, mas por Callie. O que ela faria se ele fosse expulso? E o que ele faria se ela fosse expulsa?
- Deixa de ser bobo - Callie sacudiu a cabea, o cabelo louro e ondulado roando os ombros nus. - No vamos a lugar nenhum.
Easy colocou a mo na nuca de Callie, adorando sentir sua pele macia.
- Era brincadeira, mas... gata, Marymount est procurando algum para expulsar. E a gente estava no celeiro. Provavelmente somos os principais suspeitos. - Ele deslizou 
a mo para o ombro de Callie. - Como  que no est preocupada? - Ocorreu a ele que ele estava sendo paranico e, bom, meio como Callie, e ela estava toda calma, 
como Easy. Como foi que isso aconteceu? Ela sabia de alguma coisa que ele no sabia?
Callie deu de ombros, os olhos castanhos parecendo despreocupados.
- Eu s tenho f em que o responsvel ser castigado. - Ela se aninhou no pescoo dele.- Voc precisa relaxar- sussurrou ela com a voz rouca.
Mas ele no conseguia relaxar. Na manh depois do incndio, Callie lhe disse que tinha certeza absoluta de que Jenny comeara tudo por cime. O que significava que 
quando ela disse "responsvel", ela queria dizer Jenny. E o que foi aquele telefonema aos cochichos com Tinsley no estbulo outro dia? Era estranho que Callie e 
Tinsley de repente ficassem cheias de intimidade de novo. Easy se sentou ereto de repente.
- Voc no est aprontando nada, est? - perguntou ele. Suas palavras penderam no ar e ele ficou preocupado que s estivesse paranico, mas era tarde demais.
Callie piscou lentamente. Seus clios eram louros e lindos sem o treco preto que ela usava na metade do tempo.
- Claro que no. - Ela atirou a cabea, o cabelo louro-avermelhado ajeitando-se naturalmente. Callie cortou as mechas longas h algumas semanas e agora elas ficavam 
exatamente na altura dos ombros, emoldurando o pescoo fino e comprido. - S quis dizer que somos inocentes e no precisamos nos preocupar. - Ela de novo inclinou 
para o lbulo da orelha de Easy, a respirao quente em seu ouvido. - Onde  que estvamos mesmo?
Easy fechou os olhos. Ficar com Callie era to bom. Ele no queria que a relao deles fosse maculada por sua parania com a lista de suspeitos do reitor Marymount 
e o incndio. Se ela disse que no estava rolando nada, ento no estava rolando nada.
- Estvamos bem aqui - sussurrou ele, e beijou seus lbios macios e cheios. Callie entedera isso desde o comeo: eles estavam juntos de novo e era s isso que importava.


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CallieVernon: No posso mais fazer isso.
TinsleyCarmichael: Hein?
CallieVernon: EZ desconfia que estou aprontando alguma.
TinsleyCarmichael: E?
CallieVernon: E... No posso me arriscar. Vc pode assumir daqui pra frente?
TinsleyCarmichael: Meu Deus, v se cresce, C.
CallieVernon: No fique assim. Vc sabe que tem culhes por ns duas.
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UMA WAVERLY OWL SABE QUE UMA IMAGEM VELE 
MAIS DO QUE MIL PALAVRAS


Normalmente, Jenny adorava o zumbido de sua aula de artes preferida, a de retrato. Os bancos arrastando no piso de concreto e os pincis arranhando as telas em geral 
eram suficientes para inspir-la a trabalhar. Depois que o cheiro de leo e terebintina enchia o ar, ela no conseguia parar, mesmo que quisesse.
Mas hoje, seus dedos estavam pesados e lentos. Mesmo com a caixa ArtBin roxa aberta na frente e todos os lpis de desenho Derwnt alinhados em ordem, as mos estavam 
rgidas e preocupadas. Ela olhou o papel de desenho em branco. A Srta. Silver os instrura no inicio da aula a desenhar ou pintar o que quisessem, desde que "bebessem 
em seus pensamentos e sentimentos mais ntimos". Era um exerccio meio de hippie, mas todo mundo pareceu animado de poder dar um tempo de todas as regras estritas 
que enfrentavam em toda parte. Enquanto os outros alunos se ocupavam desenhando ou pintando, Jenny ficou paralisada. Era como se ela se esforasse ao mximo para 
reprimir os pensamentos e sentimentos mais ntimos e agora nem conseguisse ter acesso a eles, como uma torneira que ficou seca por falta de uso.
A Srta.Silver de repente assomou junto ao ombro de Jenny, a cara redonda e simptica de Mame Noel franzida num ponto de interrogao. Hoje ela usava um minivestido 
de batik roxo co cavalos marinhos, legging prata cintilante e botas Ugg marrons escuras.
- Problemas para comear? - perguntou ela, baixando a mo carnuda no ombro de Jenny. Jenny assentiu devagar. 
- Baixe o lpis - instruiu-a a Srta.Silver. Jenny deslizou o lpis de carvo em seu lugar correto, entre o 2B e o 4B na bandeja. Quando foi que ela ficou to meticulosa? 
- Agora, respire fundo.
Ela inspirou e expirou rapidamente, na esperana de que ningum em volta pensasse que ela estava tendo um ataque ou coisa assim.
- No, no, no - cacarejou a Srta.Silver. Seu cabelo grisalho frisado estava puxado para trs em dois coques bagunados perto da nuca, mas os fios escapavam a cada 
vez que ela se mexia. Os cavalos-marinhos no minivestido danaram. - Isso no foi fundo. Tente de novo.
Jenny olhou em volta, sentindo-se constrangida enquanto respirava fundo, enchendo cada centmetro de seus pulmes com ar de terebintina. Ela sentiu o peito expandir 
- no era uma coisa de que precisasse - mas logo sentiu um formigamento de vida brotar em seus braos e mos, depois o corpo todo. Ela expirou alto, sem se importar 
que algum estivesse vendo.
- Assim est muito melhor. - A Srta.Silver riu toda satisfeita e bateu as mos nos quadris cheios, baixando a voz para que Jenny tivesse de se inclinar a ela para 
ouvir. - Quero que voc se comunique com seu subconsciente. A proposta deste exerccio  se soltar, desenhar se restries. - Suas mos adejaram, fazendo desenhos 
fantasmas no ar. - No se preocupe com o que sara... Talvez, quando terminar, no se assemelhe a nada. S quero que coloque o lpis no papel e veja o que acontece.
Jenny assentiu novamente. Estava com problemas para dominar os pensamentos, pois estes estavam mais preocupados com a ameaa do reitor Marymount no jantar de boas-vindas 
na noite anterior. E depois viria a festinha dos Suspeitos de Sempre. A principio, Jenny no queria ir. Ver Callie e Easy comemorando sua possvel ltima noite juntos 
no era exatamente um estimulo para ela ir  festa. Mas desde que o e-mail do reitor tinha sido enviado, Jenny andava se sentindo isolada. Ela se perguntou se os 
outros Suspeitos de Sempre sentiam o mesmo silncio perturbador sempre que entravam numa sala. E por que Julian no se sentou com ela no jantar dos alunos na noite 
anterior? Ela ficou to decepcionada quando o viu do outro lado da sala, com alguns caras do squash. Mas talvez ele no a tivesse visto sentada l e no conseguisse 
mudar de lugar depois que Marymount comeou o discurso.
- Muito bem, voc ainda no est relaxada. Vamos tentar outra coisa. Feche os olhos. - A Srta.Silver ps a mo com loo nos olhos de Jenny. - timo. Agora pegue 
o lpis e simplesmente comece a desenhar. No pense no que est fazendo. Apenas mova o lpis na tela.
Jenny tinha certeza de que todo mundo a encarava, mas seguiu com o exerccio. O cheiro de loo de rose-hip da Srta.Silver encheu seu nariz. O brao se movia rapidamente, 
como uma agulha de detector de mentiras em um filme em que o suspeito est contando as mentiras mais desvairadas. Logo seu pulso comeou a entrar em ao, acrescentando 
detalhe aqui e ali enquanto Jenny estudava o interior de suas plpebras. A Srta. Silver retirou a mo e Jenny ficou de olhos fechados. A luz que passava por suas 
plpebras a impedia de ver tudo, exceto o vermelho.
- Muito bom - instou a Srta Silver. - Agora voc conseguiu. Pense nisso como livrar seu crebro de uma equao... S deixe o subconsciente falar diretamente atravs 
de seu lpis. Continue... Fique de olhos fechados, se preferir.
Jenny ouviu a Srta.Silver se afastar para falar com outro aluno na frente da sala. Abriu os olhos de novo, mas em vez de ver o que estava no papel, fitou a enorme 
vidraa do ateli, vendo o vento forte vergastar as folhas vermelhas dos bordos do lado de fora. Gotas de chuva comearam a cair, espatifando-se nas janelas com 
algumas folhas extraviadas.
Depois do que pareceu um longo tempo, Jenny saiu do transe, ouvindo Alison, a algumas mesas de distncia, fechar a caixa de material com um baque. Os olhos de Jenny 
pousaram no desenho. Ela parou. Ser que desenhou isso mesmo? O bloco estava cheio de linhas escuras e desordenadas, mas a cena era clara. Um prdio desenhado em 
traos finos, cujo topo era consumido por chamas danantes e saltitantes, enquanto no cho, figuras escuras corriam para todo lado. Jenny se concentrou nas duas 
figuras que pareciam continuar paradas, presas num abrao rabiscado em meio ao caos. As figuras s eram reconhecveis por Jenny.
Num instante, toda a cena repassou na mente de Jenny. Easy e Callie estavam namorando pelas costas dela. Callie trara sua promessa de amizade. E Easy tinha dito, 
antes de eles ficarem juntos, que as coisas com Callie foram superadas h muito tempo. Mais uma mentira.
- Caramba, isso  forte. - Alison se inclinou e examinou o desenho, o cabelo preto e macio tombando para a frente e fazendo ccegas no brao de Jenny.
Jenny voltou  realidade num estalo.
- Obrigada.
- Nem sei o que o meu quer dizer. - Alison deu de ombros para o bloco de desenho, tomado de uma srie de pontos e linhas rabiscadas flutuando em volta de um retngulo. 
- Meu subconsciente  bem menos interessante que o seu. 
Jenny olhou o desenho, jurando que podia ouvir um estalo do celeiro em chamas e o cheiro da madeira queimada. Ficou grata por ter "bebido do subconsciente" na aula 
de retrato, a nica aula de arte que ela no dividia com Easy.
- Ento, quem voc acha que vai sentir o machado? - perguntou Alison  meia-voz.
Jenny apontou os olhos para as figuras no meio do desenho, lembrando-se da pele nua de Callie, as mos de Easy percorrendo o corpo magrelo de Callie.
- Callie e Easy eram os nicos que realmente estiveram no celeiro. E eles estavam fumando. - Jenny deu de ombros. - Assim eu soube.
- Acha que os dois vo ser expulsos? - cochichou Alison. 
Jenny de repente ficou ciente de algum atrs dela e teve a sensao sinistra de que era observada. Deliberadamente deixou o lpis cair no cho e se abaixou para 
peg-lo, olhando por sobre o ombro. Mas era s Chloe, parecendo inofensiva num vestido plo Ralph Lauren de listras amarelas e rabiscando com um pedao de carvo. 
Ela ficou to silenciosa por toda a aula que Jenny tinha se esquecido de que estava ali. A Srta.Silver tinha razo- ela precisava mesmo relaxar. Estava ficando paranica.
- Talvez - respondeu Jenny.
- Eu s queria que a reunio de interrogatrio de Marymount passasse logo. - Alison suspirou. -  to estressante. Est me deixando totalmente arrasada. - Ela apontou 
para o rosto, onde uma espinha quase invisvel insistia em ficar abaixo do olho esquerdo. Parecia uma sarda.
- Para onde vamos agora? - piou Chloe de repente e Jenny quase caiu sentada. Precisava tomar um ch de camomila. Ou encontrar Julian. Ele sabia como relax-la.
- Hummm, acho que vou encontrar Alan... - Alison olhou para Jenny cheia de culpa e as meninas guardaram os lpis e foram para a estante de material.
- Que tal eu ficar com a Jenny, ento? - perguntou Chloe, ansiosa, o rabo de cavalo louro batendo enquanto as seguia.
Jenny comeou a sacudir a cabea numa negativa - no tinha energia para escoltar uma candidata a aluna por a - mas depois se sentiu culpada.
-  T. Pode vir comigo. - Afinal, ela sabia bem demais como era ficar perdida na Waverly.

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JennyHumphrey: Tem uma candidata colada em mim. Quer me ajudar a diverti-la?
JulianMcCafferty: Mas  claro.
JennyHumphrey: Encontra a gente na cafeteria do Maxwell depois da aula?
JulianMcCafferty: Que tal fora do campus? No Ritoli's?
JennyHumphrey: Hummm,pizza. Marcado.
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BrandonBuchan: E ai, companheira Suspeita de Sempre. Td bem?
SageFrancis: Tudo... Mas meio histrica...
BrandonBuchanan: Por isso te procurei. Para me solidarizar.
SageFrancis: Acha que temos que planejar nosso libi para amanh?
BrandonBuchanan:  o mximo que podemos fazer, n?
SageFrancis: . Voc lava a minha mo e eu lavo a sua.
BrandonBuchanan: Posso fazer isso. Posso usar minha mo para uma massagenzinha tambm. A gente se v na festa  noite?
SageFrancis: Estarei l.
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15


AS PORTAS DEVEM FICAR ABERTAS O TEMPO TODO NO HORRIO OFICIAL DE VISITAS EM ALOJAMENTOS DO SEXO OPOSTO. 



Brett bateu na porta do quarto de Kara com os ns dos dedos, tinindo as pulseiras de contas turquesa e escarlate. Yvonne Stidder deixara um bilhete no quadro de 
recados de Kara perguntando se ela queria almoar. Era engraado- em toda a recente insanidade, Brett quase se esquecera de que existiam outras pessoas alm de Kara 
e os Suspeitos de Sempre.
Os ltimos dias lembravam Brett dos aqurios do cho ao teto do saguo da McManso dos pais. Sempre se sabia quando um dos tetras ou peixes arco-ris estavam doente, 
porque todos os outros peixes o evitavam, como se o cheiro da morte pairasse sobre eles. Brett se sentia como um dos peixes doentes. Mas no era a nica. Por trs 
de portas fechadas ou cercada por cochichos, Brett tinha certeza de que os outros "suspeitos" costuravam alianas, apelando a antigas amizades e favores para se 
proteger da ira que o reitor Marymount estava a ponto de lanas. E era por isso que ela agora precisava de Kara. Estava num completo pnico desde sal conversa com 
o Sr.Tomkins na vspera e queria combinar a historia das duas,
- Entre.
Ela empurrou a porta do quarto de Kara. Heath Ferro estava esparramado ao lado de Kara na cama, a cabea pousada no colo de pernas cruzadas de Kara enquanto ela 
fazia tranas em seu cabelo louro. 
- Humm, o que? 
O protegido de Heath estava reclinado num pufe de vinil azul no canto, as pernas mnimas apoiadas na janela, com um gibi da Batgirl aberto nacara. Provavelmente 
tentando imaginar como era a Batgirl sem seu traje. Uma msica dos Beastie Boys tocava no sistema de som de Kara e todos pareciam absortos no que faziam. Dada a 
sensao de deleite domstico da cena, Brett no teria se surpreendido se tocasse msica clssica.
-  Mais uma orao atendida. - Os olhos de Heath se iluminaram. Ele se sentou rapidamente e de um jeito precipitado, com trancinhas pela metade apontando em toda 
a cabea enquanto abria espao no edredom de Batgirl entre ele e Kara. 
Brett se sentou com cautela na cama.
- E ai... - Ela olhou primeiro para Kara e depois para Heath. - O que est rolando? - Desde quando Kara e Heath tinham sesses de trancinhas?
- Estou agindo como consultora para as festas desta noite. - Kara sorriu, enfiando as pernas debaixo do corpo. Estava com uma saia rodada de bolinhas que se abria 
sobre o edredom como um tutu. - Heath tem alguma perguntas muito importantes que precisam de respostas - acrescentou ela, virando-se para Heath, que piscou para 
ela. Com a camiseta da Waverly que ele usava desde que Marymount mandara a lista de suspeitos (um esforo jocoso de mostrar seu esprito escolar) e o jeans Citizens 
of Humanity surrado, Heath parecia a quintessncia do presunoso de escola preparatria. 
- Vocs acham que a gente devia estar, tipo assim, planejando nossos libis em vez de planejar uma festa? - Brett se levantou. Puxou para baixo a blusa Reyes branca 
e se virou para ficar de frente para Kara e Heath na cama.
- Para mim, uma festa  sempre mais importante do que um julgamento - disse Heath com um sorriso lento, coando a barriga atravs da camiseta. - O que  isso, gente, 
a "lista" de Marymount  uma piada. - Ele fez aspas no ar ao falar lista. - Vejo a coisa como realmente : uma desculpa para tomar um porre e matar aula. - Ele esticou 
a mo para Sam cumprimentar. - Toca aqui, garoto!
Brett s olhou para ele. Heath e sua atitude no-dou-a-mnima. Ser que ele no percebia que toda essa histria era sria? Um deles podia partir amanh.
- Ento voc nem quer falar do que ns estvamos fazendo na festa? - perguntou Brett num tom de desafio. Ela ps as mos nos quadris do jeans 7 For All Makind e 
olhou nos olhos de Heath, sem se atrever a se voltar para Kara.
- Sam, amigo. - Heath virou a cabea com meias tranas para o Mini Me dele. - Vai dar uma volta no corredor, t legal? Preciso ficar a ss com minhas meninas.
Sam saltou do pufe, parecendo estar prestes a fazer uma saudao para Heath.
- O pnei Express ataca novamente! - uivou ele com a voz surpreendentemente grave. Estendeu a mo para um high Five de Heath, mas Heath deu um chute na perna dele, 
dirigindo Sam para a porta.
- O que acha que vai acontecer aqui?- Brett bloqueou a sada de Sam, ainda encarando Heath. - Que vai ser uma espcie de orgia? - Ela pretendia que fosse uma piada, 
mas havia uma tenso em sua voz que ela no conseguiu controlar. 
- Relaxa, gata - disse Heath, ainda sorrindo, os olhos verdes brilhando. - Voc precisa se soltar.
Kara riu de nervosa, como se no soubesse bem o que fazer. Tirou os culos e olhou para Brett, a cabea tombada um pouco de lado, como se tentasse deduzir o que 
estava acontecendo. 
- Eu me soltei. - Brett no conseguiu reprimir. - E olha s no que deu. - Ela queria que o comentrio fosse para Heath, mas Kara piscou varias vezes e parecia ter 
levado um tapa. Brett queria se desculpar, mas com Heath e o Mini Me dele se agarrando a cada palavra que dizia, s o que pde fazer foi sair do quarto, sem se incomodar 
em fechar a porta depois de passar.
Kara a seguiu at o corredor, fechando delicadamente a porta.
- O que est havendo? - Seus olhos castanhos estavam cheios de preocupao. Agora que os olhos no estavam mais obscurecidos pelos culos, Brett percebeu seus clios 
escuros delicados, que eram longos e curvos, embora ela no usasse maquiagem.
Brett deu de ombros e remexeu nos botes perolados da blusa. Queria contar a Kara o que aconteceu na sala do reitor Marymount ontem, dizer como estava preocupada. 
Ela sabia que as duas no fizeram nada de errado - no tinham nada a ver com o incndio, e beijar outra menina no contrariava as regras - mas ela tambm sabia que 
qualquer coisa podia acontecer depois que entrassem na sala de interrogatrio. Elas realmente podiam ser expulsas da Waverly, se algum quisesse isso. Mas ela no 
confiava em si mesma para falar mais nada direito.
- Vou tirar um cochilo. Vejo voc na festa mais tarde.
- Tem certeza de que no quer entrar de novo? - Kara tombou a cabea para a porta. Uma msica da Amy Whinehouse que Brett gostava agora se infiltrava pela porta. 
- Roubei uns biscoitos de pasta de amendoim do salo de jantar para voc. - Ela sorriu com esperana.
Brett sacudiu a cabea.
- No, parece que vocs estavam se divertindo sem mim mesmo. - Ela girou nos saltos e seguiu pelo corredor escuro, sem olhar para trs e ver a expresso de Kara.








16


UMA WAVERLY OWL S FAZ CSSEGAS NUMA COLEGA DEPOIS DE DEVIDAMENTE CONVIDADA



Deitado na cama , Brandon deixou que os sons deprimentes de Wilco o banhassem , pensando na lista de suspeitos do reitor. Ia precisar de um libi melhor do que "eu 
estava ocupado demais dispensando minha namorada cinco minutos antes de comear o incndio". Marymount provavelmente o faria reencenar o incidente com Elizabeth 
diante de todos, e pelo resto da permanncia de Brandon na Waverly as pessoas iam cochichar, "O senhor Aberto est fechado" e rir sempre que ele passasse. Mas que 
porra. Pelo menos Sage Francis pareceu respectiva a sua mensagem mais cedo. Era meio covarde abordar uma garota por sms, mas no se pode culpar um cara por tentar. 
Afinal, e se essa menina Chloe, tivesse ouvido mal? Ele no precisava de outro desastre de propores elisabetanas. Desta vez, seu lema era "Devagar e sempre". Ele 
plantou a semente e esta noite, na festa regada a lcool de Heath, ia tentar reg-la.
Uma batida de tambor veio do nada, imiscuindo-se nos vocais da sua msica favorita. Ele precisou de um minuto para perceber que no era um tambor, mas algum batendo 
na porta. Se fosse a merda do Sam de novo, ele iria mat-lo - mas Sam no era o tipo que batia na porta. Irrompia para dentro s 7 h30 da manha enquanto Brandon 
ainda esta enxugando do banho, perguntando maliciosamente a ele de que cor seria o vestido dele esta noite. Maldito clone de Heath.
A porta se abriu, Sage Francis estava parada na soleira . Com um vestido de l curto e xadrez Chanel, o cabelo louro-claro e comprido afastado do rosto por duas 
fivelas mnimas e amarelas em forma de liblula.
- Oi - disse ele, tentando no trair a sua surpresa. Ele passou os dedos no cabelo, de repente constrangido por estar coma camisa branca do Hanes (estaria amarelada 
no sovaco?) e grato pelas calas cinza carvo ainda limpas.
- Oi - Sage sorriu com confiana. Brandon sempre pensou em Sage como uma das amigas genrica e cheias de risadinha de Callie. Mas sozinha, emoldurada pela porta 
ela estava... Diferente.
- Ento... er... Como  que esta? - perguntou Brandon despreocupadamente. Seu mtodo devagar e com cautela era bom, mas ele no estava preparado para uma emboscada. 
Ele olhou o quarto timidamente, na esperana que ela no percebesse a cueca de bolinhas do Heath do lado da cama, onde ele deixou. Ou se ela percebesse pelo menos 
no achasse que era sua.
Sage deu de ombros.
- Depois do nosso papo mais cedo resolvi dar uma passada aqui. - Ela assentiu para o livro de latim aberto de cara para baixo na cama bem arrumada de Brandon acima 
do edredom de Ralf Lauren. Ele rapidamente alisou as rugas onde ele estivera deitado e se sentou. -Estudando?
Brandon sacudiu a cabea numa negativa, embora tivesse uma recitao de latim pela manha. Aparentemente ele iria faltar para ir  reunio de suspeitos. No era bem 
uma troca justa.
- Pensando em estudar. - Sage riu e Brando se sentiu estimulado - Entra ai. - Ele ficou grato quando ela deixou a porta aberta pelo menos um pouco do cheiro de gorila 
do Heath ia sair pelo corredor.
- Tenho um aprova de geometria na quinta, mais  meio difcil de estudar sabendo que posso ser expulsa antes disso. Sage se sentou na beira da cama de Brandon. Havia 
algo no modo como ela se empoleirou na beirada, a coberta de chenile branca rondando suas pernas bronzeadas, que fez Brandon se sentar de repente um pouco mais reto.
- Como assim? Como voc poderia ser expulsa? - perguntou Brandon. - Voc no teve nada a ver com o incndio. Ele esperava que no tivesse sado como uma pergunta. 
Por que ele realmente duvidava de que ela tivesse alguma coisa a ver. Com o cabelo loiro sedoso e liso, olhos azuis brilhantes, parecia quase impossvel Sage fazer 
uma trapaa dessas. Ela era a imagem da inocncia. Ele a imaginava com asas num carto da Hallmark. 
Sage deu de ombros de novo e passou o dedo numa dobra que ele no tinha percebido.
- Bom, eu estou na lista.
- Todo mundo est na lista. - Brandon agitou as mos despreocupadamente esperando que fosse um gesto tranqilizador de um homem na liderana. Se ele tivesse preparando 
a lista s haveria poucas pessoas nela: Tinsley, por que fala srio ningum mais cruel que ela para comear um incndio; e Easy Walsh s porque ele no se importaria 
de ver ele expulso. Mesmo que ele tivesse comeando a achar que ele no era uma cara to ruim. Ele no poderia deixar de lembrar ele e Carly saindo com pouca roupa 
saindo do celeiro. Ele duvida que os dois tivessem feito alguma coisa intencionalmente, mas era a nicas pessoas que estavam dentro do celeiro. E ele no gostava 
da ideia da sua ex-namorada perdendo a virgindade num celeiro, pelo amor de Deus. Que falta de classe, Uma menina como ela merece lenis de algodo egpcio para 
a primeira vez. Se os boatos fossem verdadeiro e no uma inveno completa.
- No est preocupado? - Perguntou Sage incrdula, a pequena boca se abrindo revelando a Brandon uma obturao de prata num molar. Ela se balanava de um lado a 
outro, tirando uma mecha fina de cabelo da testa. Brandon se perguntou brevemente se ela iria querer ser agarrada num celeiro; parecia mais o estilo de cama de dossel 
com renda branca. Muito mais o estilo de Brandon.
- Vestido bonito - soltou Brandon sem querer, percebendo que estivera encarando a perna magra de Sage. Parecia to inofensivo Vestido bonito! S que ele parecia 
totalmente gay.
- Comprei num brech. - admitiu ela, passando o dedo de leve na bainha.
- Caramba - exclamou ele - Que escndalo - observou ele. As meninas tinham a mania estranha de achar que roupas de segunda mo era melhor que roupas novos. A nica 
diferena era que algum tinha usado antes.
- Voc nem imagina. - Sage olhou pra ele atravs do clios compridos fingindo constrangimento. - Na verdade e de um bazar de uma igreja qualquer de Great.
Brandon riu. Ele se lembrava vagamente que a famlia de Sage era uma espcie de bares da cermica no oeste. Mas agora tinha uma imagem carinhosa de Sage vasculhando 
araras de roupas de uma senhora num poro antigo se uma igreja de pedra, procurando por um vestido Chanel. Era to anti-Waverly e totalmente lindo.
- No conte a ningum, t lega? - A voz de Sage era adoada de ironia e ela inclinou pra frente como quem conspira. Brandon teve que se segurar pra no olhar o decote 
do vestido.
- Tem algum outro segredo? - Ele passou a mo pelo cabelo castanho-dourado, erguendo a sobrancelha sugestivamente.
- Meu segundo dedo do p e maior que meu dedo. - Respondeu Sage de pronto chutando de brincadeira e chupando as bochechas.
- Dizem que  marca de um gnio. Deixa-me ver. - Inclinando-se para frente, fingindo pegar a plataforma de Sage de camura preta, mas ela riu e rapidamente cruzou 
a pernas por baixo do corpo. A cama quicou fortemente o movimento e os guinchos escandalizando os di por um momento antes de comearem a rir.
- No pode simplesmente segurar o p de uma mulher tem que conquist-lo - disse ela cheia de charme e corando.
Brandon se virou pra ela sorrindo 
- E como  que... Heath apareceu repentinamente na porta, com seu candidato a ssia nos calcanhares. 
- Ah, desculpe - O peito de Heath subia e descia e a camisa cinza desbotada da Waverly grudava ali como uma atadura. Parecia que algum comeara a tranar o cabelo 
dele e desistido no meio, umas trancinhas desbotavam de um lado como mato em um jardim. -Cara, o Sam vai ficar aqui com voc um pouquinho. 
- Mas eu queria ir com voc - protestou Sam. Ele tambm usava uma camisa da Waverly s que era engomada e limpa, parecia que fora comprada hoje de manha numa loja 
onde vende tudo da escola. Brando olhou pra Sage que riu de Heath e Sam e saiu rapidamente da cama arrumando a bainha do vestido.
- Cara voc quase me matou agora mesmo. Fique aqui - Heath virou pra Brandon - Tenho que prepara umas coisas para festa e no posso ficar com ele. Segura esse garoto 
aqui. - Heath desapareceu pelo corredor e Sam foi atrs. Parecia que Heath tinha tomado o primeiro lugar na lista de prioridades de Sam.
Sage foi para a porta devagar, o cabelo louro e fino caindo nos ombros.
- Eu devia... er... quem sabe ir embora?
- Ah, tudo bem. - Ele assentiu, sem saber se devia tentar impedi-la. Ele estava grato que Heath e Sam desaparecessem por um tempo para poder se despedir dela, sem 
ter os dois xeretando. - Mas te vejo na festa mais tarde, n?
Ela olhou da porta e abriu um riso sedutor pra ele.
- .
A porta se fechou e Brandon se deitou no edredom xadrez, passando o p no cobertor em que a Sage tinha sentando, ainda estava quente. Se ele tivesse sorte Sage estaria 
no esprito agora-ou-nunca da festa. E ele tambm.



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UMA WAVERLY OWL SENSATA SABE QUE  MUITO MAIS DIVERTIDO PAQUERAR QUANDO OS OUTROS ESTO OLHANDO


- Pepperoni, presunto e pistache - respondeu Julian, fazendo uma careta para Chloe, mas Jenny no conseguiu deixar de rir tambm. - T legal, minha vez. Deixa eu 
pensar em uma complicada. - Ele coou o rosto, concentrado. - Que tal M? E no pode falar "mozarela".
- Conta o tempo - disse Chloe, pronta para o desafio de dar o nome de trs coberturas de pizza que comeassem com a letra M. Julian olhou o pulso e disse, "Vai".
- Marshmallow... - A voz de Chloe falhou enquanto ela lutava para pensar em outra resposta. Jenny olhou o prazer de Julian em provocar Chloe. Ela estava feliz por 
Julian ter sugerido comer uma pizza no Ritoli's, longe da multido enlouquecedora de Waverly Owls aos cochichos. Era bom deixar de sentir o cheiro de madeira recm-encerada 
do piso e substitu-lo pelo cheiro delicioso de pizza.
O Ritoli's era um restaurante familiar localizado h anos no centro de Rhinecliff. Provavelmente tirava metade de sua receita das entregas  noite para meninos da 
Waverly - e a outra metade de visitas de meninas da Waverly. Era uma das preferidas entre as Waverly Owls porque sempre havia garons italianos bonitinhos, todos 
morenos, sarados e prontos para levar os pedidos. Mas Jenny no estava interessada nisso hoje - estava muito mais interessada no menino alto e descabelado sentado 
de frente para ela.
- Macadmia! - gritou Chloe de repente, alarmando o casal da cabine ao lado. - , essa  boa! - disse ela toda animada. 
- Eu no perderia tempo me gabando - alertou Julian, apontando o relgio fantasma. - J passou quase meia hora. 
- No passou, no! - Chloe apelou a Jenny, batendo ansiosamente o garfo na toalha de mesa xadrez vermelha e branca.
Jenny deu de ombros, batendo a mo no relgio vermelho de plstico. Estava com a camiseta Jill Stuart preta de manga bufante preferida e o jeans Antik sujo de tinta, 
e se sentia bonita, confiante e relaxada. Ou talvez fosse Julian que lhe provocasse essa sensao.
- Vocs esto roubando - censurou Chloe, embora rapidamente fosse distrada pelo aparecimento do garom, que baixou uma pizza fumegante de queijo e cogumelos diante 
deles. Por sorte, era um garom que Jenny nunca vira. Ela ficou aliviada que Angelo, o cara da pizzaria que Tinsley tinha obrigado a participar da Verdade e Conseqncia 
na ltima reunio da Caf Society; uma sociedade pretensiosa e exclusivamente feminina que Tinsley tentara criar e que morreu antes da decolagem, no estivesse por 
aqui.
Julian arqueou uma sobrancelha para Jenny, como um vilo dos filmes Masterpiece Theatre de sbado  noite que o pai via s vezes na PBS. O programa fez Jenny sentir 
que estava numa dessas comdias romnticas em que a me solteira testa seu pretendente levando a filha irritante a um encontro. Julian claramente estava gostando 
do papel de divertir Chloe- talvez at demais. Chloe dava a maior mole pro cara.
Mas Jenny no a culpava. Com uma camisa Abercrombie & Fitch xadrez amarela por cima de uma camiseta vermelha com a imagem do Snoopy deitado num globo, as palavras 
SALVE NOSSO PLANETA recurvadas por cima, Julian estava irresistvel. 
- Vai,vai,vai! - Julian espicaou Chloe, enquanto tentava aturdi-la. Jenny se lembrava de como o irmo mais velho, Dan, usava a mesma estratgia para deix-la maluca 
nos jogos de famlia de Boggle e Palavras-cruzadas, e sempre dava certo. Julian contou que tinha duas irms mais novas, ento  claro que ele era especialista em 
tortur-las. - Cinco segundos e eu veno. Cinco, quatro...
- T legal, eu tenho uma. Para a contagem.
- Trs e meio, trs... - Julian pegou um pedao de pizza de cogumelo e colocou no prato. Entregou-o a Jenny com um sorriso malicioso.
- S vou falar quando voc parar de contar. - Chloe cruzou os braos, fazendo beicinho. Abriu um meio sorriso de gratido a Julian quando ele lhe serviu um pedao 
de pizza tambm.
- Dois e meio...
Jenny deu uma mordida na pizza fumegante, na esperana de que o queijo derretido no grudasse em seu rosto. Depois de servir  duas meninas, Julian colocou dois 
pedaos no prprio prato.
- Dois e um quarto... - Julian bateu o dedo no pulso sem relgio para indicar que o tempo estava se esgotando.
- Marasquino! A cereja! - soltou Chloe, parecendo satisfeita consigo mesma. Jenny ficou surpresa ao ver a atitude que a menina parecia criar quando estava perto 
de Benny, Sage e aquelas meninas. Ela provavelmente podia se virar sozinha na Waverly. Com um cardig de cashmere preto Banana Republic, ela comeava a parecer cada 
vez mais uma aluna da Waverly e menos algum que tinha explodido de um catlogo da L.L. Bean.
Julian soltou um zumbido.
- Desculpe, mas obrigada por jogar - disse ele, com uma voz de locutor de TV. - Mas as cerejas so marcianas, e no marasquino.
- Como ? No  verdade. Preciso de um juiz - contra-atacou Chloe, apelando de novo a Jenny. Seu rosto normalmente branco estava corado.
Jenny tinha um pouco de medo de provocarem Chloe e ela se descontrolar, ento tomou o caminho do meio. 
- Sinceramente no sei. - Ela deu de ombros.
Chloe atirou as mos para o alto, exasperada. Olhou loucamente em volta e Jenny por um momento se preocupou que ela fosse perguntar ao casal que eles tinham perturbados 
antes. Mas Chloe acenou para o garom mais prximo, que por acaso era Angelo, para grande constrangimento de Jenny.
- Como chamam essas cerejinhas que tm gosto de doce? - perguntou Chloe. Angelo se concentrou em Jenny, como se tentasse se lembrar do nome, ou situar seu rosto, 
e Jenny afundou um pouco na cadeira, sorrindo educadamente para ele antes de virar a cara e olhar o cardpio no alto da cozinha.
- No sei - disse Angelo, girando a bandeja vazio no indicador -, mas no temos essa.
A discusso continuou pela rua depois que a conta foi paga.
- Marciano  o sobrenome do Rocky, Man. - Chloe brincou com Julian, que andava de costas na frente dela.
Ele comeou a danar em volta de Chloe com os punhos no ar.
- Adrienne! - gritou ele, imitando o grito famoso de Stallone, as pessoas nas ruas de Rhinecliff parando para olhar. Jenny riu e Julian rapidamente se virou para 
ela, tocando o punho de leve em seu brao. Ele o manteve ali um segundo a mais do que o necessrio.
- No o Rocky do filme, o da vida real - Chloe corrigiu, revirando os olhos como se Julian fosse verdadeiramente ridculo.- Ah, que legal- disse ela, distrada pelo 
abajur de vitral que girava na vitrine da Knick-Knac Shack, a loja de quinquilharias de Rhinecliff. As crianas da Waverly gostavam de comprar moblia irnica na 
Knic-Knac Shack, como porta-copos feitos de antigos discos rotao 45. A loja dividia uma entrada com a Next-to-New, um brech que todo mundo na Waverly chamava 
de Not So New. Jenny viu um par descolado de botas de couro anos 1980 na altura do tornozelo. - Vou dar uma olhada... volto logo - anunciou Chloe, entrando na loja 
antes que eles a pudessem impedir.
Jenny se virou para Julian, feliz por ter um momento sem Chloe.
- A pizza foi uma boa ideia. Obrigada por me tirar do campus. - Ela protegeu os olhos do sol severo da tarde, perguntando-se o que ela fez com os culos arranhados 
de aviador. - Acho que eu estava meio doida da agitao.
- O prazer foi meu. - Julian fez uma mesura, a camisa Abercrombie aberta flutuando nas laterais. Mesmo curvado, ele era mais alto do que ela. - O melhor para minha 
melhor amiga.
Jenny riu.
- Pensei que talvez quisesse sair do campus porque estava me escondendo de sua outra namorada.
Julian se endireitou, o cabelo castanho-alourado desgrenhado voando na cabea. O sangue subira  cabea e a cara estava meio corada.
- , ela  muito ciumenta. Tenho que ser discreto - brincou ele, encostando-se na vitrine da loja.
- E foi por isso que voc se escondeu no armrio das vassouras e atrs de arbustos perto do meu alojamento para falar comigo? - Jenny tombou a cabea de lado sedutoramente, 
os cachos escuros quicando. Ela no sabia bem o que rolava com Julian, mas ele a fazia se sentir volvel, despreocupada e ainda assim segura.
- Voc v a minha alma. - Ele assentiu, um sorriso enroscando os lbios bonitos. Ele se inclinou para frente e deu uma espiada na Knick-Knack. Jenny teve esperanas 
de que ele estivesse se certificando de que Chloe no estava por perto, para poder beij-la.
Ela olhou para Julian, incapaz de tirar o sorriso da cara. Ela nem acreditava - Julian gostava dela esse tempo todo, e at arranjou para se encontrar com ela. Nada 
podia ser melhor do que isso. Ele era to lindo, to divertido, to doce... E estas, Jenny percebeu, foram todas as qualidades que a atraram em Easy.
Mas o contrario de Easy, ela sabia que Julian jamais mentiria para ela.


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De: TinsleyCarmichael@waverly.edu

Para: Chloe.marymount@gmail.com

Data: Tera-feira, 15 de outubro, 18:09

Assunto: E ai?

Oi Chloe,

Espero que seu dia tenha sido bom. S pensei em ver se voc quer se arrumar comigo para a festa desta noite...

Tinsley.
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De: Chloe.marymount@gmail.com

Para: TinsleyCarmichael@waverly.edu

Data: Tera-feira, 15 de outubro, 18:11

Assunto: Re: E ai?

Aimeudeus, Tinsley, adorei total. Mal posso esperar!

XOXOXOX

Chloe

PS: O que vai vestir? Acha que posso pegar alguma coisa emprestada?
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UM WAVERLY OWL NO FALA MAL DA 
NAMORADA COM O EX



- Voc l o dia todo mesmo? Nunca joga vdeo-game? - Sam atirou o PSP de Heath na cama e olhou para Brandon com expectativa. 
-  - disse Brando severamente na esperana que Sam o deixasse em paz. Ele estava pronto para abaixar o exemplar de Grandes Expectativas, que ele estava mais que 
disposto a deixar de lado mesmo, e meter uma raquete de squash no nariz maltratado de Sam.
- Se no tem mais nenhum game, a gente pode pelo menos ver algumas meninas?
Brando ainda estava furioso com Heath por ter largado o Sam com ele. E ainda tonto do fato de Sage Francis ter aparecido na porta, uma viso adorvel com o vestido 
Jackie O, o cabelo louro liso e preso com fivelas, e de ter dado em cima dele. Sage Francis. E tudo que ele precisou fazer foi mandar uns sms para ela. Quem diria 
que as menina pudessem ser to simples? Certamente no Heath, que encheu seu protegido com todo o tipo de ideias malucas.
- T legal, vamos a algum lugar. - Brando se levantou e vestiu um suter de capuz Hugo Boss por cima da camiseta branca bsica. Pegou a carteira de couro surrada 
da Prada e a colocou no bolso da sua cala cinza carvo. 
- Ver umas meninas? - Sam pulou da cama e ficou de frente para o espelho de Heath, ajeitando o cabelo louro acastanhado empinado com gel. - Gostei daquela que estava 
aqui antes. Sage? Tem boas pernas.
Brandon saiu pela porta, sacudindo a cabea. Onde e que ele levaria esse mala? Enquanto andava pelo corredor, ele passou pela porta entreaberta de Easy Walsh. E 
claro Easy e Alan passavam a maioria da noite jogando X-box, passando do horrio de dormir, no mudo, soltando de vez quando um gemido ou grito, quando ele matava 
aliengenas, ou qualquer coisa que eles selecionavam para jogar. Brandon bateu na porta respirando fundo, tentando no pensar nos boatos que Easy e Carly tinham 
dormido juntos.
Houve uma pausa, depois uma voz sonolenta disse "Sim?".
- Voc tem Wii? - perguntou Sam, empurrando Brandon de lado, colocando a cabea pela porto para procurar o sistema de jogo no quarto do alojamento.
Easy estava de costa na cama, com um jeans desbotado, e um suter verde que parecia poder o livro de histria americana de cara para baixo no peito.
- Como e? - Perguntou ela apoiando-se nos cotovelos, depois balanou a cabea. - No, tenho um X-box... mas esta quebrado. A cara de Sam se iluminou e desabou de 
imediato.
- Ele est procurando games novos - disse Brandon num tom de desculpas.
- Vou ter que ir  cidade comprar lpis de carvo - Disse Easy esfregando os olhos azuis sonolentos. - Vocs podem vir comigo se quiserem. - Sam no parecia impressionado 
at Easy falar - Tem um fliperama. 
- Legal - gritou ele sendo um menino de 13 anos, deixando de ser o mini de Heath por um momento.
Eles foram at Rinechlif lado a lado, Brandon de um lado de Sam e Easy do outro. Brandon ficou calado enquanto Easy e Sam discutiam sobre os mritos e desvantagem 
do X-box, Wii e Playstation.
- Qual de vocs  o melhor em House of Dead 4? - Sam piou enquanto a rua principal do centro entrava no campo de viso. Era uma tarde quente de tera feira a cidade 
estava lotada de alunos. O hippie com quem alguns meninos, de vez em quando comprava erva, tripulava uma mesa de blusas de batik muito bem dobradas em cada cor. 
Brandon duvidava muito que os caras que estavam ao redor estivessem comprando camisetas.
Ele olhou de lado para Easy que retribui com um sorriso torto.
- Nunca ouvi falar desse jogo - disse Brandon, procurando rostos conhecidos na multido. Pensou ter visto Jenny mais a frente, olhando as vitrines de um brech, 
o cabelo estava solto e cados nas costas em cachos luxuriantes e escuros. Como Easy podia ter terminado com ela?
- Ah, sem essa cara - disse Sam chutando uma pedra, mandando de volta para um BMW verde estacionado na rua. Eles viraram a esquina e ficaram de frente para o fliperama. 
Os olhos de Sam se iluminaram de ganncia. - Quem quer jogar primeiro comigo?
- Quem t pagando? - perguntou Easy maliciosamente, os polegares nos bolsos sujos de tinta. Duas semanas atrs Brandon teria desconfiado que Easy sujasse suas roupas 
com tinta em lugares estratgicos; uma mancha de vermelho no joelho, trs gotas de verde na coxa esquerda, para parecer ao Maximo um artista para as meninas. Porm 
com Easy agindo como um ser humano decente com ele, Brando estava disposto a dar o beneficio da dvida. Ele era s um porco mesmo.
- Voc tem moeda de 25, no tem? - perguntou Sam. 
Brandon sacudiu os bolsos vazios.
- No.
A cara de Sam caiu quando Easy deu de ombros.
- Acho que vou ter que trocar uma nota de vinte. - Sam suspirou. 
- Aposto que voc pode comprar fichas no fliperama - raciocinou Easy. Ele sacou o celular do bolso e olhou, provavelmente vendo se tinha uma mensagem de Callie.
- T brincado comigo? - respondeu Sam apavorado. - As taxas so terrveis. Ficha  pra man, voc tem que trazer suas prprias moedas. - Ele apontou o polegar para 
o banco. - Vou entrar.
Brando e Easy esperavam do lado de fora enquanto Sam entrava na fila comprida do banco para trocar as moedas. Eles remexiam os ps sem jeito na calada.
- Vou dar uma passada na farmcia e comprar meus lpis - anunciou Easy de repente querendo evitar silncios constrangedores tanto quanto Brandon.
Brando assentiu devagar. A farmcia era o nico lugar que vendia todo o tipo de produto de primeira necessidade e tinha um longo corredor para material escolar, 
mas mesmo assim Brando no deixou de pensar que ele poderia estar estocando camisinhas.
- Ei - disse Easy de repente batendo no Malboro vermelho que se projetava do bolso. -Lamento que as coisas no tenham dado certo com a Elizabeth. Soube do que aconteceu 
mais acho que voc agiu bem.
Brandon procurou sinais de zombaria no rosto de Easy, mas no achou nada.
- Obrigado - disse ele. - Foi meio chato.
- De repente ela muda de ideia - colocando os culos de sol de aviador sem grife no rosto. - Nunca se sabe. 
-  - disse Brandon olhando para a rua, procurando por Jenny de novo, mas ela desaparecera. - Mas  simplesmente... impossvel demais!
Um segundo depois Brandon acrescentou:
- Mas soube que voc e Callie se entenderam - Easy assentiu, mas para o interesse de Brandon ele parecia inseguro, como se no tivesse certeza. Como se quisesse 
evitar os olhos de Brandon.
- Isso  legal - disse Brandon.
-  - Easy puxou fundo a fumaa, se perguntando se era a coisa mais inteligente fumar em pblico agora. Que se foda. Alm disso, era bom ficar ao ar livre. Assim 
que ele saiu do Staxx de manh sua ansiedade voltou e ele passou toda  tarde, engaiolado no quarto, preocupado. Callie estava tramando uma coisa, e ele no se espantaria 
se Tinsley estivesse por trs. - Voc j, er, conversou com ela?
Uma mulher idosa passou entre eles, e Brandon abriu a porta do banco para ela. A senhora sorriu gentilmente para Brandon dando uma olha no cigarro de Easy, fazendo 
uma carranca por sobre o ombro. 
- Com Callie? No. Recentemente no.
- Ah - Easy no sabia como levantar o assunto sem parecer estar falando mal de Callie para Brandon. Deu outro trago no cigarro, as velhinhas que se danassem. 
- Por qu? - perguntou Brandon com curiosidade. Esta conversa esta ficando meio esquisita. Easy perguntado sobre Callie?
- S estava me perguntando se voc saberia o que ela estava aprontando.
- Ela est aprontando alguma?
- Bom todo mundo parece estar apontando dedos para mim e para ela por causa do incndio - ele embolou a frase para passar um assunto que nenhum dos dois queria discutir 
- E eu estou preocupado com ela fazendo alguma cosia drstica para salvar o dia.
Brandon riu, alisando uma ruga nas calas.
- Tipo o qu? Fazer uma coisa pior pra criar distrao? - Ele se encostou  parede de tijolos aparentes do banco. - Seduzir o reitor?
Easy sorriu contra vontade, chutando o meio fio.
- No, eu s estou com a sensao estranha que ela v aprontar alguma coisa e que Tinsley est envolvida.
- Aquelas duas no precisam de ajuda para entrar em confuso - observou Brandon. Duas meninas do segundo ano passaram por eles, dando risadinhas timidamente. 
Easy olhou pra vidraa imensa e blindada do banco, para ver quanto tempo eles ainda tinham. 
- Estou preocupado que seja alguma coisa contra a Jenny - soltou ele. Ele chegou a essa concluso essa tarde. Se Callie estava convencida de que Jenny tivesse comeado 
o incndio e ia ser mandada para casa, no era extrapolar pensar que Callie adiantaria o processo. E se houvesse um plano pode aposto que Tinsley era o crebro. 
Isso explicaria tudo: a conversa aos cochichos no estbulo outro dia, a amizade restabelecida, e a certeza de Callie que no seriam expulsos.
Brandon colocou as mos nos bolsos e olhou bem nos olhos deles e levantou uma sobrancelha dourada.
- Jenny?
- , eu sei que uma loucura, mas sempre volto a mesma ideia. Eu... - a voz de Easy falhou. A garganta seca parecia rachar se ele continuasse a falar, mas ele tinha 
que confessar com algum. - Eu sinto que ferrei com a Jenny e espero que isso no acontea mais. - Embora estivesse feliz por ter voltando com a menina que ela amava, 
ela ainda se sentia pssimo pelo modo que abandonara Jenny para ficar com Callie.
- Se acha que ferrou com ela - disse Brandon devagar se forando para no ser crtico demais - por que no pede desculpa?
- Talvez eu faa isso - disse Easy ruminando. Parecia to simples. Mas dois anos de namoro com Callie tinha ensinado a ele que elas no so simples. - Valeu, eu 
te devo uma.
- Me d apoio amanh - brincou Brando. 
Easy assentiu com gravidade.
- Fechado. 
Eles trocaram um aperto de mo, e Easy foi a um passo saltitante para a farmcia. Talvez as coisas no final ficassem bem. Talvez ele s estivesse paranico. E Callie 
e Tynsley no podiam estar tentando seriamente incriminar Jenny pelo incndio. Callie nunca faria uma coisa assim, ou faria?
Porque isso significa que a menina que ele amava de todo o corao, no era a menina que ele quisesse amar.


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jennyhumphrey: Vai na festa de Despida dos Suspeitos?
brettmesserschmind: Vou acabo de sair do banho, e vc?
jennyhumphrey: T indo pra l, chega logo, no aguento essa sozinha.
brettmesserschmind: T, mas no se preocupe para isso que tem lcool.
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UMA WAVERLY OWL PERDOA ELEGANTEMENTE, MESMO QUE NO CONSIGA ESQUECER.



Ao se aproximar da cratera, lugar escolhido para a festa de Despedida dos Suspeitos, Jenny no pode deixar de comparar as festas da Waverly com as de Manhattan. 
Em Manhattan, as pessoas tomavam coquetis em bares no Meatpacking District ou iam a festas de gala no Met. Bom, pelo menos algumas pessoas- Jenny s era convidada 
de vez em quando. Na Waverly, as festas eram mais ao estilo de aventura ao ar livre. A Cratera era uma depresso relvada a algumas centenas de metros do bosque, 
ao sul do campus. O lugar ficava perto o bastante para matar aula e fumar um, mas longe o suficiente para no ser flagrado. Com o passar dos anos, alunos diligentes 
da Waverly colocaram bancos de tronco cercando a Cratera, para que a coisa toda parecesse uma espcie de solo de reunies medievais. Ir a uma festa ali era mais 
ou menos como ir a uma festa em Stonehenge.
Nesta noite, Heath tinha de fato se superado. Havia tendas aquecidas pela borda da Cratera para que parecesse uma verso de classe das choupanas da poca da Depresso 
que Jenny estudara na aula de histria americana. Todo o lugar fervilhava de alunos com roupas vermelhas, laranja e amarelas, como se todos tivessem tido a mesma 
idia. Uma pequena fogueira crepitava no meio da Cratera, lanando sombras bruxulentas na cara de todos, e assim era complicado distinguir quem era quem. Na verdade 
era um cenrio meio romntico e Jenny estava louca para que Julian aparecesse, assim eles poderiam ser um casal meloso e ficar se olhando nos olhos e se beijando 
perto da fogueira.
Ela margeou a fogueira com seu jeans Seven preto preferido e o suter de gola redonda Mac by Mac Jacobs preto de mangas compridas que ela achou vasculhando as prateleiras 
de liquidao da Barneys. Era uma blusa linda, feita de algodo mais macio possvel, com uma gola debruada de renda. Infelizmente estava completamente escondido 
pela camiseta laranja idiota dos Suspeitos que ela vestira por cima. Jenny se sentia ridcula, mas todo mundo na lista de suspeitos do reitor usava a camiseta e 
ela no queria que ningum pensasse que ela achava que estava acima de qualquer suspeita.
Jenny ficou de olho em sua colega de quarto o tempo todo, zanzando pela Cratera enquanto Callie passava pela multido, a fim de no esbarrar nela. As duas tambm 
se evitavam no quarto, o que era relativamente fcil, agora que Callie passava todo tempo livre com Easy. Jenny encheu o copo de plstico com o Jungle Juice recm-aberto. 
Apertou os dedos na pele de alabastro, esfregando os braos para afugentar um arrepio provocado pela queda da temperatura e pelo copo gelado na mo.
- Com frio?
Jenny girou o corpo de repente, prendendo um cacho do cabelo castanho no olho. Esperava encontrar Julian parado ao lado dela. Em vez disso, era Easy Walsh que no 
tinha dirigido a palavra a ela desde que terminaram na semana anterior.  claro que ela o vira por ai desde ento, mas estava bem evidente que ele a evitava. Ela 
tomou um gole do copo de plstico e o manteve nos lbios por mais tempo do que o necessrio, querendo que ele dissesse a que veio ou fosse embora.
- O Heath se superou de novo, n? - Os olhos azul-escuros de Easy percorreram nervosos o rosto de Jenny. Era bom v-lo nervoso. Ela nunca teve uma posio vantajosa 
em nada e estava decidida a no ceder a Easy Walsh, como todo mundo fazia. Embora ele estivesse meio lindo com a camiseta laranja dos Suspeitos, que j estava suja 
de mato. Do qu? De rolar no bosque com Callie?
- A fogueira foi um toque ousado, tenho que concordar - respondeu Jenny, olhando a multido  procura de pessoas com quem ela realmente quisesse conversar. Brandon 
estava perto do fogo, mas sua cabea se virava para Sage Francis e eles pareciam imersos numa conversa. Brett ainda no chegara e Kara estava deitada no cho, olhando 
as estrelas pela abertura na copa das rvores, com Heath. Isso era meio estranho. Alison estava ajoelhada diante da fogueira com Alan ao lado dela, tostando um marshmallow 
numa vareta comprida. Parecia que Julian tambm no tinha chegado. Pronto, pensou Jenny, essa era a gama de pessoas com quem ela queria conversar. Seis semanas na 
Waverly e ela podia contar os amigos numa s mo. E ela pensou que estava se dando bem.
- Eu esperava te ver aqui - disse Easy, a voz assumindo um tom meio esquisito.
Jenny no pde deixar de se perguntar o que ele quis dizer com isso. Por que. Para poder me humilhar de novo? Para poder fingir que gostava de mim at sua ex-namorada 
voltar? Para poder me culpar pelo incndio?
Ela chegou  concluso de que no era nada disso, pontuando o silncio com um simples "Ah?"
Easy batia no cho com os sapatos de boliche Camper marrons -beira-da-desintegrao. Coou a nuca, o fogo crescente refletido nos olhos azul-escuros.
- Mas ento, eu queria te pedir desculpas por tudo. - Ele se curvou e pegou uma vareta no cho, tentando torc-la nos dedos.
Jenny se virou para ele pela primeira vez.
- Eu nunca, er, quis magoar voc. - Ele largou a vareta de repente e passou a mo no rosto. Baixou o tom de voz para que Jenny tivesse de se aproximar um pouco para 
ouvir. - E eu realmente no queria que voc descobrisse sobre mim e Callie... desse jeito - ele continuou, a cara ficando vermelha, provavelmente da lembrana dos 
dois fugindo seminus do celeiro em chamas diante de todo o campus. - Sei que foi horrvel para voc. Nem posso imaginar... - Ele lutou para completar a frase, incitando-se 
com um gole de Jungle Juice do copo vermelho.
- , tudo bem. - O pedido de desculpas significava muito para Jenny, mas ela no conseguia absorver totalmente isso com todo o tumulto em volta deles. Ryan Reynolds 
esbarrou ao passar, perseguindo uma menina do segundo ano com sai curta e gritando, " Eu tambm sou suspeito! Eles se esqueceram de me dar uma camiseta!"
- E eu sei que Callie est sendo um p no saco total agora - acrescentou Easy, baixando a voz um pouco. - Com o incndio e tudo. - Ele tossiu, ainda falando baixo. 
- Ela est totalmente paranica que, er, voc tenha nos colocado na lista, er, para encobrir o fato de que foi voc que colocou fogo no celeiro.
Jenny ficou parada em silncio, fumegando.
- S percebi como isso  idiota quando falei em voz alta. Sei que voc nunca faria uma coisa dessas. - Easy a olhou e, pela primeira vez desde que eles comearam 
a conversar, Jenny olhou em seus olhos. Sabia que ele realmente achava que a teoria de Callie era maluca, o que fez com que ela se sentisse um pouco melhor. Ele 
engoliu em seco, o pomo de Ado subindo e descendo. - Cara, isso tudo  uma merda.
Jenny sentiu a nuvem dos ltimos dias se levantando. Se Easy estava do lado dela, talvez as coisas acabassem bem.
- Obrigado por... me dizer tudo isso - disse ela. Ocorreu-lhe o quanto sentia falta de conversar com ele. Easy era o tipo de cara que voc queria em sua turma. - 
Significa muito para mim.
Do outro lado da fogueira, Callie fuzilou Easy e Jenny com o olhar, sem saber se seu rosto corava pelo calor das chamas ou pela viso deles juntos, falando com tanta 
intimidade. S conseguia pensar que algumas semanas antes Easy a largara por essa piranhazinha. No havia duvida nenhuma para ela: Jenny tinha que ir embora.
Sem o menor cuidado ela despejou no cho o restante de Jungle Juice que estava no copo, a cabea j zumbindo do lcool. Depois olhou a festa procurando pela nica 
pessoa cuja presena a reconfortaria. Seus olhos finalmente caram em Tinsley. A amiga de cabelos escuros estava de p com Chloe perto de uma das tigelas de Jungle 
Juice, servindo um copo cheio  menina. Callie sorriu e foi em sua direo. Tinsley ficaria feliz em saber que ela estava de volta, pronta para conseguir a expulso 
de Jenny de uma vez por todas.



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UMA WAVERLY OWL NO SE ENVOLVE EM BEBEDEIRAS COM MENORES DE IDADE



- Nome? - Brett deu um salto, sem perceber que quase pisou em Sam, que montava guarda atrs dela, segurando uma prancheta. Ela percebeu algumas camisetas com SS 
na frente e SUSPEITOS DE SEMPRE nas costas - viu Brandon com uma e Benny tambm. As de Sam era da mesma cor dos os outros, mas trazia outros caracteres na frente 
MD, hein? O que isso queria dizer? Sam se virou pra atormentar umas meninas do segundo ano que no tinham nome da lista. Brett leu as palavras ME DEFLORE nas costas 
e revirou os olhos. 
- Aqui esta a sua camiseta - disse ele numa voz montona virando-se para Brett. - Pode se trocar ali na tenda - ele parou - ou aqui mesmo!
Bret revirou os olhos novamente enquanto algum que conhecia vagamente da aula de Latim dava pra ela um drinque vermelho e laranja. De imediato ela teve um flashback 
da sua primeira e desastrosa festa na escola, que ela bebera demais e ficou abraada a uma arvore a festa inteira. Ela cheirou o contedo do copo plstico e um odor 
de vodka encheu seu nariz. Ela tomou um gole e sentiu o sabor conhecido de Jungle Juice, um dos elixires preferidos de Heath.
Brett deu uma olhada na festa na esperana de encontrar a cabeleira acastanhada de Kara. Ela queria pedir desculpas pelo seu ataque de mau humor mais cedo, mas na 
conseguia ver Kara na massa de corpos conhecidos em volta da luz palpitante da fogueira. Verena Arneval entrava no esprito agora-ou-nunca com um segundanista jogador 
de tnis. Os dois pareciam danar uma msica que s os dois poderiam ouvir, apertados precariamente perto da fogueira. Brett viu a cabea cheia de cachos de Jenny 
e estava preste a ir ate ela, mas percebeu que ela conversava seriamente com Easy, logo ele. Mas o que era isso? Brett olhou em volta e no Heath em lugar nenhum, 
provavelmente tinha bebido de mais e tinha desmaiado no bosque. 
Brett sentiu uma mo forte em seu brao nu e se virou. Ser que era Ryan Reynolds atormentando de novo? Mas era Jeremiah, indefeso, erguendo as mos para cima em 
sinal de rendio.
- Ei, ei - disse ele recuando. Com a camiseta plo James Porse preta por cima da camiseta de mangas cumpridas vermelha e as calas verde desbotadas da J.Crew, ele 
estava incrivelmente familiar. Ele aparara o cabelo ruivo desde a ltima vez que ela o vira, na desastrosa festa no Dumbarton, duas semanas antes. Estava muito menos 
desgrenhado, embora ele tivesse deixado uma barbichinha crescer nas bochechas e no queixo, o que tornava ainda mais definido seu queixo quadrado e anguloso. - Eu 
sou inocente, juro. - Apesar de ser de uma famlia tradicional e rica de Newton, subrbio de Boston, Jeremiah falava com sotaque. Quando eles namoravam seu sotaque 
caipira sempre incomodara Brett, mas agora era bonitinho. 
- Jeremiah. - Brett ficou nas pontas dos ps e deu dos beijos no rosto. Ele tinha um cheiro amadeirado e limpo. Era bom v-lo. - O que voc ta fazendo aqui? - Embora 
os alunos da St. Lucius costumassem aparecer nas suas festas, era noite de tera-feira ela sabia que ele tinha um grande jogo, ento ela pensou que fosse improvvel 
que ele aparecesse nesta festa. Se ela soubesse que ele vinha tinha certificado de responder o e-mail dele. Agora Brett sentia mal por t-lo ignorado, sobrecarregada 
demais sobre o incndio e pela coisa com Kara pra pensar no que dizer.
Jeremiah corou. Ela sorriu lembrando da facilidade que ela o fazia enrubescer.
- Soube da audincia, ou sei l o qu, ento se essa for a ltima noite... - Ele a olhou as mos ainda na cintura do abrao  - Eu queria me despedir direito.
- Voc  um amor. - Brett olhou nos seus olhos verde-azulados e sentiu um frio estranho na barriga. Devia ser a bebida batendo. Ela ergueu o copo de plstico aos 
lbios ainda sorrindo pra ele. Sentia-se to... livre. Toda a cena de completa irreverncia, o fato de que todos se divertiam com o incidente do incndio, at assumiram 
que tudo aquilo era uma insanidade, era muito melhor que fofocar pelas costas dos outros e fazer acusaes. Ela ainda no vestira a camiseta laranja idiota, estava 
com a bata preta linda que pegara emprestado de Jenny, e no a queria cobrir. Mas quando viu Alison usando a camiseta SS oito numero maior, concluiu que era bem 
bonitinha. Ento porque no? Entrando no esprito da coisa ela estendeu o copo para Jeremiah. - Segura para mim?
- Qualquer coisa por voc, B. - Ele disse sorrindo e expondo a fileira de dentes inferiores lindamente tortos. Suas mos imensas e fortes abraando o copo. Brett 
vestiu a camisa cambaleando um pouco, a Vodka na bebida j mexia com seu equilbrio.
Jeremiah tomou um gole do drinque de Brett e fez uma careta e derramou o resto no cho.
- Ei. - Ela o censurou beliscando seu brao. - Eu ia beber isso.
- S pensei em experimentar-ele riu enxugando a boca com a manga - Nunca vai entender como e que vocs conseguem beber esses troos. - Jeremiah era um notrio bebedor 
de cerveja e sempre implicara com ela por gostar de coquetel e drinques misturados. De repente ela se lembrou da primeira semana na escola, quando ele a convidou 
para uma viagem num vinhedo da famlia. O pai dele iria inaugurar um restaurante novo e ia a Sonoma para uma degustao de vinho durante o feriado de Ao de Graas. 
Na poca ela no ficou nada entusiasmada. Ela estava em transe com o Dalton e imaginara Jeremiah engolindo, em vez de bebericar todos do vinhedo. Meu Deus ela fora 
to injusta com ele. Tinha esperana que ele a perdoasse ou a perdoasse em breve.
- Vamos arrumar uma cerveja para voc - Por impulso ela pegou a mo dele e foi par ao bosque, onde os barris costumavam ficar nas festas da cratera. Os dedos deles 
eram iguais a melhores amigos que no se viam h sculos. 
- Est nervosa? - perguntou Jeremiah enquanto eles andavam. Galhos estalavam sob os ps dos dois, o bosque tinha cheiro de pinho e romantismo. O barulho sumia  
medida que eles afastavam da multido. - Por causa de amanh quero dizer, cara essa histria  to maluca. 
Brett ficou feliz por estar escuro e Jeremiah no poder ver o quanto ela tinha corado. Quando ele perguntou se ela estaca nervosa, ela pensou na ultima vez que ele 
fez exatamente essa mesma pergunta - na noite que eles pretendiam perder a virgindade juntos. 
Mas antes que qualquer um dos dois pudesse responder, eles pararam cientes de repente de um farfalhar no mato. Brett semicerrou os olhos, esperando que uma coruja 
voasse do cho, mas fora atrada por duas figuras no mato a pouca distancia. Ela ps um dedo nos lbios e Jeremiah assentiu, com um sorriso constrangido no rosto.
- Epa - murmurou ele. 
Os olhos de Brett se adaptaram a luz da Lua. Ela s conseguia distinguir dois rostos das figuras sentadas de pernas cruzadas, sussurrando intimamente na relva. Ela 
ficou paralisada olhando. O que Heath estava fazendo sentado no bosque, s conversando com uma menina? O mini me dele, Sam ficaria desapontado. Ela estava preste 
a virar quando a luz bateu na cara da menina. Kara.
Brett continuou encarando enquanto Heath levantava a mo, colocando no rosto de Kara e erguendo ele para cima. Depois ele a beijou, os lbios dos dois movendo-se 
delicadamente. Brett ficou paralisada, pasma. 
- Ei, onde est o barril?
Ela virou a cabea e viu Benny parada atrs dela, rindo, com os braos de Lon Baruzza em volta da sua cintura mnima. Benny sacudiu o copo vazio, para dar nfase. 
Mas depois viu Heath e Kara e arregalou os olhos.
- Ah, que merda. - Disse confusa para Brett, Brett queria que ela abaixasse o tom, pois Heath e Kara no tinham percebido que ela estava ali e ela na queria que 
eles a vissem. - Por que a sua namorada esta beijando o Heath?! Exclamou Benny em voz alta.
Jeremiah largou a mo de Brett, os olhos azuis esverdeados cheios de mgoa e confuso. 
- Namorada? Ento o que eu ouvi era verdade?
Brett ficou muda, querendo que a fogueira queimasse o bosque todo. Preferia correr de um incndio a se defender - de qu? O que ela fez? Evidentemente ela tinha 
namorada, se sua suposta namorada estava com os lbios grudados com o de Heath. Ela segurou o copo com fora e disse:  - Acho que preciso de outra bebida.



21


UMA WAVERLY OWL ATENCIOSA APRECIA 
O AMOR JUVENIL


Brandon podia sentir o hlito de Sage em seu rosto, de to perto que estavam. Ele segurou a beira do copo de plstico entre os dentes, as mos cerimoniosamente afastadas 
enquanto virava o copo para o cu noturno e tomava um gole de Jungle Juice. Sage riu ao ver um rio de lcool escorrendo pela bochecha de Brandon, e ele sorriu o 
mximo que pde sem deixar o copo cair.
- T legal - murmurou ele entre dentes - Sua vez.
Sage se inclinou e mordeu o copo de plstico. Brandon nunca percebera que os olhos dela eram muito azuis - como o cu no Cape em uma daquelas interminveis tardes 
de vero - ou que sua pele era perfeitamente macia.
- Pegou? - perguntou ele entre os dentes trincados.
- Peguei - respondeu Sage, os olhos arregalados e emoldurados por um delineador azul escuro e borrado. Talvez por isso eles brilhassem muito.
Brandon recuou.
- Sem trapaa. - Ele sorriu com malicia enquanto ela tombava o copo para trs. Ele olhou o pescoo de Sage tomando um gole imenso da mistura alaranjada. Ela soltou 
um grito agudo e se balanou para frente. Cuspiu parte do Jungle Juice de sua boca de volta ao copo.
- Ah, mas que nojo - ele implicou com ela. A essa altura Brandon estava agradavelmente tonto e no conseguiu deixar de dar uma espiada nos peitos de Sage, apertados 
na camiseta laranja SS.
- Deixa eu tentar. - Sam apareceu de repente na frente deles.
- Precisamos ver sua identidade. - Brandon cruzou os braos. Era divertido bancar o duro na frente dos alunos em potencial. Ele podia se acostumar com isso.
- No, fala srio. Sem essa - Sam estendeu a mo para o copo, mas Sage tirou do alcance dele, mantendo-o sobre a cabea de tal forma que uma faixa de pele nua apareceu 
entre seus jeans e a camiseta. Sam beliscou o decalque de DM na frente da camiseta. - Essa camisa coa - disse ele a ningum em particular.
- Tira - sugeriu Brandon.
- No posso. Ainda no - disse Sam a srio.
- E por que no? - perguntou Sage com curiosidade. Ela sacudiu a cabea, o longo cabelo cor de milho e sedoso brilhando em ondas.
- Porque ainda no aconteceu - disse Sam melancolicamente, como se a resposta fosse bvia. Ele olhou a multido e passou a mo no cabelo com gel, o gesto parecendo 
particularmente de Heath. - Vocs viram o Heath? Ele ia me arranjar algum hoje. Ele prometeu.
Brandon olhou a festa, tendo sorte de se esquecer onde estava. Ficou sentado perto da fogueira com Sage, conversando sobre cinema. Sage tinha um pssimo gosto, mas 
pelo menos assumia e deixou que ele implicasse com seu amor por Show Bar e Legalmente Loira. "So filmes de garotas poderosas", explicou ela. Sage era incrivelmente 
despretensiosa e era fcil conversar com ela. Os dentes inferiores eram meio tortos, o que s parecia deixar o resto do rosto perfeito.
- Eu no o vi - Brandon deu de ombros, arrastando o olhar de volta a Sam. - Deve ter desmaiado no mato.
Sam pareceu alarmado, como se Brandon tivesse dito que os pais dele acabaram de morrer num acidente de carro.
- De jeito nenhum, cara. - Ele olhou sensualmente para Sage e se virou para Brandon, baixando um pouco a voz. - Voc pode arranjar algum pra mim? - Ele tombou a 
cabea para Sage, que colocou as mos nos lbios rosa - claros para reprimir o riso.
- Desculpe, cara - disse Brandon, esperando que isso fosse o fim. Sam parecia gravitar para ele sempre que Heath no estava presente e Brandon estava ficando cansado 
disso. Sabia que ia ter que fazer uma tentativa desanimada de procurar por Heath se quisesse mais tempo a ss com Sage.
- Fique bem aqui - Brandon instruiu Sam - e vamos traz-lo para c. No se mexa.
- Tudo bem, mas rpido - disse Sam, desabando num banco de tronco prximo. Ele olhou o imenso relgio de plstico.
- Pode deixar - disse Brandon solenemente. Ele pegou a mo de Sage, que era quente ao toque, e a puxou, conduzindo-a pela multido de baladeiros bbados. No se 
importava de procurar por Heath, mas queria ficar sozinho com Sage enquanto fizesse isso.
- Coitadinho - observou Sage. Era excitante ter a mo quente na dele, embora Brandon se perguntasse de devia larg-la logo.
- Ele fica melhor sozinho - Brandon garantiu a ela. - Heath est enchendo a cabea dele com uma besteira sobre como ele trepou quando era aluno em potencial. - Normalmente 
ele nunca diria "trepou" na frente de uma garota, em especial ningum para quem estivesse jogando charme, mas as palavras escaparam antes que ele pudesse impedir.
- Ridculo - respondeu Sage. Brandon no sabia se ela se referia a Heath ou a seu linguajar. Mas ela no soltou sua mo, ento ele tomou isso como um bom sinal.
- E eu tenho que dividir o quarto com ele - brincou Brandon.
- Desde que os maus hbitos dele no contaminem voc - disse Sage, olhando para ele de lado.
Eles entraram numa das tendas e Brandon olhou em volta, na esperana de ver a cabea familiar de Heath e seus cabelos louros. Mas ali s estavam Erik Olsen e Tricia 
Rieken, o suo e a menina que tinha silicone nos peitos, de cara agarrada e roupas desgrenhadas. Eles se viraram para encarar Brandon e Sage.
- Desculpe. - Brandon pegou a mo de Sage e a levou para fora da tenda enquanto reprimiam o riso. Mas comearam a rir ainda mais quando viram o que acontecia a dez 
metros dali.
Ao que parecia, Sam no esperou que eles voltassem. Estava de joelhos aos ps de Chloe, olhando para ela com um mao de flores silvestres e mato, claramente arrancados 
do cho em algum lugar, nas mos estendidas.
- Mas voc  to linda! - Sam balbuciava para ela. - Eu s quero namorar.
- Aimeudeus, isso  obra de Heath - Sage riu. - Mas tambm  meio gracinha, de uma forma meio louca.
- Tenha d - cochichou Brandon, eletrizado pelo modo como os dedinhos de Sage pareciam se encaixar perfeitamente nos dele. Eles voltaram para a festa animada. Sage 
apertou a mo dele e um delrio que ele no sentia h sculos o tomou, saltando e disparando como a fogueira moribunda.



22


UMA WAVERLY OWL SABE QUE S VEZES 
A VERDADE DI


Jenny procurava na multido crescente, o Jungle Juice fazendo ccegas nos seu crebro. A festa comeara a parecer um incndio furioso: uma massa de corpos em movimento 
vestidos de vermelho e amarelo, e ocasionalmente uma blusa laranja com SS visvel por causa da luz da fogueira. Ela estava louca para ver Julian, hoje ela se sentia 
melhor do que toda a semana, Easy pediu desculpas e um beijo de Julian completaria sua noite.
Ento ela o viu, indo conversar com um grupo de jogadores de squash. Seu cabelo recm lavado e comprido enfiado atrs da orelha. Ele vestia uma blusa azul com listras 
amarelas nas mangas por cima da camiseta dos SS, algo que Heath nunca teria aprovado. Mas Heath no estava ali em nenhum mesmo.
Ela sorriu para ele, indo em direo de Jenny, as pernas compridas o levando para ela rapidamente para o seu lado. Ele pisou numa brasa que saltou da fogueira, amassando-a 
na grama at que se reduziu a fumaa.
- Era s o que faltava, n?
-  mesmo - sorriu Jenny. Ela esperou enquanto ele se serviu de um copo de Jungle Juice e se movia para o seu lado na beira da cratera. 
- Que tal agente, er, da uma olhada no bosque? - perguntou Julian. As chamas da fogueira iluminou seu rosto, e seu nariz torto se destacando nas sombras. Jenny queria 
inclina-se para frente e beij-lo. O bosque? Ele no queria ficar com ela agora mesmo?
- A gente no pode ficar um pouco aqui primeiro - No que ela no estivesse gostando da ideia. Mas ela estava ansiando por namorar e um pouco de momento de casalzinho. 
Ela se sentou na frente em um dos troncos. Era difcil conversar com Julian com um dos dois em p, uma vez que ele era tipo mil metros maior que ela. O pescoo dela 
doa.
- T, claro - Julian se sentou ao lado dela no tronco, mas olhou para traz, para os dois lados, como se para ter certeza se os dois eram observados. - Na verdade 
eu no estou afim do Jungle Juice, soube que tem cerveja em uma das tendas, me ajuda a procurar?
- Claro, tudo bem - Jenny se levantou e eles comearam a andar. - A Chloe est totalmente apaixonada por voc, alis. - Ela no conseguiu deixar de comentar depois 
que eles se separaram e foram para o alojamento, ela no parara de falar dele. 
-  mesmo? - Ele parecia genuinamente surpreso, Jenny adorou o fato dele no ter ideia do tanto que ele era encantador. - Que pena que eu gosto de meninas um pouco 
mais velhas. - Ele levantou as sobrancelhas genuinamente, embora Jenny detectasse uma pontada de nervosismo na voz dele. 
Julian foi  frente e olhou varias tendas, interrompendo vrios casais em estados de nudez diferentes antes de encontras quatro latas numa tenda com luminrias lava-lamps 
de diferentes tamanhos.
- Deve ter um barril em algum lugar - observou Julian puxando as mangas do casaco por cima da mo para lidar com as cervejas geladas que estavam dentro de um isopor.
Jenny concordou, no era possvel que toda a populao masculina da escola, estivesse bebendo Jungle Juice, tinha que ter um barril em algum lugar. Jenny suspeitava 
que Heath preparava a bebida doce no por gostar mais para deixar as meninas bbedas mais rpido.
- Que pena que eu sou nova e voc e calouro. Ns ainda no conhecemos o segredo do barril. - disse ela com um sorriso. Ela gostava que os dois fossem novos na Waverly, 
todo mundo ali parecia ter um passado sombrio e misterioso. Com Julian no, era como ter um novo comeo.
-  verdade. No se preocupe essas vo servir. - Julian sorriu, e a covinha do lado esquerdo apareceu. Ele tirou uma lata do anel de plstico, e ofereceu a Jenny, 
ela negou e sentou do seu lado. Houve um rudo do lado de fora da tenda e Julian quase saltou, olhando por sob os ombros.
- Est nervoso por causa de amanh, n? - perguntou Julian a testa franzida de preocupao. Ela estava feliz por ter identificado o nervosismo de Julian. Apesar 
de toda aquela conversa sobre ter uma namorada linda como libi, ele tinha que estar totalmente em pnico sobre amanh, afinal o isqueiro dele fora achado no incndio. 
-  - Julian assentiu. Seus olhos estavam distantes e as luzes das luminrias lanavam sombras sinistras no rosto dos dois.
- Ento...  - Jenny pegou um anel da teia que sustentava as latas de cerveja e colocou no pulso mnimo, usando como pulseira. - O que vai dizer quando perguntarem 
sobre o isqueiro?
- Vou dizer a verdade. 
- Que ? - Jenny sentiu um desconforto sbito no estmago.
- Por que no conta pra ela a verdade sobre tudo? - Tinsley apareceu de repente numa cala preta L.A.M.B. e suter de gola role Ogle super apertado tambm. A luz 
vermelha deformando sua feio tornando-a positivamente diablica.
Os pelos da nuca de Jenny se arrepiaram em alarme. 
- Do que ela esta falando? - Perguntou Jenny. Julian encarava Tinsley com raiva. O que estava acontecendo.
Tinsley observou o rosto da Jenny irritantemente angelical franzi em preocupao. Ela sabia que talvez seria mais inteligente manter Jenny no escuro sobre ela e 
Julian. Mas quando viu os dois do outro do lado da festa, entrando na tenda, parecendo muito casalzinho bonitinho. Tinsley foi lembrada, como por um tapa na cara, 
que ela fora dispensada sem menor cerimnia, por um calouro. E por causa dessa an peituda. Pelo menos o reinado de terror peitudo estava preste a terminar.
- Julian. - Perguntou Jenny olhando para ele temerosa. 
- Conte a ela. - repetiu Tinsley colocando as mos no quadril em desafio. Irritando Julian franziu a testa para ela. Ela sentiu um curto momento de arrependimento 
ou talvez fosse s pena. Mas fala srio, ser que ele achava mesmo que ele poderia dispensar Tinsley Carmichael e no sofrer as consequncias?
- Eu... Tinsley e eu...
No precisou dizer mais nada, aquelas duas palavras, Tinsley e eu, era tudo que ela precisava ouvir. Aquelas duas palavras chamuscaram Jenny, tatuando em seu corao. 
Ela se segurou para no fazer uma cena como na TV, mas ela no podia fazer uma, ele nunca fora seu namorado e nunca seria.
- Mas isso foi tudo antes de conhecer voc - insistiu Julian - Antes de conhecer voc. - Ele olhava para ela, os olhos castanhos suplicantes, mas Jenny sentia que 
no reconhecia mais ele. Era s uma figura com o cabelo despenteado, com um rosto que ela jamais conheceria. Jenny se levantou e andou se afastando dele, de Tinsley, 
da festa, de todos. Como pde ser to ingnua - de novo? E o que ela estava fazendo num lugar cheio de mentirosos e babacas.


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De: Heath Ferro

Para: Undisclosed Recipientes

Data: Tera-feira, 15 de outubro, 23:52

Assunto: Valeu , SS 


Meus caros SS e outros menos afortunados, 

Obrigada senhora e senhores por darem uma festa extremamente divertida de despedida.
Espero que todos estejam de porre assim como eu. 
Obrigado por no incendiar a Cratera e tudo que temos.

Bjus, Heath.
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23


UMA WAVERLY OWL CHEGA PONTUALMENTE AOS COMPROMISSOS DISCIPLINARES



Pelo olhar sole do Sr. Tomkins, Brett sabia que estava atrasada. Epa. No caf da manh, ela ficara nervosa e derramara uma xcara inteira de caf na saia de l Diane 
von Furstenberg que antes era creme, herana da irm mais velha, Bree. Teve que correr de volta ao Dumbarton, vestir uma cala jeans que estava dobrada em cima da 
cadeira e voar para o Stansfield Hall, sem flego e com uma provvel cara de culpada. A porta para a sala do reitor Marymount estava escancarada e Brett podia ver 
a parte de trs da cabea de Callie, o cabelo louro-arruivado num rabo de cavalo perfeito. O silncio mortal na sala a encheu de pavor.
- Entre. - O Sr.Tomkins assentiu para ela entrar e ela passou pela porta, descobrindo que na realidade era a ltima dos Suspeitos de Sempre a chegar. Heath olhou 
para ela de sua cadeira na ponta de uma enorme mesa de reunies sob a janela, registrou a presena de Brett com um aceno de cabea e a baixou para as mos. Um olhar 
rpido pela sala revelou reaes semelhantes: os olhos cados de Tinsley mal estavam abertos; Callie parecia no ter dormido a noite toda. Jenny, com uma blusa cor-de-rosa 
por baixo do blazer da Waverly, segurava uma xcara de caf do Maxwell, os ns dos dedos brancos. Easy bocejou em silncio trs vezes seguidas at que Callie o cutucou 
com o cotovelo para ele parar. Alison Quentin, com um suter de gola rul Polo azul-marinho, esfregava vigorosamente a tmpora esquerda, como se tentasse se livrar 
de uma espinha. At Brandon, que normalmente no saia de seu quarto de alojamento sem a melhor aparncia possvel, parecia ter dormido sentado. Ao lado dele, Sage 
cochichava com Benny por trs de dois shakes energticos. S Julian parecia no estar de ressaca. Olhava as folhas vermelhas e douradas que cintilavam na luz da 
manh com uma serenidade insondvel.
A prpria Brett estava numa zona completa. No tinha dormido a noite inteira. Enquanto se revirava na cama, ela tentou deduzir o que mais a incomodava: a imagem 
de Kara beijando Heath, ou o olhar de Jeremiah quando descobriu que Brett tinha uma namorada. Ser que isso significava que afinal ela era htero? Ela ainda teria 
sentimentos por Jeremiah? Sua mente estava num tal conflito de pensamentos que ela se perguntou se um dia conseguiria desembara-los. 
Jenny ergueu as sobrancelhas para Brett e parecia estar prestes a dizer alguma coisa, mas s tomou um golinho do caf- sob o olhar de Tinsley. O olhar de Tinsley 
vagou de Jenny para Callie e Julian, antes de pousar momentaneamente em Brett.
- So meus jeans, amiguinha? - perguntou ela, meio animada, quebrando o silncio estranho na sala e fazendo com que todos erguessem a cabea. Brett olhou os jeans 
que pegara na cadeira, na cadeira dela, esta manh. Achou que eram os jeans Paige escuros e estivera to preocupada em correr pelo campus que no percebeu que no 
cabiam muito bem. Mas que porra.
- No pensei que fosse se importar - revidou Brett, a voz gotejando doura -, uma vez que voc o deixou na minha cadeira.
Tinsley sorriu para ela.
- Pra que servem as colegas de quarto? - Ela estava com um vestido Rebecca Beeson esmeralda de gola redonda, e o cabelo preto e comprido tinha sido dividido perfeitamente 
ao meio, caindo sobre as orelhas como cortinas de seda. Brett ficou satisfeita com o fato de que embora o cabelo de Tinsley estivesse perfeito, seu rosto parecia 
angustiado e de ressaca.
Mas Brett tambm no conseguiu ter seu sono de beleza. Era difcil acreditar que a esta hora, amanh, um deles teria ido embora, como se nunca tivesse colocado os 
ps na Waverly.
Ela se lembrou de uma menina no primeiro ano na escola - Sylvia qualquer coisa. Um dia todo mundo acordou e Sylvia tinha simplesmente desaparecido, expulsa por plagiar 
um trabalho de ingls. A primeira coisa que passou pela cabea de Brett quando soube da expulso de Sylvia foi egosta - a menina pegar um CD do Wilco emprestado 
com ela. Brett ficou irritada pelo CD por mais de uma semana, at que substituiu em uma Trax-n-Wax na cidade. Ela repassou mentalmente a lista de suspeitos de sempre, 
tentando se lembrar se tinha alguma divida pendente - dinheiro para almoo, roupas que no devolveu, qualquer coisa que pudesse manchar sua memria se o reitor Marymount 
a acompanhasse at os altos portes de ferro e lhe metesse o p na bunda. Pelo que sabia, suas contas estavam pagas. Mas talvez ela no devolvesse a porcaria dos 
jeans a Tinsley.
O reitor Marymount entrou, assoviando uma msica que Brett no reconheceu. Ele parecia bem descansado, a cara barbeada e rosada na luz da manh. Se ele sabia alguma 
coisa da festa de despedida da noite anterior, seu rosto no entregava. Como ela no sentiu o cheiro da fogueira? O cheiro da fumaa do incndio do celeiro ainda 
estava mascarando, como Heath afirmou?
- Ol - ele os cumprimentou. 
Todos os que estavam sentados pela sala o cumprimentaram em silncio, exceto Tinsley, que apontou os olhos violetas para Marymount, sem medo de olh-los nos olhos.
- Tomei uma deciso de grande interesse para todos nessa sala - anunciou Marymount com pompa, como se fosse dizer que um deles acabara de ganhar um carro, ou uma 
viagem ao Hava com direito a acompanhante. O corao de Brett saltou. Ele ia liberar todo mundo? Ele endireitou o calendrio na mesa para que ficasse num ngulo 
perfeito com o porta-lpis quadrado enquanto a sala esperava em silncio. - em vez de tentar descobrir a parte ou as partes culpadas do incndio na fazenda dos Miller, 
vou permitir que vocs cheguem a essa concluso sozinhos.
Como  que ? Um murmrio percorreu a sala. Brett avaliou os rostos dos colegas. Todos planejaram se apoiar contra Marymount. Mas de repente eles tinham de se defender 
dos outros? 
- Silncio. - A expresso animada de Marymount ficou azeda. -Ento,  assim que isto vai funcionar. Vou tomar o caf da manh com os alunos em potencial, que espero 
que todos vocs estejam tratando com muita sensibilidade e respeito. Quando voltar, vou ouvir uma confisso do culpado. Quem avanar um passo e disser, "Fui eu", 
ser expulso,  claro, e o resto estar livre para seguir seu dia. Como lhes parece? - Ele no esperou uma resposta. - O Sr. Tomkins ficar na sala ao lado. Se precisarem 
de ajuda, ele atender. Mas por favor, no desperdicem o tempo dele nem o de vocs com tticas fteis. Isto vai acabar aqui e agora. Alguma pergunta? - Ele olhou 
rapidamente pela sala e se virou para a porta, claramente sem esperar que algum discordasse dessa mudana nos acontecimentos.
Brett deu um pigarro. Se a representante do primeiro ano no podia falar, que sentido tinha ser uma? 
- Mas senhor. - Sua voz saiu como um guincho, ento ela deu outro pigarro. - E se os culpados no estiverem aqui?
Marymount olhou para ela tranquilamente atravs dos culos redondos de aro dourado. Com o suter azul de gola redonda preferido por baixo do blazer da Waverly, ele 
parecia prestes a dar uma aula sobre A tempestade, e no quem estava a ponto de arruinar de um pobre aluno.
- Eles esto - disse ele simplesmente, sem deixar espao para discusses. - Mais alguma pergunta? - Ele uniu as sobrancelhas bastas louro-acinzentadas.
No havia nenhuma.
- timo. - Marymount pegou alguns papis em sua mesa. Depois puxou sua cadeira e convidou Brett a se sentar. - No fique de p, Srta. Messerchmidt. Isso pode demorar 
um pouco.
Brett no sabia se aquilo era uma provocao, mas sentou assim mesmo, as pernas cansadas quase desabando enquanto ela se acomodava na cadeira de couro de espaldar 
alto de Marymount, em plena vista de todos os colegas na grande mesa oval.
- Ah, me esqueci. - Marymount parou  soleira, as fotos de formatura da Waverly emolduradas atrs dele. Nelas, os formandos sorridentes e de cara rosada seguravam 
alegremente o diploma no alto, parecendo zombar dos alunos na sala. - Se quando eu voltar vocs no tiverem descoberto o culpado, todos sero expulsos.
Brett nunca viu tantos queixos carem de uma s vez.
O reitor Marymount continuou.
- Assim, pensem bem. Insisto que levem este assunto a srio. Isto incluiu o senhor, Sr.Ferro. - E depois disso, ele se foi. 
Tinsley foi a primeira a falar depois da sada de Marymount.
- Est quente pra caramba aqui. - Ela foi at a janela e a abriu, o ar frio da manh girando na sala abafada. Todo mundo respirou fundo e engoliu em seco, como se 
no puxasse o ar para dentro desde o anncio do reitor. 
- Ele est brincando? - perguntou Callie, olhando para ningum em particular. Ela vestia um suter de cashmere branco que parecia remanescente do ensino fundamental 
e um vestido de jrsei de listras azuis e brancas, evidentemente tentando parecer o mais responsvel e inocente possvel. 
- Cad a Kara? - perguntou Heath de repente, sobressaltando a todos. Ele passou a mo no cabelo louro desgrenhado, parecendo querer voltar para cama.
Brett vasculhou a sala e percebeu, junto com todos os outros, que Kara faltara  reunio da manh. Seus olhos verdes se arregalaram.
- O estranho  que o reitor Marymount no disse nada - falou Jenny, a vozinha parecendo deslocada na sala desolada. Ela ficava minscula na cadeira de espaldar alto 
em que se sentava.
- Eu acho que foi ela. - Benny se sentou ereta, batendo palmas. O cabelo castanho estava numa trana na nuca e diamantes Tiffany mnimos cintilavam em cada orelha. 
-Caso encerrado. Algum v buscar o reitor.
Brett sentiu o corpo tenso, como se todos olhassem para ela, esperando uma reao.
Mas Heath foi o primeiro a falar em defesa de Kara.
- Sem essa. - Heath tentou evitar uma exploso abrindo um sorriso torto, mas Brett percebeu que todos lanavam um olhar de curiosidade - Ela deve estar com uma ressaca 
daquelas. - Ele ainda vestia a camiseta laranja dos SS, que estava muito amassada, como se tivesse dormido com ela, ou no tivesse nem ido para a cama. Ser que 
ficou acordado a noite toda com Kara? Brett sacudiu o cabelo ruivo do rosto, tentando banir o pensamento. Era bom que Heath estivesse de costas para a parede, caso 
contrrio, o reitor teria visto as palavras SUSPEITOS DE SEMPRE escritas atrs da camiseta. Eles j estavam com muitos problemas sem Marymount saber que deram uma 
festa imensa para de divertir  custa dele e de sua lista.
- E se todos fizermos um protesto? - falou Sage, batendo as unhas cor de pssego na mesa de carvalho. - Tenho certeza de que se todos dissermos a Marymount que vamos 
sair do campus at que essa... perseguio pare, ele vai voltar atrs, n? - Ela olhou a sala e finalmente pousou o olhar em Brandon, sentado ao lado.
- No vai dar certo - disse Brandon numa voz montona. Ele estava sentado estranhamente perto de Sage e Brett se perguntou se a conversa ntima que viu entre eles 
na noite anterior tinha dado em alguma coisa. A luz brincava com o cabelo dourado de Brandon e Brett no pde deixar de ter esperanas de que alguma coisa tivesse 
acontecido entre eles. Brandon era to gracinha, merecia uma menina que no fosse mago-lo, como fez Callie e aquela garota do St.Lucius, Elizabeth. Ela de imediato 
pensou em Jeremiah. Ainda no conseguia acreditar que ele dormiu com aquela Elizabeth, mesmo que fosse uma ficada por estar triste depois e ser largado por Brett. 
Mas depois de encarar um incndio perigoso, em uma sala cheia de gente diante da expulso, de repente a indiscrio de Jeremiah no parecia mais grande coisa.
Brandon deu de ombros.
- Marymount quer que algum assuma a culpa e a ele no vai importar quem seja.
- Olha, algum comeou o incndio, seja por acidente, ou... - A voz de Brett falhou. - Mas quem quer que tenha sido, no podemos deixar que todo mundo leve a culpa 
por ele, n?
- ,c ara, isso no  legal. - Heath escorou o Adidas preto de couro na mesa macia de carvalho. Ningum mais falou.
Do lado de fora, uma exploso de risos infiltrou do ptio e todos olharam desejosos pela janela. Easy baixou a cabea na mesa e outros o acompanharam. A sala caiu 
em silncio de novo. Passou-se o que pareceu uma eternidade enquanto todos os Suspeitos de Sempre permaneciam imveis, num silncio contemplativo.
- Ah, meu Deus. - As palavras escaparam de Brett automaticamente, o crebro e a boca trabalhando ao mesmo tempo. Ela baixou os olhos para a mesa de Marymount para 
tentar manter o foco e teve de olhar duas vezes a foto de famlia empoleirada atrs do porta-lpis cheio de afiados lpis nmero dois e o grampeador gigantesco com 
o adesivo agourento NO PEGUE. Ela pegou o porta-retratos de prata, aproximando do nariz para examin-lo. Mal conseguia acreditar. A esposa de Marymount, a nica 
pessoa que Brett pensou reconhecer, sorria para o reitor como se ele tivesse acabado de dizer alguma coisa engraada. Era uma foto normal de uma famlia brega reunida, 
que provavelmente poderia ser encontrada em incontveis mesas de professores da Waverly. Mas Brett reconheceu mais algum na foto. Ela se levantou e foi at a pessoa 
mais prxima, que por acaso era Sage, e entregou a foto para que ela visse.
- Deve estar brincando comigo. - Os lbios com gloss de Sage se abriram. Ela ergueu a foto de famlia para que todos vissem, a manga ondulante da blusa Splendid 
cor-de-rosa escorregando brao acima.
- O que foi? - perguntou Alison, erguendo a cabea da mesa e olhando para Brett. Uma das fivelas de borboleta cor-de-rosa que prendia o cabelo preto e liso saiu 
do lugar.
-  Chloe -respondeu Brett, a voz sem emoo nenhuma. - Aquela fofoqueira.
- E Chloe  o qu? - perguntou Alison, em pnico.
- Ela  parente dele? - A voz de Benny se elevou, incrdula. Ela se levantou.
- Quem? - perguntou Brandon, esfregando os olhos com os punhos. - O que est havendo?
- Eu perguntei a ela se algum da famlia dela tinha sido aluno da Waverly e ela falou alguma coisa sobre o tio. Ela no contou merda nenhuma que era o reitor. - 
Benny sacudiu a cabea, frustrada, e a trana comprida de cabelos castanhos brilhantes bateu de um lado para o outro. Mas depois ela arfou alto, cobrindo a boca 
com a mo de unhas bem feitas. - Eu contei a ela sobre o esconderijo de bebidas no nosso quarto.
Sage virou-se para a colega de quarto.
- E ela me interrogou total sobre o que Easy e Callie estavam fazendo no estbulo no sbado. - Callie corou, e Easy apertou a mo dela debaixo da mesa.
- Mas isso quer dizer - comeou Alison, depois parou, encarando o teto como se tentasse entender um problema difcil de lgebra. - Ela me disse uma coisa estranha 
sobre Alan me ajudar a estudar - disse ela. - Eu no me dei conta na hora, mas... - Ela franziu a cara. - Aquela vaca.
Tinsley sorriu e inclinou tanto a cadeira de couro para trs que Brett teve esperanas de que casse no cho. Ela empilhou os saltos Sigerson Morrison de couro preto 
na mesa.
- Caraca, que deslealdade. Vocs tm que admirar a garota.
A compreenso banhou a cara de Heath.
- Eu estava s brincando sobre a regra de ficar pelado... - Os olhos de Brandon se estreitaram para o colega de quarto e Heath ergueu as duas mos, como se proclamasse 
inocncia. - Ento basicamente todos estamos aqui porque dissemos ou fizemos coisas comprometedoras na frente daquela pirralha? - exclamou ele, olhando a sala. Ele 
parecia estar ao mesmo tempo indignado e impressionado.
- , ou porque fomos maus com ela. E depois ela correu para contar para o titio.  to injusto, merda. - Alison pegou uma mecha de cabelo e comeou a mordiscar as 
pontas com raiva.
- Vou dizer o que  injusto - disse Brett de repente, silenciando a sala. Ela estalou as unhas pontudas no tampo da mesa. - Kara provavelmente est dormindo de ressaca 
em algum lugar, enquanto todo mundo aqui tenta decidir quem vai ser expulso da escola.
Brett estremeceu ao falar o nome de Kara. No tinha certeza se seria melhor ou pior Kara no estar presente. Por que ela matou a reunio? Provavelmente como protesto 
- Kara era a nica pessoa com coragem suficiente para fazer alguma coisa assim.
Heath falou novamente, desta vez com um vigor um pouco maior.
- Eu j falei, d um tempo para ela. Ela s dormiu tarde.
Benny deu de ombros.
- Heath, sei que voc est se sentindo culpado porque ficou bbado to que pode ter ficado com ela e tudo, mas sinceramente, todos ficamos acordados at tarde como 
vocs dois e todos ainda conseguimos vir para c. - Benny mostrou a lngua para Heath e percebeu o que tinha dito, virando-se para Brett com um olhar de desculpas.
Brett sentiu o olhar da sala toda. Estava cansada de se encolher ao olhar dos colegas e se sentou ainda mais reta na cadeira de espaldar alta do reitor.
- Ns vimos vocs no bosque - disse ela, girando um pouco a cadeira para ficar de frente para Heath. Tinha esperanas de que ningum perguntasse quem o "ns" incluiria. 
No precisava arrastar Jeremiah para essa histria.
O rosto bonito de Heath assumiu um tom de cor-de-rosa mais escuro.
- Brett... Eu... Humm... Podemos conversar em outro lugar?
Brett sacudiu a cabea, o olhar ainda fixo em Heath.
- Pode dizer o que precisar aqui mesmo. No existem segredos na Waverly, no ? - Ela cruzou os braos e olhou pela mesa para os colegas, estreitando os olhos verdes. 
Todos desviaram a cara ou baixaram a cabea para a mesa, como se tentassem se misturar com o fundo. - Mas, ento t. - Todos queriam ouvir os detalhes srdidos. 
Jenny, pelo menos, olhou-a nos olhos com uma expresso solidria nos olhos castanhos e calorosos.
Heath olhou em volta, timidamente, parecendo inseguro se Brett falava a srio. Puxou a bainha da camiseta laranja, alisando algumas rugas. Por fim, olhou-a nos olhos.
- Me desculpe, sei que era totalmente errado e tudo, mas... - Heath passou a mo nervosa no cabelo desordenado. Pedir desculpas provavelmente no era uma coisa a 
que ele estivesse acostumado. - Mas o caso  que no parecia que as coisas estavam rolando entre vocs. E eu sei que isso no  desculpa, mas sinceramente...  - 
Um olhar sonhador tomou a cara de Heath e a sala ficou em silncio. - Eu no sentia essa tonteira por uma garota desde os tempos de Juliet van Pelt. - Do outro lado 
da mesa, Brandon de imediato sacudiu a cabea e Brett se perguntou de quem Heath estava falando. - Quer dizer... - ele tentou novamente. Olhou para Brett suplicante, 
a expresso lembrando a ela como Brett costumava pedir aos pais quando estavam no ensino mdio e queria que seu toque de recolher fosse suspenso. - Sabe como  gostar 
tanto se algum que nada mais importa?
Os Suspeitos de Sempre ficaram num silncio de choque - Heath Ferro, parecendo um personagem de filme de mulherzinha? Mas Brett era a mais chocada de todos. Ela 
sabia como era gostar tanto de algum. Mas no sentia isso por Kara - sentia por Jeremiah. Ainda estava apaixonada por ele. Por mais que tentasse se distrair ou 
se convencer do contrrio.
Mas isso no importava mais, Jeremiah no ia lhe dar ouvidos. Primeira ela foi mentirosa, traidora, uma piranha que dormiu-com-o-professor. Depois ela foi uma namorada 
ciumenta que o largou de novo por ele ter tentado seguir a vida. E agora era uma piromanaca lsbica? De jeito nenhum Jeremiah ia am-la um dia, nem mesmo falar 
com ela de novo.



24


UMA WAVERLY OWL SABE QUE ONDE 
H FUMAA H FOGO



- Motivo.  isso que nos estamos procurando! - Tinsley exclamou - Motivo e oportunidade.
Callie ficou aliviada quando Tinsley rompeu o silencio pasmo. Brett voltou a se sentar na cadeira do reitor. Callie tentou abrir um sorriso confortador, mas os olhos 
de Brett estavam fixados no calendrio da sala de Marymount. 
- Acho que todo mundo teve a oportunidade - Heath riu, parecendo aliviado que eles tivessem parado de falar dele e Kara - No era por isso que estamos aqui?
Tinsley lanou um olhar letal a Heath os olhos violetas penetrantes. 
- Ok , motivo ento. Precisamos nos concentra no motivo. 
Callie sabia onde Tinsley queria chegar. Ela lanou um olhar para Easy, que estava brincando com uma folha de papel. Depois de rodar um pouco na festa, ela o procurou 
para que talvez eles pudessem ir ao bosque. Ele murmurou algo sobre estar cansado e foi dormir cedo. Seu estmago revirou com o pensamento que ele desconfiasse dela. 
Ela precisava ter muito cuidado hoje.
- No estou entendendo porra nenhuma - Disse Benny cruzando os braos achatando os peitos j achatados. - Essa droga de incndio, no podia ser a porra de acidente?
- Tanto faz, Marymount quer sangue - Declarou Tinsley - Depois de tudo que a sobrinha disse para ele. - Ele realmente acha que algum comeou o incndio, mas no 
entendo quem poderia ter o motivo mais forte, e  por isso que estamos presos aqui.
As palavras de Tinsley vagaram pela sala, e Callie via sua cara fica presunosa, quando ningum atreveu a discordar.
- Que tipo de motivo - perguntou Callie, brincando com o uma mecha de seu cabelo louro avermelhado. Ela olhou para Easy , que franziu a testa furioso, com se perguntasse 
Que diabos voc est fazendo?
- Bom, vejamos - Tinsley olhou para o teto fingido estar imersa em pensamentos. - Que tal, cimes?
- Cime de qu? - Perguntou Brandon tomando um gole de sua garrafa Evian. Callie olhou para a garrafa invejosamente. 
- Essa  a questo - disse Tinsley que olhou para a Jenny de relance, que enrijeceu na cadeira. - Algum estava com cime de alguma coisa. 
- Ou de algum - Disse Callie dando de ombros despreocupadamente, com se a ideia estivesse ocorrido a ela agora, e puxou seu cardig para mais perto do peito.
- Perai, estamos falando de algum que tentou assassinar algum? - perguntou Sage Francis, sua sobrancelhas se elevando em ceticismo. Callie queria gritar Cala boca 
Sage. - Isso  loucura. 
- Assassinato no - disse Tinsley como se a estranheza de Sage a divertisse - Mas algum poderia ter feito uma coisa tanta raiva e impensadamente, que poderia assassinar 
algum.
- Tipo quem? - os olhos de Easy brilhavam de fria, como se tivesse desafiando Tinsley a acusar Jenny. 
- , tipo quem? - disse Julian, ele estava to quieto que Callie por um momento esqueceu que ele estava l.
Tinsley encarou Jenny, que no incio fingiu no perceber, mas reconheceu quando todos na mesa a encarava tambm.
- Como ? - Ela encarou Tinsley, erguendo o queixinho surpreendendo a todos. - Se tiver alguma coisa para falar fale agora.
Tinsley abriu um sorriso malicioso, e Callie sabia que tinha acabado. Tinsley estava acostumada a ser a pessoa de quem mais se falava na Waverly, e Jenny com seus 
peitos gigantesco e maneiras gracinhas tinham roubado a cena. Mas mesmo assim Callie no entendia porque Tinsley nutria tanto dio dela, at parece que ela tinha 
roubado o namorado dela.
- Bom, Jenny j que pergunta... - Tinsley comeou. 
- O que torna voc to inocente, Tinsley? - Julian a interrompeu. Callie olhou para ele incapaz de acreditar que um calouro por mais bonito e fofinho que fosse desafiasse 
Tinsley daquela maneira. Ele parecia to calmo, como se tivesse um as na manga e estivesse esperando o momento certo s para lan-lo. 
Tinsley se postou de frente a ele, seu estomago revirando quando encontrou os olhos dele. Seus olhos normalmente calorosos, estavam semicerrados. Ser que ela a 
odiava?
-  claro que voc me pe como a vil aqui. Mas Jenny porque voc no nos diz o que voc desenhou na aula de artes?
Toda cor sumiu do rosto de Jenny. Sua boca abriu e fechou. Como se fosse um peixinho dourado, morrendo. 
- Meu Deus, era s um desenho. - falou Alisson meio ansiosa por ter desafiado Tinsley.
- Do que... er... Era o desenho? - Perguntou Benny. Ainda indecisa sobre quem se aliar.
- Ah, apenas um retrato de um grande incndio num celeiro, com duas pessoas nele se beijando - Declarou Tinsley despreocupadamente. 
- Quem eram as duas pessoas? - perguntou Easy claramente irritado.
- Voc fez a pergunta - Ela se inclinou para frente, de um jeito assustador, mas parecendo um pequeno advogado que at o pai de Easy ficaria impressionado. - E Jenny 
vai te dar a resposta. 
- Como voc soube desenho - Disse Jenny recuperando a voz. - Andou me espionado? -
Ser que todo mundo pensava, que s porque ela fez um desenho, ela tinha atirado fogo no celeiro?
- Est negando? - Perguntou Tinsley andando at a janela como uma promotora de TV. Jenny percebeu que ela estava esperando esse momento.
- Mas como... ? 
- No importa como eu sei, responda a pergunta.
Jenny podia sentir a inquietude da sala, at Julian estava olhando para ela com curiosidade esperando que ela falasse alguma coisa em sua defesa.
- No  grande coisa - Jenny tentou explicar. - A srt. Silver nos fez desenhar de olhos fechados. Bom, e eu estava estressada com isso... todos nos estvamos estressados 
com isso, no ?
- Ento... ? - Perguntou Tinsley. - Seu desenho? - Incitou-a friamente. 
- Era uma imagem do incndio - Chingando-se mentalmente, por que ela no desenhou algo idiota como os tringulos de Allison?
- Grande cosia - disse Heath. - Sem querer ofender, eu sei que voc parece com o Picasso, alguma coisa assim.
Tinsley deu olhar glido para Heath o calando imediatamente.  claro que ele tambm estava em seu poder.
- O que tinha na imagem? - perguntou ela. 
- O que voc quer dizer? - Perguntou Jenny toda inocente, esperando que algum viesse em sua defesa fazendo que o interrogatrio Tinsley desandasse. Mas ningum 
disse nada.
- Voc desenhou duas pessoas no seu desenho? - Perguntou Tinsley a queima roupa, e antes que Jenny pudesse responder, Tinsley falou - E no eram Easy e Callie?
Algum arfou no fundo. Ela esperava que no fosse Julian.
-  verdade...? - Benny disse incapaz de continuar.
- J chega, vamos parar com isso. - Disse Easy - Vamos parar com isso. Era s um desenho. 
Jenny sentiu num surto de gratido. Mas antes que pudesse dizer alguma coisa em sua defesa, Marymount abriu a porta.
- E ento? - Perguntou ele. - Chegaram a uma concluso?
Todos na sala encaravam Jenny. At Julian a olhava como se no a reconhecesse. De uma coisa ela tinha certeza, ela nunca tinha pertencido ali. Era bvio que aquelas 
pessoas que se viravam rapidamente contra ela no podiam ser suas amigas, poderiam?
- E ento? - perguntou Marymount com um toque de impacincia na voz. Ningum falou. 
Jenny olhou em volta, um deles era o culpado, mas de repente no se importava, ela simplesmente tinha que sair dali.
- Fui eu, t legal? - Podia sentir seu rosto corado. E antes que algum pudesse impedir ela saiu num rompante pela sala. 
As lgrimas cegavam Jenny. Acabou, o internato, os meninos, andar com a galera descolada. Ela ia ao quarto e fazer as malas e ir embora para sempre.


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UMA WAVERLY OWL SABE A DIFERENA 
ENTRE ADEUS E AT LOGO 


Jenny dobrou o ltimo jeans Banana Republic na mala Samsonite marrom velha do pai. O adesivo desbotado de ABRAOS SIM, BOMBAS NO perto da ala chamou sua ateno, 
e ela de imediato se perguntou como diabos ia explicar isso ao pai. Nem tinha respondido ao e-mail que ele escreveu na voz do seu gato. Ah, tanto faz. Tinha toda 
uma viagem de trem at a cidade para pensar numa soluo. Ela encheu a enorme LeSportsac vermelha e branca de bolinhas  velocidade da luz, atirando os livros, roupas 
e maquiagem de qualquer jeito dentro da bolsa, sem se importar se estava deixando alguma coisa para trs. No parecia fazer muito tempo que ela sara de um txi 
e andara animada pela entrada da Waverly, carregando tudo o que possua.
Agora ela via aquela Jenny- a Velha Jenny que queria ser a Nova Jenny- com desdm. Nem acreditava que tinha sido to ingnua acreditando que toda a sua vida mudaria 
para melhor quando ela fosse para o internato. Em Nova York, ela sempre conseguiu se meter em problemas- at apareceu na Page Six - mas aqui, ela pensou que seria 
uma verso mais descolada e mais composta de si mesma. Mas ela no durou nem dois meses. Era um pontinho de nada em sua vida. Um dia ela seria uma velhinha enrugada 
com os peitos nos joelhos, sentada numa cadeira de balano rangendo, e podia nem se lembrar de que um dia foi para um colgio interno.
Jenny sentiu as lgrimas encherem os olhos e sua garganta se estreitando. Como poderia se esquecer de Easy desenhando-a, ou o beijo de Julian na fazenda, ou as noites 
fazendo as unhas com Brett? Mas, neste momento, essas coisas estavam completamente eclipsadas pela nuvem escura que era Tinsley Carmichael. Jenny ainda no conseguia 
acreditar no que Tinsley fizera, mas ainda mais inacreditvel era a idia de que Tinsley a odiava o bastante para fazer isso. Era horrvel ser to odiada.
Jenny se sentou no alto da Samsonite abarrotada, tentando conseguir que os fechos se trancassem. No sabia de onde viera essa confisso, mas um alivio a dominou 
enquanto ela saa da sala do reitor Marymount. Estava livre. No tinha mais de se preocupar com quem estava dizendo o que a respeito dela, ou que foras do mal conspiravam 
contra ela.
Ela girou ao som de uma batida na porta, perguntando-se se Tinsley ou Callie tinham vindo rir dela enquanto fazia as malas. Em vez disso, Easy estava encostado na 
porta, as mos no bolso da cala cargo verde desbotada, os cachos escuros caindo pela testa.
- Voc vai mesmo? - perguntou ele suavemente. Seus olhos vagaram pelo quarto e caram na cama vazia, os lenis macios j enfiados na bolsa de viagem, junto com 
o cobertor azul-beb spero que o pai mandara para a escola com ela.
- Eu fui expulsa - disse Jenny categoricamente. -  isso.
Easy coou a nuca. Ela sentiu os olhos dele em seu rosto, mas se virou para se concentrar nos fechos das malas, querendo que eles estalassem.
- , mas... - Ele no terminou a frase e Jenny ficou imvel, esperando. - Mas voc no teve nada a ver com o incndio, n?
Jenny no respondeu. Agora no confiava na prpria voz. Voltou-se para a mala para que seu rosto no lhe trasse as emoes. Foi um amor da parte de Easy tentar 
defend-la contra Tinsley - ela agradecia por isso, de verdade. Mas era meio tarde, tarde demais.
- Ei - disse Easy. Ela estava prestes a se virar, pensando que ele queria que ela o olhasse, mas ela ouviu a voz de Brett dizendo "ei" tambm. O fecho da Samsonite 
finalmente estalou no lugar e Jenny pegou a bolsa tote L.L Bean que o pai lhe mandara. Ele mandou colocar o monograma JAH, embora seu segundo nome fosse Tallulah. 
Ele disse que os maconheiros amantes de reggae iam entender a piada, mesmo que Jenny no entendesse. Ela enfiou suas bolas de meias coloridas na mala, grata por 
j ter guardado as calcinhas e os sutis gigantes da vov antes que qualquer visita chegasse.
- Bom, o Marymount est feliz pra caramba. - Brett suspirou, a voz parecendo um pouco mais leve do que demonstrava o rosto preocupado e plido. - Parece at que 
resolveu o assassinato de Kennedy ou coisa assim.
Jenny franziu os lbios.
- Que bom - foi s o que disse.
Alison de repente apareceu atrs de Brett.
- Ai - exclamou ela quando viu Jenny fazendo as malas. - Voc vai mesmo? - perguntou ela, abrindo caminho para entrar. - No pode estar falando srio.
Jenny deu de ombros e fitou impotente os olhos preocupados e amendoados de Alison. Era s o que ela podia fazer para reprimir as lgrimas que queria derramar por 
todo o quarto meio vazio. A verdade era que por mais que tentasse se convencer do contrrio, ela adorava essas pessoas e adorava o colgio interno.
O quarto ficou ainda menor quando Brandon passou pela porta, enchendo o ar com o cheiro leve e etreo de colnia Acqua di Gio.
- No v embora - disse ele a Jenny, a voz suave e doce, fazendo com que Jenny quisesse t-lo beijado pelo menos uma vez, s para ver como era. Mas ele tambm no 
a apoiou exatamente na reunio. - Todos sabemos que voc no fez aquilo.
- Mas quem fez  uma merda total - disse Brett, indo at Jenny e passando o brao por ela. Ela era uns bons 12 centmetros mais alta do que Jenny e a cabea de Jenny 
se acomodava confortavelmente na dobra de se brao. - Nem acredito que algum vai se livrar de um incndio criminoso e voc vai embora. Simplesmente no  justo.
- Podemos ir at o Marymount e dizer que voc no teve nada a ver com aquilo - disse Alison trmula, provavelmente sentindo-se culpada pela histria da aula de artes, 
embora no tenha sido culpa dela. Jenny teve a sensao de que estaria na mesma situao, mesmo que no tivesse desenhado a imagem de Easy e Callie no incndio.
-  mesmo! - concordou Brett, largando o brao de Jenny para se voltar para Alison. - Eu vou com voc.
- No, no. - Jenny ficou surpresa com a autoridade em sua voz. Puxou a mala da cama e deixou que casse no piso de madeira com um baque alto e agourento. - No 
importa. Ele no ia acreditar em vocs mesmo. - Ela engoliu o bolo na garganta. - Talvez seja melhor assim.
- Parece que temos um assassino  solta entre ns. - Brett sacudiu o cabelo vermelho-bombeiro. Jenny olhou a amiga e pensou no quanto ia sentir falta dela. Ela ainda 
podiam se falar por e-mail, n?
Ningum disse nada e um silncio sombrio envolveu o quarto.
- Com licena - disse uma voz. Jenny reconheceu a voz de Julian e seu corao parou. Todo mundo se virou para ele com expectativa, como se ele fosse o governador 
aparecendo com um perdo de ltimo minuto antes da execuo. - Ser que eu posso... er... conversar com a Jenny um minuto? A ss? - Jenny enfiou dois suteres J.Crew 
da ltima gaveta na bolsa, tentando no pensar em como era bom ouvir seu nome saindo dos lbios de Julian. Easy recuou da porta, assentindo para Jenny enquanto desaparecia 
pelo corredor. Brett, Brandon e Alison tambm saram arrastando os ps. Julian se encostou na porta para fech-la. Sua cabea quase chegava ao alto da soleira. - 
Como voc est?
Jenny deu de ombros. No sabia responder essa pergunta. Em vez disso, pegou outro suter- o de capuz, grosso e cor de aveia que o pai mandara junto com a bolsa tote 
JAH - e o meteu, sem a menor cerimnia, na bolsa.
- Tem umas coisas bem esmagadas a - disse Julian, e de imediato a imagem de Tinsley encarando-a lhe veio  mente. - Mas por qu... Por que voc assumiu a culpa? 
Voc no fez isso... Voc estava comigo.
- No quero falar nesse assunto - disse Jenny, sem realmente ser sincera, mas ela sabia que falar no ia mudar nada do que aconteceu. Ela confessou e Marymount a 
expulsou. Ponto final. Ia para casa. O zper vibrou enquanto ela o puxou para fechar.
- Eu s no posso, sabe como ... - um tremor apareceu na voz geralmente calma de Julian e seus olhos castanhos pareciam os de um cachorrinho triste.  - No v assim. 
No est certo.
- A vida  cheia de coisas que no esto certas - disse Jenny, surpresa com a certeza em sua voz.
- Eu conheo voc - disse Julian, recuperando a compostura um pouco. Pousou o cotovelo no alto da cmoda agora vazia de Jenny. De qualquer forma, ele era alto demais 
para ela, percebeu Jenny com tristeza. - Por que est fingindo que no est arrasada?
- No sou eu que estou fingindo - rebateu Jenny. Ela levantou a bolsa do cho e a atirou perto da mala. A quantidade de veneno fluindo por ela a assustou um pouco.
- Eu nunca fingi nada. - Julian encarava as pontas dos tnis Vans de lona cinza. - T legal, talvez eu tenha fingido que toda a coisa com Tinsley nunca aconteceu. 
- Ele parou. -Mas s porque eu queria de verdade que no tivesse acontecido.
Jenny se sentou no que restava de sua cama. Sentia-se triste e vazia como o colcho.
- No funciona desse jeito.
Julian mordeu o lbio. Em sua camisa plo azul e desbotada e cala caqui surrada, ele parecia um dos meninos do St. Jude que ela costumava ver jogando Frisbee no 
Central Park. Jenny se perguntou o que teria acontecido se ela o tivesse conhecido l- longe da Waverly e longe de Tinsley Carmichael. Ser que eles teriam uma chance?
- Naquela manh depois do incndio, quando estvamos andando pelo bosque, eu quis te contar sobre a Tinsley - disse ele, abrindo uma gaveta vazia da cmoda e fechando-a.
- E por que no contou? - perguntou ela, puxando os joelhos at o peito e passando os braos por eles. - Por que no me contou sobre isso antes mesmo que a gente 
tivesse se beijado?
Julian no conseguia olhar para ela. Sua cabea pendia e ele pegou um grampo perdido na primeira gaveta de Jenny, girando-o entre os dedos.
- Porque tudo com voc era to... to bom. E no queria estragar tudo.
Jenny sentiu que comeava a derreter.Julian. Mas mesmo que ela o perdoasse, que sentido tinha? Estava indo embora, no prximo trem que sasse de Rhinecliff.
- E no contei a voc depois porque... porque eu queria proteger voc da Tinsley. - Seus olhos castanhos estavam injetados e tristes. Um arrepio percorreu a espinha 
de Jenny e ela fechou o zper do casaco militar H&M uma imitao Stella McCartney. - Tenho certeza de que foi ela que comeou o incndio, mas tive medo de que ela 
tentasse colocar a culpa em voc se descobrisse sobre a gente.
- Por que ela faria isso? - perguntou Jenny, tentando manter a voz tranqila. A pergunta no era para Julian; era a pergunta que ela tentava responder a si mesma. 
Ela chutou a mala, sem se importar de arranhar o piso de madeira.
- Por que eu gosto mais de voc do que dela. Gosto muito de voc.
Jenny tinha esperanas de que essas palavras fossem sua lembrana duradoura, muito depois que a amargura tivesse se esgotado do seu corpo. Eu gosto muito mais de 
voc. Este era um bom presente de despedida. Ela podia sentir o desejo de proximidade de Julian - por perdo -, mas no conseguia retribuir. O problema era que Jenny 
nem estava to chateada com ele- s estava furiosa consigo mesma por ser to incrivelmente idiota. E idiota repetidas vezes.
- No se preocupe com isso. - Ela pendurou a LeSportsac no ombro e pegou a bolsa de camura roxa cheia de livros que ela queria manter, deixando o resto na estante 
de Callie, ou para quem se mudasse para l. - Pelo menos a gente se divertiu, n? - Sua voz parecia animada e falsa, at para ela. Jenny no podia olhar para ele 
de novo, e em vez disso se concentrou em pegar a mala abarrotada com a mo livre. No armrio, o blazer marrom da Waverly parecia mnimo e solitrio. 
- Posso... ajudar? - perguntou Julian sem jeito, endireitando-se em toda sua altura.
- No. - Jenny pegou a bolsa L.L. Bean e a ala da Samsonite. Empurrou a porta, as bolsas quase entalando na passagem, antes de se virar. Julian estava no meio do 
quarto, parecendo perdido. Cada grama de Jenny queria largar as malas e se atirar em seus braos e beij-lo. Mas ela no podia.
Ela se afastou, sentindo-se decidida. Talvez tudo isso no fosse gratuito. Talvez ela tenha aprendido alguma coisa com cada falsa amizade e cada namoro rompido. 
Talvez. Na escola seguinte, talvez ela fosse a pessoa descolada e tranqila que sempre quis ser. 
Talvez.


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De: TinsleyCarmichael@waverly.edu

Para: chloe.marymount@gmail.com

Data: Quarta-feira, 16 de outubro, 12:41

Assunto: Re:Re Como  que est?

E ai, garota

Espero que tenha gostado de sua estada na Waverly. Obrigada pela ajuda. Voc fez o que era certo.

Tinsley
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De: chloe.marymount@gmail.com

Para: TinsleyCarmichael@waverly.edu

Data: Quarta-feira, 16 de outubro, 12:50

Assunto: Re:Re:Re: Como  que est?

Oi, Tinsley!

Obrigada pela diverso na festa de ontem  noite... A viagem de trem para casa hoje de manh no foi to divertida assim. ;) Mas estou feliz que as coisas tenham 
rolado com Sam. Acho que ele gosta mesmo de mim!
De qualquer forma, estou louca para sair com voc no ano que vem na Waverly.

Bjs

Chloe
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TinsleyCarmichael: E ai, Julian. Que pena que voc ter que se despedir de sua namoradinha artista- ela era mesmo, huum, talentosa.
TinsleyCarmichel: Se est magoado demais para me responder, eu vou entender.
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KaraWhalen: Soube do que houve.  to horrvel.
BrettMesserschmidt: , coitada da Jenny. Mas onde voc estava? 
KaraWhalen: Desmaiada. Nem acredito que perdi a reunio.
BrettMesserschmidt: Bom, talvez tenha sido melhor no aparecer por l. Imagino que tenha se divertido ontem  noite, hein?
KaraWhalen: Sobre isso... Eu sinto muito. Podemos conversar?
BrettMesserschmidt: Sinceramente, no h muito o que dizer.
KaraWhalen: Oh.
BrettMesserschmidt: Eu falei na boa.
KaraWhalen: Oh!
BrettMesserschmidt: Amigas?
KaraWhalen: Mas  claro.
BrettMesserschmidt: Ento isso quer dizer que vou ter que passar muito tempo com o Heath? ;)
KaraWhalen: Veremos...
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UMA WARVERLY OWL SABE QUE AS MENSAGENS DE 
TEXTOS SO PARTICULARES


- Easy estava do lado de fora da Dumbarton, chutando a pedra com a ponta do p. Levantou a cabea e viu Callie, vindo ate ela a sai rodada azul batendo nos joelhos 
com as rajadas do vento, sorrindo como se nada fora do comum tivesse acontecido. 
- O que esta rolando? - perguntou Callie, oscilando um pouco nos saltos finos e azul marinho. Ela tomou a cabea em preocupao como se no fizesse idia do que 
estaria errado.
Easy apenas olhou para ela, ela seria uma atriz maravilhosa - ela era excelente em inventar a prpria verso da verdade e se agarra a ela.
- Acabo de vir do quarto da Jenny. 
- E por qu? - Callie se retesou, pegando a bolsa preta, com enormes argolas pratas.
- Como assim por qu? Eu queria me despedir.
Ela suspirou em alvio.
- No vai v-la antes de ela ir embora? - Ele reconheceu a voz exigente do pai na dele. Mas no se importou, estava furioso e no queria fingir.
Callie deu os ombros, e olhou para mo como se tivesse decidindo se precisava ou no de manicure.
- Ela era at comear a espalhar boatos de ns. - Seus olhos castanhos faiscaram com uma raiva que devia estar espreitando sob a superfcie.
- Mas voc no espalhou nenhum boato sobre ela, no? - Perguntou ele sarcasticamente.
- Do que voc t falando? - Callie cruzou os braos nos peitos achatados.
- Como Tinsley soube do desenho da Jenny? - Perguntou com medo da resposta. Se ela e Tinsley tivesse colocado espies atrs da Jenny seria muita baixaria.
- Por qu? - Perguntou Callie mordendo o lbio inferior, como se fosse chorar,tudo exibio, pensou ele amargamente. - Ainda est apaixonado por ela?
- Como ? - Easy colocou as mos nos bolsos para esconder os punhos fechados de fria. Nem conseguia pensar em responder isso. No depois desta ltima semana, que 
passaram cada tempo livre juntos. - Responda: voc espionou a Jenny?
- Por que est gritando comigo? - Sua voz saindo suave deixando toda a raiva por Jenny, sair nela. - Ela mesma admitiu que comeasse o incndio. O que est feito 
est feito. 
- E voc acha mesmo que foi ela mesmo que fez? - Perguntou Easy com melancolia. 
Callie ficou olhando para as pontas da sandlia Isabela Fiore e demorou para responder. 
- Ela disse que sim. 
- Como voc sabe que no foi a gente, fumando no celeiro? - A voz dele se elevou, perdendo a suavidade do sul. - Jenny foi expulsa. No percebe como isso  srio?
Callie sabia como era srio, mas no queria que nenhum dos dois fossem mandados para casa. Jenny era um alvo fcil demais. 
- Foi tudo ideia da Tinsley - soltou Callie antes de perceber o que estava dizendo. 
- E voc no teve nada haver como isso? - Perguntou ele ceticamente, levantando a sobrancelha.
- O plano, er , foi da Tinsley. - Mentiu Callie. - Ela conseguiu que aquela aluna em potencial, Chloe, para vigiar Jenny.  serio. Eu s soube quando tudo estava 
feito. - Disse Callie fitando os olhos azuis e fazendo o sinal da cruz em cima do corao. 
Easy pareceu relaxar um pouco. Ela aproveitou aquele momento para dar a mo a ele. Ele apertou e ela pode sentir seus ombros arriarem enquanto ele relaxava. 
- Tudo bem, com a gente? - Perguntou ela com delicadeza. 
- T. - Sussurrou Easy aninhando ela gentilmente no ombro largo. Seu pescoo era macio, quente e convidativo. Easy beijou o topo da sua cabea, e seu corpo relaxou 
em alvio.
Seu celular Rzar caiu da bolsa, e tombando com um estalo no primeiro degrau. Antes que ela pudesse fazer alguma coisa para impedir. Easy levantou e pegou o celular 
para ela, mas parou quando viu que tinha uma mensagem.
- E falando no diabo - disse ele. Seu rosto lindo ficando fantasmagrico de to paliado enquanto ele lia. 
- Parabns a ns pelo trabalho bem feito - ele leu na telinha. - A piranha se foi. Vamos beber a isso. - Sua voz pingando de severidade e zombaria.
- No  o que voc est pensando - disse Callie. - Tinsley est se gabando. Voc sabe como ela . 
- Que legal. - Easy balanou a cabea como se balanasse todas as mentiras da sua cabea. 
- Easy, no pode me deixar desse jeito - gritou Callie. 
Mas ao que parecia ele podia sim.


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De: JennuHumphrey

Para: rufushumphrey

Data: Quarta-feira, 16 de outubro, 14:59

Assunto: Re:Miau 


Caro gato, 

Parece que seus pedidos foram atendidos, estou indo para casa essa noite. Explico tudo quando chegar a. Diga a Vanessa que pode ficar no meu quarto, por enquanto 
vou ficar no sof. 

Amos vocs, a gente se v logo! 

Jenny
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UMA WAVERLY OWL NO ABAIXA A CABEA - MESMO QUANDO NO  MAIS UMA WAVERLY OWL


Jenny pendurou a bolsa de viagem surrada no ombro e andou at o txi que j estava esperando. S uma pequena corrida de txi e algumas horas de trem a separavam 
de casa, seu apartamento em runas, mas convidativo no Upper West Side; seu velho quarto; o pai maluco, maravilhoso e gastronomicamente problemtico; e seu amado 
gato. Passos ecoaram atrs dela e seu corao parou. Ela esperava que fosse Julian, ou talvez Easy... Mas quando girou o corpo, viu o reitor Marymount, a gravata 
da Waverly voando por cima do ombro enquanto ele disparava na direo dela. Um medo fraco e frio percorreu a coluna de Jenny. Que outro castigo Marymount queria 
infligir antes de ela entrar no txi e desaparecer para sempre? Ser que ele ia algem-la ou coisa assim?
Jenny deu uma ltima olhada no campus atrs dele. Ela amava a Waverly de verdade, com seus prdios de tijolos vermelhos imponentes, os alunos de cara rosada, a tradio. 
Ela adorava viver num alojamento, jogar hquei, ir a festas no bosque. Beijar meninos e sair com todas as novas amigas. Ela ia sentir muita falta de tudo.
- Espere! - gritou Marymount, a irritao evidente na cara. Ele reduziu o passou e parou, apoiando as mos nos joelhos com cala cqui. O cabelo louro-acinzentado 
estava espalhado em fios por toda a careca crescente.
Ser que ela devia dizer a ele para comprar uma peruca e parar com isso?
- A Srta. Miller acabou de ligar - ele tentou explicar, ainda respirando mal. Ele endireitou o corpo para ajeitar a gravata. 
Jenny franziu a cara, perguntando-se de que se tratava tudo isso. Ser que a velha queria ter a oportunidade de dar uma bronca pessoalmente na incendiria? Seria 
ela obrigada a limpar os destroos, um pedao de madeira calcinada de cada vez? Seria ela mandada para priso? Jenny no tinha pensado nisso. No era nova demais 
para ser presa?
- Ela insiste que a coisa toda foi... um acidente. - Marymount continuou, puxando o suter para baixo e se recompondo. - Ela afirma que as vacas comearam o incndio. 
- Seus olhos azuis e frios examinaram Jenny com ateno, como se esperassem se atirar na primeira emoo trada. Mas ela estava assombrada demais para mover um msculo 
que fosse. - No entendo como uma vaca pode colocar fogo em alguma coisa. Entretanto - ele semicerrou os olhos para o sol -, ela diz que tem certeza que foi uma 
das vacas da fazenda. O que acha disso? - Ele ps as mos nos quadris, esperando que Jenny respondesse.
Jenny teve dificuldade para processar o que Marymount dizia. Baixou a mala no caminho de cascalho, esfregando o ombro entorpecido. Ele realmente queria que ela respondesse 
 pergunta? Vacas tocando fogo nas coisas? Ela nem sabia de que diabos ele estava falando. Mas pera, ele estava tentando dizer que ela afinal no foi expulsa?
- De qualquer forma, ela disse que no quer que ningum da Waverly seja culpado - prosseguiu Marymount, a voz cheia de desconfiana. - Pessoalmente, acho que ela 
 uma velha louca que mora sozinha h muito tempo, mas... - Ele coou a cabea e parte dos fios cuidadosamente dispostos se deslocaram, revelando a careca brilhante.
O taxista buzinou com impacincia e Marymount olhou o carro que esperava.
- Se um aluno da Waverly comeou o incndio, tem de ser expulso - disse Marymount, os olhos acomodando-se de novo no rosto redondo de Jenny. - No h escapatria. 
Concorda?
- Mas foram as vacas - respondeu Jenny devagar, comeando a ter a impresso de que embora no acreditasse na histria da Srta. Miller, Marymount tambm no estava 
convencido da culpa de Jenny. - No ?
Marymount assentiu devagar, passando a mo esquerda na testa suada, a aliana de ouro reluzindo no sol forte.
- Sim, . - Ele revirou os olhos. - Ento... Parece que terei de rejeitar sua confisso.
Jenny olhou o campus, o gramado perfeito e as rvores luxuriantes e impecveis, as pilhas perfeitas de folhas. Atrs dela, o taxista acelerou o motor. Ela precisou 
de um segundo para se convencer de que Marymount no estava brincando, que no era uma piadinha cruel. Seu corao comeou a disparar.
-  melhor ir para aula, Srta. Humphrey. - Marymount a olhou de cima, batendo o dedo no relgio de prata no pulso.
Jenny apenas olhou para ele, apertando os lbios. Estava louca para ver a cara de todo mundo quando a vissem de volta ao Dumbarton, de volta a seu quarto. De volta 
s aulas. Ela ia voltar a jantar no salo. Esta noite era sua preferida- a noite de monte-sua-prpria-pizza. E amanh Jenny andaria pelo campus verdejante da Waverly 
e cem vozes piariam seu nome.
Ela estava de volta.


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HeathFerro: A velha Miller salvou o dia! Algum tem que pagar uma cerveja para a velhota!
JulianMcCafferty: Do que est falando, Ferro?
HeathFerro: No soube? Ela disse a Marymount que as VACAS comearam o incndio - no precisa de nenhuma expulso.
JulianMcCafferty: Perai, ento a Jenny vai ficar?
HeathFerro: Por qu, j estava planejando o reencontro com a Tinsley?
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SageFancis: Aimeudeus, a Celine foi ao banco agora mesmo e a velha Miller estava depositando um cheque bem GORDO. Disse ao caixa que ia construir uma casa de hspedes 
onde ficava o celeiro.
BrandonBuchanan: Sei. O seguro pagou?
SageFrancis: Segura no envia cheques com tanta rapidez.
BrandonBuchanan: Acha que algum a subornou para salvar a Jenny?
SageFrancis: Exatamente,Sherlock. Quem acha que foi? Eu aposto que foi homem e rico...
BrandonBuchanan: Gostaria de agradecer a ele. A Jenny  legal demais para ser expulsa.
SageFrancis: Cuidado, est me deixando com cimes.
BrandonBuchanan: A ideia  essa mesmo.
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TinsleyCarmichael: Mas que vacas so essas?
CallieVernon: Sei l. Esse  o menor dos meus problemas.
TinsleyCarmichael: Pq?
CallieVernon: EZ descobriu o que fizemos. Acho que terminou.
TinsleyCarmichael: Quer merda. Eu sinto muito.
CallieVernon: Deve sentir mesmo.
TinsleyCarmichael: Como assim?
CallieVernon: Como assim que estou chateada demais para conversar com voc agora.
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BrettMesserschmidt:  pra valer? Voc voltou?
JennyHUmphrey: Acho que sim! Que estranho. Uma hora atrs, eu fui expulsa. Agora estou de volta.
BrettMesserschmidt: Bom, estou emocionada.. E um monte de gente tambm.
JennyHUmphrey: Posso pensar em algumas que no esto.
BrettMesserschmidt: Elas que se foda. Soube da Srta. Miller, n? Ela foi totalmente subornada por algum para dizer que foram as vacas.
JennyHUmphrey: Do que vc est falando? Subornada?
BrettMesserschmidt: Algum REALMENTE no quer que voc v. Tanto que PAGOU para vc ficar.
JennyHUmphrey: Que loucura.
BrettMesserschmidt: Bem-vinda de volta, garota. Est na hora de adivinha quem  seu admirador secreto! E no se preocupe, a detetive aqui est no caso.
JennyHUmphrey: Aaaah, eu sempre quis ter um admirador secreto...
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*FIM*

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